No Facebook, alega-se que o Papa Leão XIV é um “crítico severo da comunidade LGBT e da transsexualidade”. E não só, garante-se mesmo que terá afirmado publicamente que a transsexualidade “é uma doença que deve ser diagnosticada” e que “necessita de tratamento”.

Vários posts, partilhados entre 9 e 10 de maio, logo após a eleição de Robert Francis Prevost como novo líder da Igreja Católica, transmitem esta informação. Não é, no entanto, identificada qualquer fonte para a citação que surge associada à fotografia do Papa, bem como a uma bandeira LGBTQIA+ com um sinal de rejeição por cima.

Uma pesquisa no Google, ou outro motor de busca, por palavras-chave, ou mesmo pela citação completa atribuída ao novo Papa, não apresenta resultados que apontem para fontes fidedignas, apenas páginas de desinformação ou verificadores de factos, que já verificaram esta informação.

Segundo esta agência e jornal, várias publicações que dão conta desta informação referem que o Papa disse estas palavras quando participou na conferência da USCCB, em novembro de 2024. Sendo este evento uma assembleia da hierarquia dos bispos que exercem conjuntamente funções pastorais em nome dos fiéis cristãos dos EUA e das Ilhas Virgens norte-americanas.

Ora, questionada pela AFP, a diretora executiva de Relações Públicas da USCCB, Chieko Noguchi, confirmou que o “então cardeal Prevost não compareceu à reunião dos bispos dos EUA em novembro passado”. Dessa forma, nunca poderia ter proferido tal declaração no referido evento.

Logo no dia da escolha do novo Papa, e quando começava a ser detalhadas algumas informações biográficas, foi amplamente divulgado que, em 2021, através de um comunicado dirigido a outros bispos citado pelo New York Times, Prevost terá criticado “o estilo de vida homossexual” e “as famílias alternativas compostas pelos companheiros do mesmo sexo e as suas crianças adotadas”. O mesmo jornal avançou, logo no dia 8 de maio, que, no Peru, Prevost se opôs à “promoção da ideologia de género” nas escolas locais.

Não se conhecem, no entanto, declarações do novo chefe da Igreja Católica sobre pessoas trans.

Em 2023, Prevost foi entrevistado a propósito da sua nomeação para cardeal e acabou até por apresentar uma posição mais moderada em relação à comunidade LGBTQIA+, quando confrontado com a sua posição crítica de 2012.

“Eu diria que houve desenvolvimentos no sentido da necessidade de que a Igreja se abra e seja acolhedora”, respondeu, moderando o posicionamento anterior. E acrescentou: “Buscamos ser mais acolhedores e mais abertos e dizer que todas as pessoas são bem-vindas.”

Conclusão

Em suma, é falso que existam registos de uma citação de Robert Francis Prevost, agora o Papa Leão XIV, em que este assume publicamente que a transexualidade “é uma doença” e que para ela deve ser encontrada uma cura para a mesma. O Papa chegou a emitir uma opinião crítica em relação à comunidade LGBTQIA+ em 2012, sem nunca destacar as pessoas trans. Mas, em 2023, quando foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco, assumiu um discurso distinto. À semelhança do seu líder na altura, apelava a uma Igreja aberta para todos.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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