Já lá vai o tempo em que o espaço da direita era tão indefinido que se determinava pela não-esquerda. Acabou quando algumas das maiores democracias do mundo euro-americano, como os Estados Unidos, o Brasil e a Itália, elegeram presidentes e governos de direita nacional e conservadora. E quando em todos os países da União Europeia (com excepção de Portugal e da Irlanda) passou a haver partidos com representação parlamentar das várias famílias da Direita – da nacionalista radical à liberal conservadora. O facto de estas direitas lutarem entre si é sinal de vitalidade e de que o espaço que a Direita agora ocupa é já suficiente para que nele caibam famílias politico-ideológicas variadas e até hostis.

A tentativa de expulsão do Partido Popular Europeu (PPE) do Partido FIDESZ, de Viktor Orbán, apesar de se ter saldado numa suspensão condicionada a um mea-culpa do sancionado, tem o mérito de dar visibilidade à guerra civil que se instalou entre as famílias da Direita. O confronto aqui é entre dois importantes ramos, cujas tensões são concretas: o nacional-conservador identitário e o liberal federalista-europeísta.

Na reunião da Assembleia do PPE, Joseph Daul, presidente da internacional popular, acabou por convencer os delegados a votar uma solução de compromisso, que suspendesse o FIDESZ em vez de o expulsar, dando-lhe oportunidade de continuar no grupo mediante o cumprimento de algumas exigências.

Uma guerra antiga

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