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O mau tempo pode dar-nos algumas tréguas no fim de semana mas boa parte do país continua em estado de sítio. Consciente de que vai demorar largos meses a reconstrução daquilo que foi destruído pela depressão Kristin e pelos infindáveis dias de chuva intensa que se seguiram, o Governo – acusado de ter falhado na prevenção – prometeu uma “rapidez sem precedentes” na forma como os apoios vão chegar às empresas e famílias mais afetadas. |
Entre outras medidas, haverá dinheiro para a reparação de telhados, apoios para pessoas em situação de carência e o regresso das moratórias de crédito, em termos muito parecidos com os que existiram na pandemia de Covid-19. Só na região da Leiria, dados do Banco de Portugal mostram que há cinco mil milhões de euros em dívida cujo pagamento poderá ficar suspenso por três meses – um período que pode ser alargado por mais 12 meses não só para as empresas como, também, para as famílias (é essa a “intenção” do Governo). |
Além do impacto para empresas e famílias, existem, também, infraestruturas muito danificadas – designadamente as energéticas. Ninguém arrisca, para já, avançar com uma estimativa de custos para a reposição do sistema elétrico nas zonas afetadas mas, sendo declarado um evento excecional, uma parte desta “fatura” poderá ir parar às tarifas da eletricidade nos próximos anos. |
Por outro lado, o setor das telecomunicações diz ter sofrido uma destruição “devastadora” nas estações móveis instaladas nos concelhos mais afetados, o que deixou milhares de pessoas incontactáveis ao longo de vários dias. Algo que levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a dizer que as empresas se tinham “portado mal”, porque “não podemos ter tanto tempo [para] a reposição da normalidade da telecomunicação”. A declaração caiu muito, muito mal no setor. |
Financeiras há muito avisam para “problema” nas pensões. Agora, Bruxelas também usa isso como trunfo |
A generalidade dos países europeus tem “um problema” com as pensões futuras, mas “muitos políticos não têm coragem” de falar sobre isso com os eleitores. Esta foi a frase que escolhemos para título da entrevista a Tanguy Van de Werve, diretor-geral da EFAMA, o mais importante lóbi da indústria de fundos de investimento e fundos de pensões da Europa. |
Não é, de todo, a primeira vez que um responsável da indústria financeira faz este tipo de apelos no sentido de levar as pessoas a pouparem mais para a reforma, investindo de forma racional aquilo que poupam, com o objetivo de, um dia, complementar as (provavelmente parcas) pensões que os Estados lhes poderão pagar. |
Alguns podem interpretar esses alertas como uma tentativa – legítima – de conquistar mais negócio para as empresas deste setor. Mas, desde finais de 2024, o caso mudou de figura: a Comissão Europeia criou uma pasta focada na criação de uma União das Poupanças e dos Investimentos e colocou-a na mão de Maria Luís Albuquerque. |
É à ex-ministra das Finanças que cabe persuadir os Governos a tomarem medidas concretas para levar os europeus a investir mais, a tirarem dinheiro dos depósitos bancários e investirem mais nas empresas europeias (em detrimento das norte-americanas), que precisam desse investimento para fazer a transição digital e ambiental que o relatório Draghi considerou urgente. |
Maria Luís Albuquerque não pode fazer mais do que isso: propor medidas e, depois, percorrer todas as capitais europeias a fazer, também ela, algum lobbying junto dos Governos a quem compete dar o passo seguinte (a comissária esteve, aliás, em Lisboa há poucas semanas). Não será fácil, mas Tanguy Van de Werve está confiante por uma razão muito simples: porque se secundarizou o discurso focado na necessidade de financiar as empresas europeias e colocou-se o ênfase na urgência de cada um investir mais para a sua própria reforma. |
Eu nunca conseguiria convencer o meu irmão a investir nos mercados de capitais para financiar empresas europeias – ele não está interessado em financiar empresas europeias, está interessado na pensão que vai ter.” |
A Comissão Europeia calcula, periodicamente, quão parcas serão as “taxas de substituição” (diferença entre último salário e pensão) mas nos últimos tempos começou, também ela, a usar isso como alavanca para estimular a criação de um mercado de capitais mais robusto – e mais autónomo face aos EUA. |
Vila Galé disse que Cuba tem tudo para ser destino turístico de topo. Mas, agora, não tem petróleo |
É “uma questão de tempo” até que Cuba volte a ser um destino turístico de sucesso. A previsão foi feita há poucos dias pelo administrador da Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida. Para o grupo Vila Galé, que lá investiu em quatro hotéis, é bom que esse otimismo se confirme. |
Pode ser uma questão de tempo, mas os tempos não estão nada fáceis: Havana está a sofrer uma crise energética, sob pressão de Trump, que ordenou a interrupção das entregas de petróleo venezuelano ao país. O Governo de Cuba iniciou na semana passada o encerramento de alguns hotéis e está a transferir turistas para outras unidades, no âmbito de um pacote de medidas para enfrentar a crise energética e limitações de combustível. |
Em Cuba há longas filas de espera para abastecer os carros, gerou-se corrida à comida enlatada, funcionários públicos e outros trabalhadores estão em teletrabalho obrigatório, as escolas estão a reduzir as aulas presenciais e eventos culturais estão a ser cancelados. E, nos últimos dias, surgiu outro problema: a aviação comercial ficou sem combustível e as companhias aéreas internacionais estão a cancelar voos para o país. |
Gonçalo Rebelo de Almeida dizia que Cuba tem os “fundamentais de um produto turístico”, incluindo “praias e paisagens, gente simpática, música, património e cultura”. Mas neste momento… falta petróleo. |

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A EMPRESA |
Os investidores já antecipavam que, na senda de outras fabricantes automóveis como a General Motors e a Ford, também a Stellantis poderia estar prestes a anunciar algum tipo de reestruturação. Mas ninguém estava à espera de um “abanão” tão profundo nas operações (e nas contas) da empresa até há cerca de um ano liderada pelo português Carlos Tavares – daí que as ações tenham afundado 25% num só dia, a última sexta-feira, na bolsa de Milão. |
Esfumaram-se 5,6 mil milhões de euros em capitalização bolsista apenas nesse dia, o que culminou com vários cortes de rating aplicados à empresa que em finais de 2024 passou a ser liderada pelo italiano Antonio Filosa. Entre imparidades e outros custos de reestruturação, reconheceu-se a perda de 22,2 mil milhões de euros e reconheceu-se, também, outra coisa: que a aposta feita no segmento dos automóveis elétricos, nos últimos anos, foi demasiado otimista e desalinhada com a procura por parte dos clientes. |
“Sobrestimou-se” o ritmo da adoção dos veículos elétricos, admitiu a dona das marcas Peugeot, Citröen, Fiat e Jeep, acrescentando que a estratégia adotada nos últimos anos “distanciou” a empresa das “verdadeiras necessidades quotidianas de muitos compradores de automóveis, dos seus recursos disponíveis e os seus desejos”. De quem é a culpa? A nova gestão, de Antonio Filosa, não poderia, no comunicado divulgado ao mercado, ter sido mais explícita nas críticas à gestão de Carlos Tavares. Lê-se que grupo está a ser penalizado pela “fraca execução operacional anterior“, algo que “está a ser progressivamente solucionado pela nova equipa” executiva. |
Tavares terá ficado com as orelhas a arder, mas a verdade é que a Stellantis está longe de ser a única fabricante automóvel a enfrentar o mesmo tipo de desafios – sobretudo depois de o Presidente Trump ter eliminado os incentivos fiscais à compra de carros elétricos nos EUA. |
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