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Economia. Os apoios lançados por um Governo que corre atrás de um prejuízo (ainda) incalculável. E a falta de "coragem" para falar no "problema" nas pensões

11 fev. 2026, 17:57
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Economia

quarta, 11 fev. 2026
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Edgar Caetano
Jornalista
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O mau tempo pode dar-nos algumas tréguas no fim de semana mas boa parte do país continua em estado de sítio. Consciente de que vai demorar largos meses a reconstrução daquilo que foi destruído pela depressão Kristin e pelos infindáveis dias de chuva intensa que se seguiram, o Governo – acusado de ter falhado na prevenção – prometeu uma “rapidez sem precedentes” na forma como os apoios vão chegar às empresas e famílias mais afetadas.

Entre outras medidas, haverá dinheiro para a reparação de telhados, apoios para pessoas em situação de carência e o regresso das moratórias de crédito, em termos muito parecidos com os que existiram na pandemia de Covid-19. Só na região da Leiria, dados do Banco de Portugal mostram que há cinco mil milhões de euros em dívida cujo pagamento poderá ficar suspenso por três meses – um período que pode ser alargado por mais 12 meses não só para as empresas como, também, para as famílias (é essa a “intenção” do Governo).

Além do impacto para empresas e famílias, existem, também, infraestruturas muito danificadas – designadamente as energéticas. Ninguém arrisca, para já, avançar com uma estimativa de custos para a reposição do sistema elétrico nas zonas afetadas mas, sendo declarado um evento excecional, uma parte desta “fatura” poderá ir parar às tarifas da eletricidade nos próximos anos.

Por outro lado, o setor das telecomunicações diz ter sofrido uma destruição “devastadora” nas estações móveis instaladas nos concelhos mais afetados, o que deixou milhares de pessoas incontactáveis ao longo de vários dias. Algo que levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a dizer que as empresas se tinham “portado mal”, porque “não podemos ter tanto tempo [para] a reposição da normalidade da telecomunicação”. A declaração caiu muito, muito mal no setor.

Financeiras há muito avisam para “problema” nas pensões. Agora, Bruxelas também usa isso como trunfo

A generalidade dos países europeus tem “um problema” com as pensões futuras, mas “muitos políticos não têm coragem” de falar sobre isso com os eleitores. Esta foi a frase que escolhemos para título da entrevista a Tanguy Van de Werve, diretor-geral da EFAMA, o mais importante lóbi da indústria de fundos de investimento e fundos de pensões da Europa.

Não é, de todo, a primeira vez que um responsável da indústria financeira faz este tipo de apelos no sentido de levar as pessoas a pouparem mais para a reforma, investindo de forma racional aquilo que poupam, com o objetivo de, um dia, complementar as (provavelmente parcas) pensões que os Estados lhes poderão pagar.

Alguns podem interpretar esses alertas como uma tentativa – legítima – de conquistar mais negócio para as empresas deste setor. Mas, desde finais de 2024, o caso mudou de figura: a Comissão Europeia criou uma pasta focada na criação de uma União das Poupanças e dos Investimentos e colocou-a na mão de Maria Luís Albuquerque.

É à ex-ministra das Finanças que cabe persuadir os Governos a tomarem medidas concretas para levar os europeus a investir mais, a tirarem dinheiro dos depósitos bancários e investirem mais nas empresas europeias (em detrimento das norte-americanas), que precisam desse investimento para fazer a transição digital e ambiental que o relatório Draghi considerou urgente.

Maria Luís Albuquerque não pode fazer mais do que isso: propor medidas e, depois, percorrer todas as capitais europeias a fazer, também ela, algum lobbying junto dos Governos a quem compete dar o passo seguinte (a comissária esteve, aliás, em Lisboa há poucas semanas). Não será fácil, mas Tanguy Van de Werve está confiante por uma razão muito simples: porque se secundarizou o discurso focado na necessidade de financiar as empresas europeias e colocou-se o ênfase na urgência de cada um investir mais para a sua própria reforma.

Eu nunca conseguiria convencer o meu irmão a investir nos mercados de capitais para financiar empresas europeias – ele não está interessado em financiar empresas europeias, está interessado na pensão que vai ter.”

A Comissão Europeia calcula, periodicamente, quão parcas serão as “taxas de substituição” (diferença entre último salário e pensão) mas nos últimos tempos começou, também ela, a usar isso como alavanca para estimular a criação de um mercado de capitais mais robusto – e mais autónomo face aos EUA.

Vila Galé disse que Cuba tem tudo para ser destino turístico de topo. Mas, agora, não tem petróleo

É “uma questão de tempo” até que Cuba volte a ser um destino turístico de sucesso. A previsão foi feita há poucos dias pelo administrador da Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida. Para o grupo Vila Galé, que lá investiu em quatro hotéis, é bom que esse otimismo se confirme.

Pode ser uma questão de tempo, mas os tempos não estão nada fáceis: Havana está a sofrer uma crise energética, sob pressão de Trump, que ordenou a interrupção das entregas de petróleo venezuelano ao país. O Governo de Cuba iniciou na semana passada o encerramento de alguns hotéis e está a transferir turistas para outras unidades, no âmbito de um pacote de medidas para enfrentar a crise energética e limitações de combustível.

