Está a circular nas redes sociais um vídeo que alegadamente mostra um voluntário brasileiro (que se alistou para combater na Ucrânia) a pedir para ser retirado da frente de combate. O militar diz-se arrependido de se ter alistado nas forças ucranianas. “O mercenário brasileiro Emilios George Ades Georgiades ‘ofereceu-se para lutar pela democracia banderista’, mas agora está arrependido. Fiquem em casa, meninos, isto não é o Médio Oriente, onde se luta contra rebeldes com sandálias e AK-47 enferrujadas”, lê-se numa das publicações, partilhada na rede social Facebook.
“Mãe, por amor de Deus, eu não devia ter vindo. Estão a cair bombas para tudo o que é lado, estou sozinho. Mãe, me tira daqui. Eu fui burro demais, achei que ia ser filme, e eu não consigo”, diz aparentemente o jovem, num tom desesperado. O homem surge a usar capacete e uniforme de soldado.
Desde o início da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, em fevereiro de 2022, que milhares de voluntários, das mais diversas nacionalidades, se têm alistado para lutar ao lado das forças armadas ucranianas contra a invasão russa. Segundo algumas estimativas, divulgadas há poucos meses pela Deutsche Welle, cerca de 100 brasileiros estarão incorporados na Legião Internacional da Ucrânia, apesar de esses números não serem oficiais. Questionada pela DW, a embaixada da Ucrânia no Brasil afirmou que não se pronuncia sobre questões militares. Em resposta ao G1, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil contabiliza 15 mortos e 26 desaparecidos de nacionalidade brasileira até ao momento na guerra da Ucrânia.
Contudo, o vídeo que circula nas redes sociais é falso e foi gerado com recurso a Inteligência Artificial (IA). Tanto o site AI Video Detector como o HiveModeration confirmam que existe uma alta probabilidade de o vídeo ter sido gerado com recurso a IA.
Para além disso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil adiantou já que o nome do militar, citado nas redes sociais, não consta da lista de mortos nem de desaparecidos com nacionalidade brasileira. Além dessa indicação, refere que o alistamento nas forças ucranianas não exige autorização por parte do governo brasileiro.
Conclusão
O vídeo que circula nas redes sociais, aparentemente gravado por um mercenário brasileiro arrependido de ter ido combater para a guerra na Ucrânia, é falso e foi gerado com recurso a Inteligência Artificial, confirmam duas plataformas de deteção de conteúdos gerados por IA.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.