O século XXI trouxe uma redefinição da nova ordem mundial. Se o mundo pós-Guerra Fria se desenhou numa espécie de glorificação do modus de vida do Ocidente. O mundo com as suas constantes reviravoltas, tende, hoje, a voltar-se para o Oriente. A China entrou à séria na corrida deixando os EUA, a Europa e a Rússia como meros espetadores. Tem avançado com uma jogada bem típica: paciência e subtileza.

Pode, desde logo, ver-se no desenho pacifico da “Nova Rota da Seda”. Uma estratégia internacional criada pela China, oficialmente chamada de Belt and Road Initiative – BRI, lançada em 2013 pelo presidente Xi Jinping. Com o objetivo de levar a China por mares nunca antes navegados. Melhor, espalhar as conexões comerciais e de infraestrutura entre a China e dezenas de países da Ásia, Europa, África e Oriente Médio.

Se outrora a referência à “Rota da Seda” aludia à antiga rede de rotas comerciais que, durante a Idade Média, ligavam a China ao Mediterrâneo, onde eram transportadas mercadorias como seda, especiarias e porcelana. A nova versão dessa rota não assenta apenas em mercadorias, assenta também em infraestrutura, tecnologia e até energia. A China a espalhar a sua mensagem comercial aos 4 ventos. Explorando territórios que até então têm estado longe dos holofotes do Ocidente.

Podemos dizer que esta iniciativa é dividida em duas partes: a terrestre Silk Road Economic Belt, onde estão alicerçadas as conexões ferroviárias, estradas e oleodutos que passam por países da Ásia Central até a Europa; e a rota Marítima da Seda 21st Century Maritime Silk Road que liga os portos chineses com portos da África, Sudeste Asiático e Europa.

Com toda esta movimentação a China consegue assim uma grande expansão económica o que lhe facilita as exportações e importações em múltiplos mercados. Aumentando assim, a sua influência no xadrez mundial, pois ganha aliados e também reféns políticos e económicos. Claro está, que todo este financiamento de projetos cria dependência económica. Por último, e não menos importante a China garante que se posiciona como líder no âmbito da segurança energética pois, cria rotas seguras para o transporte de petróleo e gás.

Um plano perfeito para monopolizar e criar uma vassalagem à China em grande escala! Economias de pequena escala estão armadilhados por empréstimos difíceis de pagar, ficando acorrentados à China durante décadas. Apesar, de algumas vozes se erguerem a China continua a avançar num dos projetos mais ambiciosos da história moderna e que vai moldar a história deste século. Para a China, é uma forma de garantir uma posição dominante no cenário internacional. Para outros países, é uma oportunidade — mas também um desafio estratégico.

Enquanto o mundo discorre sobre posicionamentos ideológicos, a China avança na sua estratégia a velocidade de cruzeiro, haverá o momento em que todos vamos perceber a nossa dependência das cadeias de produção chinesas… aí será já muito tarde, em especial para a Europa.