O candidato cabeça de lista do PS às Europeias é um claro erro de casting. Trata os debates eleitorais como as suas idas ao parlamento quando era ministro: vem com uma cassete para passar mensagens gastas e com um casse-tête para atacar os adversários. Para além disso não aparenta ter qualquer ideia do que vai fazer a Bruxelas. O programa que Pedro Marques apresentou tem duas partes. Uma é um conjunto de medidas que o Parlamento Europeu já está a discutir ou que até já foram aprovadas, como é o caso do programa de investimento europeu que já existe e se chama InvestEU. A outra é uma cópia do programa do Partido Socialista Europeu, ignorando que as prioridades portuguesas não são as mesmas dos países que estão no coração da Europa.

O Primeiro Ministro lá vai tentando apoiar aparecendo ao lado do candidato, mas às vezes os tiros vêm mesmo do lado do PS. Esta semana, foi do lado das Finanças. Tudo isto porque o ministro Centeno começou a legislatura a tentar fazer a quadratura do círculo, isto é, a prometer que ia virar a página de austeridade e ter contas certas, e está a acabá-la a fazer a circulatura do quadrado, fingindo que não é verdade o que entra pelos olhos de todos adentro: que os portugueses nunca pagaram tantos impostos para terem níveis de investimento diminutos e serviços públicos arrasados.

Para esta tarefa impossível, o ministro convoca a sua capacidade criativa para ir buscar indicadores parciais e mais ou menos obscuros tentando provar qualquer coisa que lhe seja favorável. Mas nesse afã vai dando tiros nos pés.  Esta semana o Ministério das Finanças divulgou uma nota que decompõe o investimento público por tipo de financiamento: nacional, isto é, Orçamento do Estado, e fundos europeus. O objetivo é mostrar que o esforço do Governo, através do Orçamento do Estado está a aumentar.

Tudo isso é certo. Mas o gráfico também evidencia que as cativações históricas do Ministro das Finanças arrasaram o investimento público em 2016. Isso é a grande explicação para o facto de o investimento público em euros em 2018 continuar abaixo do nível de 2015. Mostra ainda que a execução dos fundos europeus para investimento público está muito abaixo dos níveis do anterior Governo.

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Fontes: Ministério das Finanças e cálculos próprios para alternativa de 2018 (última coluna)

Ronald Coase dizia que se torturarmos os dados durante tempo suficiente eles confessam. E de facto, de uma pincelada só, o ministro Centeno com este gráfico inadvertidamente confessa que com as suas cativações recorde no princípio do mandato ele foi um dos principais responsáveis pelo desastre de atuação de Pedro Marques enquanto ministro das infraestruturas. Por outro lado, foi incapaz de sequer de executar os fundos que vêm de Bruxelas.

O ex-ministro Pedro Marques, por si só, já é claramente um elemento desfavorável para a campanha do PS às Europeias. É desnecessário ter ainda um camarada a desferir-lhe mais golpes.

Deputada do PSD