O que é hoje o PS, segundo resumo de António Costa no fim do congresso socialista? É tudo, e mais o seu contrário. O PS é contra a Europa, mas continua a ser pela Europa. Critica o euro, mas não quer sair do euro. Dá prioridade ao consumo interno, mas também às exportações. É “optimista”, mas vê “dificuldades”. É pela “mudança”, mas quer “estabilidade”. Praticou sistematicamente “reversões” de políticas, mas quer acabar com as “reversões” de políticas (pelo menos, no caso do previsto “Programa Qualifica”). É pelo “confronto”, mas através do “diálogo”. Está ao lado do PCP e do BE, comungando na mesma intensa “vontade de mudança”, mas é, com muita tranquilidade burguesa, um partido “social democrata moderado”.

Dir-me-ão: mas as atitudes dos congressistas eram mais claras, mais parciais, menos abrangentes: as assobiadelas que acolheram Francisco Assis, as palmas de pé a todas as críticas de Costa à política de refugiados da UE, a ovação apoteótica ao ministro da Educação. Sim, é verdade. Mas esses congressistas foram os mesmos que saltaram dos lugares para aplaudir freneticamente a promessa de um défice abaixo de 3%, como manda o “neo-liberalismo” europeu. Em suma, a questão não é saber o que o PS de António Costa é. A questão é saber se há alguma coisa que o PS de Costa não pretenda ser.

Uma última nota: para demonstrar a “unidade” do partido, Costa citou Francisco Assis. Quando até as divergências e as críticas, de resto ignoradas, já só servem para provar que o partido está “unido”, que mais se pode dizer?

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