Um ano após o início da pandemia de Covid-19, que afetou milhões de pessoas, há mitos, ideias e notícias falsas que, mesmo depois de desmentidas, continuam a circular nas redes sociais. No passado dia 8 de setembro, surgiu uma publicação de Facebook onde se lia um título de uma suposta notícia verdadeira: “Criança de 4 anos quase morre devido a infeção pulmonar causada por uso prolongado de máscara.” Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Antes de olharmos para a notícia em si, convém explicar a alegação. Não existem informações oficiais ou notícias que confirmem o caso da criança com quatro anos hospitalizado por causa do uso da máscara.  A própria publicação acaba por ser estranha, já que apresenta um título em inglês mas depois o seu conteúdo está escrito em português. Não há nenhum link disponível que comprove aquilo que está escrito.

Depois, segundo o pneumologista Tiago Alfaro, “a segurança das máscaras está bem demonstrada”. Não tem existido relatos de infeções respiratórias associadas às máscaras na comunidade médica. A segurança das máscaras está bem demonstrada, sendo que os vários estudos e as meta-análises têm sido consistentes na observação de que o seu uso reduz o risco de infeção respiratória”, garante ao Observador.

Há ainda outro fator importante a ter em conta: “Se fossem observados casos de infeção respiratória associada à mascara, estes seriam eventualmente discutidos nos vários congressos e reuniões que ocorrem diariamente, o que não tem acontecido”, explicou Tiago Alfaro.

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Por outro lado, é importante reforçar as recomendações e orientações dadas relativamente ao uso daquele equipamento sanitário, e que tem sofrido alterações ao longo dos meses por parte das instituições de saúde, como é o caso da Direcção Geral de Saúde. É, por exemplo, recomendado que a máscara cirúrgica seja descartada ou substituída após 4 a 6 horas de uso contínuo, ou antes, se estiver humedecida. Já as máscaras sociais devem ser lavadas de acordo com as instruções do fabricante, sempre a temperatura de, pelo menos, 60º graus e com detergente padrão. É preciso também não esquecer que o uso de máscara deve ser feito com a desinfeção das mãos antes de e após o manuseamento da mesma.

Ainda assim, o seu uso continua a ser fortemente recomendado em determinados locais. Quanto aos mais novos, a DGS, por exemplo, não recomenda o seu uso na comunidade a crianças com idade igual ou inferior a 5 anos.

É também importante destacar que esta não é a primeira vez que surgem publicações que colocam em causa o uso da máscara. Esta foi uma das primeiras alegações a serem desmentidas um pouco por todo o mundo. O Observador já verificou diferentes dessas publicações, tais como se a máscara provocava falta de oxigénio ou inflamação nos pulmões em determinados casos. Em todos, a resposta foi sempre a mesma: alegações falsas.

Fact Check. Uso de máscara provoca falta de oxigénio?

Para terminar, olhemos para o caso referido.  Num vídeo de quatro minutos, o quiroprata em questão refere o caso de uma criança que terá ido parar às urgências com uma infeção bacteriana após o uso prolongado de máscara. No entanto, nos quatro minutos em que Nepute discursa, não cita nem refere nenhuma informação credível sobre o caso. Depois, também não é possível identificar nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social qualquer prova daquilo que foi previamente divulgado.

O Fact Check.org, um dos fact-checkers norte-americanos que desmontou várias alegações de Eric Nepute, refere também que o quiroprata foi acusado pelas autoridades norte-americanas de promover tratamentos contra a Covid-19 e de ter feito alegações falsas relativas à pandemia. Essas mesmas alegações vão desde a perigosidade da variante Delta, o número de hospitalizações de crianças nos EUA (que estava a aumentar naquela altura), o uso obrigatório de máscara na Casa Branca ou a retirada de crianças de casas com risco Covid-19 na Austrália, que seriam depois colocadas em campos de detenção improvisados Todas se revelaram como falsas.

Conclusão

Não há nenhum dado, estudo ou estatística que comprove que o uso prolongado de máscara provoque infeção pulmonar. Aliás, todas as indicações são no sentido contrário, ainda que as regras para o seu uso tenham sido alteradas ao longo dos últimos meses em pandemia. Há vários fact-checks, incluindo no Observador, que desmontam, ponto por ponto, este tipo de notícias falsas. Depois, as alegações feitas na publicação sobre um caso de uma criança que deu entrada nas urgências por uso prolongado de máscara, também não são verdade. Não nenhuma informação ou notícia que garanta a veracidade daquilo que é defendido.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA1: este artigo foi produzido no âmbito de uma parceria de fact-checking entre o Observador e a TVI

NOTA2: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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