Em Cuba há longas filas de espera para abastecer os carros, gerou-se corrida à comida enlatada, funcionários públicos e outros trabalhadores estão em teletrabalho obrigatório, as escolas estão a reduzir as aulas presenciais e eventos culturais estão a ser cancelados. E, nos últimos dias, surgiu outro problema: a aviação comercial ficou sem combustível e as companhias aéreas internacionais estão a cancelar voos para o país.

Gonçalo Rebelo de Almeida dizia que Cuba tem os “fundamentais de um produto turístico”, incluindo “praias e paisagens, gente simpática, música, património e cultura”. Mas neste momento… falta petróleo.

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A EMPRESA

Os investidores já antecipavam que, na senda de outras fabricantes automóveis como a General Motors e a Ford, também a Stellantis poderia estar prestes a anunciar algum tipo de reestruturação. Mas ninguém estava à espera de um “abanão” tão profundo nas operações (e nas contas) da empresa até há cerca de um ano liderada pelo português Carlos Tavares – daí que as ações tenham afundado 25% num só dia, a última sexta-feira, na bolsa de Milão.

Esfumaram-se 5,6 mil milhões de euros em capitalização bolsista apenas nesse dia, o que culminou com vários cortes de rating aplicados à empresa que em finais de 2024 passou a ser liderada pelo italiano Antonio Filosa. Entre imparidades e outros custos de reestruturação, reconheceu-se a perda de 22,2 mil milhões de euros e reconheceu-se, também, outra coisa: que a aposta feita no segmento dos automóveis elétricos, nos últimos anos, foi demasiado otimista e desalinhada com a procura por parte dos clientes.

“Sobrestimou-se” o ritmo da adoção dos veículos elétricos, admitiu a dona das marcas Peugeot, Citröen, Fiat e Jeep, acrescentando que a estratégia adotada nos últimos anos “distanciou” a empresa das “verdadeiras necessidades quotidianas de muitos compradores de automóveis, dos seus recursos disponíveis e os seus desejos”. De quem é a culpa? A nova gestão, de Antonio Filosa, não poderia, no comunicado divulgado ao mercado, ter sido mais explícita nas críticas à gestão de Carlos Tavares. Lê-se que grupo está a ser penalizado pela “fraca execução operacional anterior“, algo que “está a ser progressivamente solucionado pela nova equipa” executiva.

Tavares terá ficado com as orelhas a arder, mas a verdade é que a Stellantis está longe de ser a única fabricante automóvel a enfrentar o mesmo tipo de desafios – sobretudo depois de o Presidente Trump ter eliminado os incentivos fiscais à compra de carros elétricos nos EUA.

Muito obrigado por subscrever e ler a newsletter de Economia do Observador, que sai semanalmente, às quartas-feiras. Na próxima semana, na quarta-feira após o “feriado” de Carnaval, voltaremos a levar a atualidade económica até à sua caixa de correio eletrónico. Até lá.

Cá dentro e lá fora

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Porque é que o dólar pode continuar a perder valor
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O ano em que os bancos centrais estão a seguir cada um o seu caminho
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Investidores internacionais voltaram, um ano depois, a ter interesse na China
Bloomberg
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Financial Times
Porque é que este está a ser o "inverno" mais frio de sempre nas criptomoedas
The Economist

A semana nos mercados

Evolução semanal

Stoxx 600 622,03 +0,8%
S&P 500 6.948,19 +1,6%
Dow Jones Industrial 50.231 +1,9%
PSI 9070,52 +2,2%
Stellantis €6,44 -25,5%
Mattel Inc. $16,17 -23,7%
EDP €4,43 +3,5%
  Heineken €77,86 +5,8%
Hershey Co. $230,79 +5,5%
Nvidia $190,92 +9,1%
Prata $83,70 +8,9%
Petróleo (Brent) $68,66 +2,5%

Os próximos dias

12 de fevereiro

7h00 Reino Unido. Office for National Statistics divulga PIB trimestral
11h00 INE divulga "Atividade dos Transportes - Estatísticas rápidas do transporte aéreo" em dezembro
11h00 INE divulga "Índices de Produção, Emprego, Remunerações na Construção" em dezembro
11h30 Discurso público de Philip Lane, economista-chefe do BCE, em Sófia, Bulgária

13 de fevereiro

10h00 Debate quinzenal no parlamento, com o primeiro-ministro
10h00 Eurostat divulga estimativa rápida sobre PIB e emprego no quarto trimestre
10h00 Eurostat divulga dados sobre comércio internacional relativos a dezembro
11h00 INE divulga "Estatísticas do Emprego - Remuneração bruta mensal média por trabalhador" do quarto trimestre
11h00 INE divulga "Estatísticas Vitais - Dados mensais" de janeiro
11h00 INE divulga "Atividade Turística" no quarto trimestre
11h00 INE divulga "Índice de Custo do Trabalho" relativo ao quarto trimestre
13h30 Índice de Preços no Consumidor nos EUA, relativo a janeiro

16 de fevereiro

Feriado nos EUA (Washington’s Birthday) - Bolsas encerradas
10h00 Eurostat divulga dados sobre a produção industrial europeia em dezembro e totalidade de 2025

17 de fevereiro

Dia de Carnaval - Função Pública com tolerância de ponto
10h00 Índice de sentimento económico na Alemanha pelo instituto ZEW

18 de fevereiro

Audição da ANAC no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o apagão de 28 de abril 2025
11h00 INE divulga "Estatísticas do Emprego - Dados anuais" de 2025
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