“Chamemos-lhe o paradoxo pós-férias: em vez de nos sentirmos de baterias carregadas no regresso ao trabalho depois de umas férias, estamos esgotados e lutamos para reconquistar motivação. É contra-intuitivo, mas a investigação científica garante que é um sentimento muito comum, escreve Ayelet Fishbach, professor da Booth School of Business da Universidade de Chicago e autor de Get It Done: Surprising Lessons from the Science of Motivation.”
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O parágrafo faz parte deste artigo da Harvard Business Review. Assinado pela jornalista Rebecca Knight — que escreve há muitos anos sobre carreiras e ambiente de trabalho e já publicou no Boston Globe, na Business Insider, no New York Times, na BBC e no Christian Science Monitor —, é uma boa porta de entrada, uma entre tantas, para saber mais sobre essa sensação que talvez se tenha apoderado de si nos últimos dias e, eventualmente, atingiu o apogeu hoje, 1 de setembro. |
Não tenho estatísticas, apenas senso comum: hoje é, para milhares de pessoas, o primeiro dia de regresso ao trabalho depois das férias de agosto. E, com ele, chega também um sentimento a que estamos habituados mas que todos os anos enfrentamos: a “depressão pós-férias”. |
O termo leva aspas porque não é clínico e não está classificado no famoso DSM-5, o manual de doenças mentais da Associação Americana de Psiquiatria. A depressão é uma doença grave, incapacitante, e não deve ser menorizada ou vulgarizada em declinações de calendário. O mesmo se aplica à ansiedade e respetiva “ansiedade pós-férias”. |
Mas, feita a salvaguarda, as sensações de angústia, tristeza, apatia, falta de sono ou cansaço extremo, perda de interesse em atividades que antes fazia com gosto, palpitações, falta de ar ou preocupação extrema com o futuro estão lá. E, com elas, o mal-estar tão típico deste período entre o regresso da praia e o início do ano letivo — quando começarem as aulas recomeça a correria e entramos definitivamente na roda do hamster, que deixa pouco tempo para estados de alma temporários. |
O ponto principal desta newsletter é este: não está só. Há muita gente como o leitor. Muitas pessoas com as mesmas sensações que, por estes dias — e neste dia 1 em particular — estão mais cansados pelo que aí vem do que relaxados pelo que passou. Uns chamam-lhe ansiedade do regresso, outros stress pós-férias, vacation blues ou post holiday stress. Tudo o que sirva para ajudar a colocar carimbos em sensações e a guardá-las num contexto próprio. |
E, muito importante, ajudam os psicólogos a pensar em estratégias para lidar com o assunto. |
“Nós até gostamos do nosso emprego, o que não gostamos muitas vezes é da rotina”, dizia há dias Eduardo Sá neste episódio de Porque Sim Não é Resposta, o programa diário do psicólogo na antena da Rádio Observador. “Eu acho que a nossa vida não é tão boa como gostaríamos e devíamos pensar nisso.” |
Há muitas fontes — umas mais credíveis do que outras — onde procurar informação sobre este sentimento e, sobretudo, ajuda para sair dele. E, mais uma vez, a Internet pode dar uma ajuda: há muitas dicas úteis que podem ajudar a menorizar a angústia natural do regresso ao trabalho. Como estas aqui na Folha de São Paulo. Ou aqui no El País. Ou aqui no New York Times. Ou aqui no Contacto. Eu costumo praticar uma há muitos anos: a menos que não tenha alternativa, não recomeço a trabalhar numa segunda-feira. A sensação de voltar já custa, se puder ser menorizada com a ideia de a semana ter “apenas” mais dois ou três dias pela frente até ao primeiro sábado, tanto melhor. |
Se já não for a tempo desta, deixo outra: fale sobre o assunto. Converse com outras pessoas. Partilhe angústias e preocupações, sugestões para lidar com isto e ideias sobre a melhor forma de enfrentar estes dias. E, claro, fale com o seu psicólogo. Engolir tudo isto e enfrentar tudo sozinho não é boa solução. |
Bom regresso ao ativo, na medida do possível. |
Entretanto — e enquanto esteve de férias — estes foram os últimos trabalhos que publicámos no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental: |