Nunca falámos tanto em sustentabilidade como agora, nunca precisámos tanto de ser conscientes como agora e nunca tivemos tanta urgência em fazer boas escolhas no que toca à proteção ambiental como agora. O último alerta foi deixado pelo relógio Metronome, na Union Square, em Nova Iorque, quando substituiu horas convencionais pela contagem decrescente do tempo que o mundo tem para agir contra a crise climática. Segundo este cálculo, temos menos de oito anos para adotarmos hábitos mais sustentáveis e tornarmos o mundo um lugar mais saudável. A forma como utilizamos os recursos do planeta é determinante para o que virá a ser o futuro e é por isso que hoje quero falar sobre a economia circular.

Comecemos pelo princípio: a economia circular é uma alternativa sustentável à economia linear, já que o processo de produção e consumo envolve a partilha, reutilização e reciclagem de materiais e produtos já existentes, enquanto, no modelo linear, assume-se a disponibilidade ilimitada de matérias-primas. Assim, com a economia circular conseguimos uma utilização de recursos mais inteligente e sustentável, evitando desperdício e promovendo o seu uso contínuo.

Além da utilização dos recursos mais sustentável, a economia circular apresenta outras vantagens, nomeadamente uma menor dependência da importação, já que se reduz a procura de matérias-primas primárias e ainda garante aos consumidores e às empresas uma poupança líquida, uma vez que a reutilização torna os produtos mais baratos.

Na Europa, o primeiro “Plano de Ação para a Economia Circular” foi apresentado em 2015 e, no início deste ano, a Comissão Europeia adotou um novo plano que constitui um dos principais alicerces do Pacto Ecológico Europeu, o novo roteiro do velho continente para o crescimento sustentável. Este plano tem como primordial objetivo adequar a economia a um futuro ecológico, protegendo o ambiente e conferindo novos direitos aos consumidores.

Vivemos tempos desafiantes e temos o dever e a responsabilidade de encontrar respostas em forma de ações. O caminho já começou: sabemos que a Comissão Europeia vai propor uma nova legislação que garanta que os produtos colocados no mercado da UE sejam concebidos para durar mais tempo e sejam mais fáceis de reutilizar, reparar e reciclar. Para além disso, os consumidores terão acesso a novas informações sobre questões como a reparabilidade e a durabilidade dos produtos, a fim de os ajudar a fazer escolhas sustentáveis do ponto de vista ambiental. Por fim, será dada prioridade à prevenção da produção de qualquer tipo de resíduos e à sua transformação em recursos secundários de elevada qualidade a fim de garantir a diminuição dos resíduos.

As instituições europeias acreditam que a economia circular trará benefícios também em termos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e de criação de emprego, com estimativas de que as medidas em matéria de economia circular gerem, até 2030, um aumento adicional de 0,5% do PIB da UE e cerca de 700 mil novos postos de trabalho.

Por cá, também estamos a dar passos importantes neste caminho. O atual enquadramento político para a economia circular – o “Plano de Ação para a Economia Circular em Portugal” – tem por objetivo definir uma estratégia nacional para a economia circular assente na produção e eliminação de resíduos e nos conceitos de reutilização, reparação e renovação de materiais e energia.

Por tudo isto, e pela urgência em criar hábitos sustentáveis que previnam o mundo de uma rutura no que toca aos recursos disponíveis, a economia circular tem de deixar de ser a alternativa à economia linear para ser a primeira opção no que diz respeito aos modelos de produção e consumo. O Comissário do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius, garante que, em 2050, o mundo vai consumir como se houvesse três planetas e, neste contexto, só me resta sublinhar o que defendeu o vice-presidente do Pacto Ecológico Europeu, Frans Timmermans: “Se pretendemos alcançar a neutralidade climática até 2050, preservar o nosso ambiente natural e reforçar a nossa competitividade económica, temos de criar uma economia totalmente circular.”