É mais uma das histórias que nasceu nas redes sociais, naquilo que parece apenas ter sido uma brincadeira de Halloween — em outubro de 2017 —, mas que descontextualizada e publicada vezes sem conta é assimilada pelos utilizadores como informação verdadeira. Na publicação partilhada, nada corresponde à verdade, as imagens são de várias fontes e correspondem a histórias diferentes.

Publicação no Facebook com informação falsa sobre Freddy Krueger

A publicação pretende contar a “história verdadeira” de Freddy Krueger, a personagem da série de filmes de terror ‘A Nightmare on Elm Street’. No filme, Freddy é um assassino de crianças de uma cidade também fictícia em Ohio. Supostamente, procura vingar-se depois de os pais o terem queimado. É o próprio realizador Wes Craven que garante que a personagem é totalmente inventada. A inspiração para o filme terá chegado, no entanto, de uma história que viu relatada no jornal L.A. Times, sobre uma família de refugiados do Cambodja que conseguiu chegar aos Estados Unidos.

Ao Vulture, Wes Craven conta que leu na altura a história de um rapaz que tinha medo de dormir. A criança teria contado aos pais que havia alguém atrás dele e que o apanharia se adormecesse. Depois de vários dias sem dormir, a criança adormeceu e os pais acharam que a crise que o filho estava a passar tinha terminado. No entanto, ouviram gritos a meio da noite e, quando chegaram perto do filho, este estava morto. Morreu durante um pesadelo. E é essa a história central do filme ‘Pesadelo em Elm Street’.

De onde vem então a história partilhada no Facebook este mês e que conta novamente com centenas de partilhas e comentários? Apesar de não estar já disponível no Facebook, está guardada no servidor imgur. O texto corresponde ao que está a ser partilhado, agora em português, mas o último parágrafo inicialmente escrito entre parêntesis foi apagado. É nele que reside o fim deste boato que continua a voltar às redes sociais: “Na verdade acabei de encontrar esta imagem e inventei isto tudo. Feliz outubro a todos!”.

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Caso sobrem ainda dúvidas sobre as imagens, é possível analisá-las também. Uma a uma. A imagem visível no canto superior esquerdo da publicação corresponde ao retrato robot de Joseph Henry Loveless, conseguido em 2019 com a ajuda do Projeto DNA Doe, conforme relata a NBC. Joseph Henry Loveless foi dado como desaparecido a 18 de maio de 1916, depois de fugir da prisão (tinha sido condenado por ter assassinado a mulher). O corpo foi encontrado em Idaho, em 1979, mas a identificação só foi possível com recurso à genealogia genética forense. A imagem partilhada como alegadamente correspondendo à verdadeira identidade do assassino em série do filme corresponde, então, a uma reconstrução feita por especialistas tendo por base imagens de membros da família.

Ainda na linha superior da publicação, a imagem à direita é da personagem do filme, Freddy Kryuger. Trata-se do ator Robert Englund, caracterizado para a personagem do filme. A imagem está disponível em vários sites pela internet, por exemplo aqui, e há inclusivamente merchandising do filme com a mesma imagem, autografada pelo ator Robert Englund.

Já a imagem de baixo à esquerda circula, pelo menos desde 2009, em sites na internet que se dedicam aos mistérios e ao terror — em sites dedicados ao paranormal ou às teorias sobre fantasmas, como este. A fotografia não tem qualquer legenda, o artigo foi publicado em abril de 2010 e, na publicação do Facebook, é o utilizador que decide utilizá-la para ajudar a passar a mensagem de que a informação é verdadeira.

Já a suposta campa de Frederick Krueger circula também há vários anos, sem ser possível identificar a origem — além da publicação onde o autor deixa claro que “inventou tudo” —, mas está listada como uma das imagens mais virais na internet.

Conclusão

Uma imagem nem sempre vale mais que mil palavras e, neste caso, nem com quatro imagens se consegue dar mais força a uma mensagem que foi inventada num primeiro momento. Ainda que tenha nascido daquilo que assumidamente era uma brincadeira — já que a informação estava clara na publicação original —, a verdade é que se trata de uma história que surgiu em 2017 e que voltou a tornar-se viral nas redes sociais, mas que de factos nada tem.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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