Se algum de nós nunca se emocionou depois de ver um anúncio de Natal, então não é humano. Às vezes até damos por nós a pensar, mas porque é que estou a chorar, se isto é apenas um anúncio? A verdade é que a publicidade no Natal segue regras próprias e existem segredos, que quando bem aplicados, podem tornar um filme de poucos segundos num clássico inesquecível.

O ano de 2020 foi um ano muito desafiante para todos. As pessoas tiveram que mudar as suas rotinas, adaptar-se rapidamente ao digital e reduzir ao mínimo o contacto social. As marcas também tiveram de adaptar a sua comunicação, pois não só muitas delas reduziram drasticamente os seus orçamentos, como também num ambiente constante de notícias negativas é difícil sobressair e captar a atenção dos consumidores.

Por isso, neste Natal, algumas empresas deram o seu máximo para conseguirem tocar os consumidores e criarem um capital de carinho que poderá não se traduzir necessariamente num aumento do consumo, mas certamente num aumento da notoriedade e perceção positiva das suas marcas.

O segredo número um para um bom anúncio de Natal é utilizar a jornada do herói – uma estrutura para contar histórias -, à qual o ser humano não resiste desde que se reunia à volta da fogueira para passar conhecimento de uma geração para a seguinte. No fundo, o herói, que é uma pessoa comum, tem que passar por uma série de provas e obstáculos até à vitória final, na qual ele percebe que já não é o mesmo e que foi o caminho que o fez crescer e superar-se. Os melhores exemplos são os anúncios da Coca-Cola, da Amazon, da McDonald’s do Reino Unido, da Doc Morris alemã e da nossa Bertrand, que este ano fez um anúncio com impacto mundial, tendo sido referenciado pelo New Zeland Herald no top 10 mundial.

O segredo número dois é a inspiração, ou seja, despertar em nós o desejo de sermos melhores, de dar o máximo de nós próprios e de fazer o bem, o que nesta altura faz ainda mais sentido. Os anúncios que são os melhores exemplos disso são os da Doc. Morris alemã, da Amazon ou da Vodafone Portugal.

O segredo número três é despertar em nós emoções. Este é, sem dúvida, o ingrediente que faz a diferença entre um anúncio normal e aquele que fica no imaginário das pessoas para sempre. E não é tão fácil como parece, porque é difícil fugir dos lugares comuns, ou colocar atores a chorar como fazem os anúncios da Bradesco Seguros ou da NOS deste ano, que são maus exemplos. Os melhores neste capítulo são mesmo os da Vodafone Portugal, da Bertrand e da Doc. Morris alemã.

O segredo número quatro, que ajuda a levar ao expoente máximo a emoção, é a música. A música permite reforçar o storyline subjacente, construindo um estado de espírito, preparando-nos para o clímax e a terminar num culminar de emoções. Para além da música em si, é importante que a letra subjacente reforce a história e o estado de espírito. Os melhores exemplos disso são os anúncios da Amazon, da McDonald’s do Reino Unido e o anúncio de Natal do Unibanco.

Na minha opinião, o anúncio do Unibanco é mesmo o melhor anúncio de Natal português deste ano, pois assenta numa melodia muito bela, composta e cantada pela Bárbara Tinoco, que fica no ouvido. Consegue transportar-nos para Natais em família e até criar nostalgia associada a um produto financeiro, o que é muito difícil de fazer. Ao contrário da maior parte dos anúncios que partem de uma música familiar e a adaptam, este cria mesmo de raiz uma música, que a Bárbara Tinoco poderia perfeitamente cantar num dos seus concertos ou passar na rádio. Todo o plano de meios que envolve meios tradicionais e influencers faz também com que esta seja, na minha opinião, a melhor campanha nacional deste Natal.

Mas, melhor do que a teoria é ver na prática, no link seguinte, os melhores anúncios de Natal de 2020.