Há sensivelmente 12 anos, numas eleições ultra disputadas e polémicas, o Partido Socialista venceu as Autárquicas em Sintra, engrenando vigorosamente uma marcha-atrás que nos deixa um saldo francamente negativo.
Se muitos na altura acreditaram que a experiência do candidato socialista, um homem que fez parte da história do Portugal pós-25 de Abril, seria uma mais valia, a verdade é que, 12 anos depois e em fim de ciclo, um Concelho que em 2008 foi distinguido com o Prémio Cidades Limpas tem hoje nas zonas urbanas ratazanas a conviver alegremente com a população e o total abandono da manutenção do espaço público a que foi votado permite em alguns locais rivalizar com as mais afamadas favelas sul-americanas.
Sintra é hoje frequente alvo de chacota face aos habitantes dos concelhos vizinhos, vista erradamente como o parente pobre da área metropolitana de Lisboa, mas os Sintrenses não merecem menos, nem são menos capazes. Sintra não tem menos recursos do que o outro, antes pelo contrário, apresenta uma saúde financeira louvável (e aqui há que saudar o trabalho feito, mas simultaneamente sublinhar o investimento que ficou por fazer). Sintra é património mundial, classificação atribuída pela Unesco, mas os Sintrenses têm dificuldade em visitá-la. Sintra tem algumas das praias mais belas do mundo, mas os Sintrenses têm mais facilidade em deslocar-se às praias dos concelhos vizinhos. Sintra é um dos concelhos com mais jovens do país, mas as infraestruturas existentes para a promoção do desporto são paupérrimas. Sintra é extraordinária para passear, mas os seus habitantes têm medo de andar na rua à noite.
Estes condicionalismos não nos forçam, no entanto, a uma vida resignada. Esta estagnação e degradação não nos obriga a viver de joelhos e de mãos estendidas, agradecendo ao Partido Socialista ou aos seus companheiros marxistas, uma qualquer festarola anual ou a transmissão de um programa de variedades nos canais generalistas da televisão portuguesa.
Os Sintrenses merecem acreditar que é possível fazer mais, diferente e melhor, deixando de lado os óculos daqueles que veem o mundo com as lentes do século XIX, quando já caminhamos a passos largos para o fim da primeira metade do século XXI.
Chegou a hora de acreditar, chegou a hora de nos levantarmos e trabalharmos para um futuro melhor, chegou a hora de fazer diferente, chegou a hora de fazermos de Sintra um Concelho de que nos orgulhemos de deixar aos nossos filhos.
Troquemos o pão e circo pela determinação e liberdade, determinação em resolver o problema do lixo acumulado, determinação em resolver os problemas de estacionamento e mobilidade, determinação em resolver os problemas de segurança que nos afetam a liberdade. Determinação em dar a qualidade de vida que a gente trabalhadora de Sintra merece.
Sintra não pode ser a confortável poltrona de políticos que encontram aqui um reconhecimento por parte do seu partido, pessoas que terão os seus méritos mas que necessitam de usar GPS para cá chegar, Sintra, deve ter alguém na sua condução que conheça as diferentes realidades do Concelho e as suas idiossincrasias. Que conheça as inúmeras forças das suas gentes mas também as suas dificuldades.
A Iniciativa Liberal, estou certo, terá capacidade para responder afirmativamente a este desafio.