Marcelo Rebelo de Sousa revelou recentemente, em visita que fez ao ISCSP, o seu desejo de que a onda liberal passe depressa, simultaneamente, aproveitou para tecer críticas ao sistema capitalista que governa nos países mais desenvolvidos do planeta.
De quando em quando, somos confrontados com este tipo de discurso, diria que com maior prevalência nos países mais atrasados económica e socialmente, afinal, a critica é fácil e o discurso simplista enquadra-se bem junto dos menos informados ou dos ressentidos da vida.
O capitalismo e o liberalismo têm pontos onde se cruzam, se o liberalismo defende a liberdade individual e o poder de cada um de fazer o que quer da sua vida, seja a nível familiar, social ou profissional, colocando o limite onde começa a liberdade do outro, já o capitalismo tem como objetivo a obtenção do lucro, o que cruzando com a vontade de quem pretende mais para si, exponencia a probabilidade de retorno para quem mais arrisca ou tenta fazer diferente.
Há, no entanto, que ter consciência que quem tenta fazer diferente, arrisca, e nem sempre a sorte protege os audazes, o risco muitas vezes aparece a cobrar a sua conta e nem sempre é meigo na altura de pagar. Ora este risco causa desconforto a muitas almas que preferem o comodismo da previsibilidade, no entanto, o homem sendo tendencialmente ambicioso, deseja ter também o que vê o outro ter. Este é o motivo pelo qual os discursos coletivistas e anti mérito “vendem” tão bem, no fundo, não passam de uma desresponsabilização do insucesso individual, ou seja, colocar em terceiros a culpa das próprias dificuldades, velha tática usada por ditadores ao longo da história.
Convém, portanto, não esquecer 2 pontos:
– Em primeiro lugar, que com todos os seus defeitos o capitalismo foi o sistema económico que ao longo dos tempos mais pessoas retirou às garras da pobreza.
– Em segundo lugar que o liberalismo é o familiar mais direto do humanismo, que tem como princípio fundamental o bem-estar do individuo, pelo que, o discurso antiliberal que o acusa de desconsiderar os pobres e desvalidos, não tem qualquer ligação à realidade sendo a história prova disso mesmo.
Resta-nos então perguntar porque proferiu o Professor Marcelo tais palavras?
Num exercício adivinhatório, arrisco dizer que se deve ao recente veto da lei da desagregação das freguesias, pensando de forma calculista, esta decisão poderá não ser popular ao vetar as aspirações mais bairristas de milhares de portugueses, caindo este discurso como sopa no mel para a imagem que convém manter como grande defensor dos pobres e oprimidos.