“Inveja, é fome que enjoa;
É cama que tira o sono:
Magra Cadela Raivosa
Que morde no próprio dono!
O Homem e o Trabalho (p. 225) por António Corrêa D’ Oliveira
No final de 2020, tivemos amigos de família para jantar em casa. Aos 21 anos, já era libertário. O casal — que são professores do ensino secundário na casa dos 50 anos — apoiantes do Bloco de Esquerda, logo um confronto era inevitável. Quando advoguei a redução de impostos e que o Salazar não era tão sanguinário em comparação com outros ditadores, sofreram um colapso nervoso; a mulher começou a respirar profundamente enquanto o homem, a cara dele transformando-se num tomate vermelho, gritava que eu era pior que o André Ventura. Com o tempo, foi um dos maiores elogios que me fizeram, mas confirmei as minhas suspeitas que os esquerdistas são pessoas emocionais, que não aceitam opiniões diferentes.
Sob o socialismo, és punido por seres bom. Sob o comunismo, és morto por seres rico. Sob a social-democracia, és assediado por possuíres um negócio. Sob o fascismo, és forçado a seguir as diretivas do Estado. Os esquerdistas ignoram a realidade porque ela é demasiado difícil de suportar. Se o socialismo nasce da inveja e do ódio, como pode levar a algo diferente de intolerância? Se somos intolerantes ao roubo e homicídio, por que razão o socialismo ainda é legal? O socialismo destrói o edificado do amor e da caridade; a divisão artificial das pessoas em diferentes categorias estatísticas como centopeias.
O abandono das fábricas, minas e terras; a profanação do trabalho e a vilificação da riqueza, são as novas catacumbas modernas da igualdade. Vingança e ódio são desperdícios dispendiosos; não há produção, apenas destruição opulenta onde quer que os esquerdistas governem, porque os seus 3 pecados cardinais consistem em não saber nada, saber pouco e saber mal, faltando talento especialmente na área económica, levando ao êxodo de capital e humano. O socialismo democrático é, de facto, muito caro de manter com os seus generosos subsídios de bem-estar enquanto a maioria empobrece para enriquecer uma minoria.
Os bolcheviques da geração Y, doutrinados, caem nas armadilhas semânticas lançadas por terroristas educacionais que querem perpetrar um genocídio cultural contra o nosso património. A juventude esquerdista está numa busca hipnotizada pelos prazeres epicuristas, mas o comunismo é uma religião ascética pedindo o sacrifício dos seus seguidores; uma ordem puritana onde o prazer é submisso à obediência. Lembrem-se de 1984, quando as relações sexuais eram estritamente proibidas entre camaradas do Ingsoc, constituindo um desvio ideológico.
Vergílio Ferreira expôs brilhantemente o revolucionário escatológico quando escreveu no seu diário: “Os revolucionários existirão sempre, porque a esperança do homem é infinita ou o seu sonho infinito. Mas toda a realização, porque é realização, é obviamente finita. Conceber, portanto, o fim da História é absurdo” (p. 202, Conta-Corrente, Volume 1, 1969-1981, Quetzal). O que é um sonho permanecerá um sonho, fora do âmbito da realidade. O mundo gira, mas a terra permanece, exceto por um deserto de sonhos quebrados, aterradoramente esmagados pelo Estado. Queixas genuínas silenciadas pela conformidade de burocracias omnipotentes.
Eles não têm a capacidade intelectual ou a paciência para ler as obras de Hegel ou Kant, mas o seu espírito de arrogância fatal, a evasão propositada dos factos objetivos para continuarem as suas políticas desastrosas, origina-se na noção idealista de que a realidade está separada da nossa consciência – o mundo fenomenal -, fornecendo-lhes balas de festim para prosseguirem o seu assalto à propriedade privada. O chamado complexo de superioridade do esquerdismo assenta na ideia de que apenas eles são os detentores da Gnosis (conhecimento) que lhes permite ditar a vida de todos.
Eles negarão a miséria do comunismo e do nacional-socialismo, negarão toda a morte, sofrimento, genocídios e massacres inteiros de pessoas para manterem as suas crenças de conto de fadas. Comunistas que louvam a pobreza e o sacrifício enquanto se afogam em ganância. Embora o sangue não tenha sido derramado no ano fatídico de 1975 graças aos comandos de Coronel Jaime Neves, o que está a acontecer em Portugal, e de facto, a um ritmo heterogéneo por todo o mundo ocidental, é uma decadência cultural e uma desintegração civilizacional que conduz à queda da liberdade e o desaparecimento dos nossos valores judaico-cristãos.
O progressista abstém os seus seguidores de derramar sangue uns sobre os outros, pois quase nunca divergem dos ideais e objetivos, apenas dos métodos; nunca antagonizando, mas antes direcionando a sua raiva para o pai, Deus, o designador da lei natural e toda a hierarquia da sociedade. Sorriem com os punhos cerrados, fingindo empatia. Nunca pensam no bem-estar humano, optando sempre pela sua destruição para erguer o novo homem. A alerta dada por Eric Voegelin para não imanetizar a escatologia na (ir)realização das utopias.
Ser de direita é fazer o que é certo, mas o Estado não faz nada certo. Como costumo dizer, a direita está certa, a esquerda está errada. Estes últimos estão sempre coerentes, sim, de uma ideologia filosoficamente incoerente. Na direita zelamos não só pelos factos, mas também pela paz e principalmente, por amor.