Sempre que existe alguma alteração na nossa rotina, precisamos de um tempo para nos adaptarmos. Quando esta alteração nos é imposta por uma ameaça invisível (se compararmos com uma tempestade) como é o caso do coronavírus, é natural que comecemos a sentir ansiedade, medo, tristeza, depressão, raiva, entre outros.

O que é importante nesta altura é munirmo-nos de ferramentas que nos ajudem a manter todas estas emoções sob um certo controle. Caso contrário, convém procurarmos ajuda profissional especializada como um psicólogo ou psiquiatra o mais cedo possível.

Por ser psicóloga e especialista em primeiros socorros em saúde mental, tenho sido chamada a falar sobre esta realidade em diferentes contextos e apercebo-me que o desespero está a aumentar junto de várias pessoas. Ou porque se tinha uma viagem marcada para ver os pais que já não se vê há mais de um ano, ou porque se tem um familiar internado no hospital ou a viver num lar e já não se pode dar-lhe o tempo e companhia que se desejava, ou porque já não se pode visitar o pai que está injustamente preso numa cadeia, ou porque o casamento e respectiva lua de mel que têm vindo a ser preparados há mais de um ano vão ter de ser adiados, ou porque os turistas cancelaram o alojamento local, as visitas guiadas, ou a organização foi forçada a cancelar a conferência, o concerto ou a maratona que se andou a preparar ao longo de dois anos.

Ninguém lida bem com qualquer acontecimento que vá contra as nossas expectativas, mesmo em alturas de não pandemia. Desde a criança que tem de cancelar a sua festa de anos porque ficou doente, ao casal que tem de cancelar as suas férias de Verão para as quais trabalharam um ano inteiro porque têm de cuidar de um familiar que sofreu um acidente, à pessoa que foi despedida pela empresa onde trabalhou 17 anos ou cujo cônjuge lhe acabou de pedir o divórcio após 20 anos de casamento.

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Qualquer uma destas situações causa stress e requer um processo de luto com todas as suas fases: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

Como podemos então manter as emoções sob um certo controle? Apostando numa rotina, continuando a dividir o nosso dia em 3: 8h de descanso, 8h de trabalho e 8h de lazer, mesmo que estejamos de quarentena em casa. Isto serve quer para os adultos quer para as crianças. Limpar a casa, cozinhar ou ler um livro em conjunto pode ser considerado trabalho quando não se pode continuar a estudar ou a trabalhar mesmo que online.