A recente pandemia tem evidenciado o profundo desconhecimento que existe em relação à evolução, às possíveis mutações e às dinâmicas de severidade e contágio do Covid19, mas, entretanto, têm surgido vastos dados estatísticos que permitem estimar evoluções e assimetrias regionais.

Ora, atendendo a que surgem propostas visando a diferenciação regional das medidas de desconfinação julga-se útil comparar as incidência regionais pelo que, a partir dos dados disponibilizados diariamente pela DGS no Relatório de Situação – Covid19 relativos às regiões NUTS II, estimaram-se os índices de infeção por região (nºs de infetados divididos pela população residente),  os quais se podem considerar como proxy da probabilidade de cada cidadão ser infetado, obtendo-se:

  • Portugal Continental: 2,7 por mil habitantes
  • Sul (Alentejo e Algarve): 0,5 por mil habitantes
  • Região Centro: 1,5 por mil habitantes
  • Área Metropolitana de Lisboa (AML): 1,6 por mil habitantes
  • Região Norte: 4,3 por mil habitantes

sendo também possível estimar o valor para a Área Metropolitana do Porto a partir dos dados dos concelhos disponibilizados no relatório

  • Área Metropolitana do Porto (AMP): 4,9 por mil habitantes [1]

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sendo bem evidentes as profundas assimetrias não só entre a região mais afetada (AMP) e o sul pois a probabilidade infeção nesta é cerca de 10 vezes menor mas também entre AMP e AML pois a razão também é de quase 1 para 3.

Ao analisar a distribuição concelhia em AML e AMP também é interessante identificar padrões de disparidade diversos.

Na verdade, na AMP, os valores mais elevados não estão na cidade do Porto (5,3 por mil) mas sim em Matosinhos, Maia, Vale de Cambra e Valongo (entre 5,7 e 7,4).

No que respeita a AML, Lisboa tem o máximo com 2,9 por mil, ou seja cerca de metade do índice da cidade do Porto e os outros concelhos  seguintes estão na margem norte do Tejo (Sintra, Odivelas, Cascais, Amadora e Loures) com índices entre 1,7 e 2,1 por mil. É ainda muito interessante observar que os menores valores estão na margem sul variando entre 0,3 por mil em Palmela e 1,4 em Almada ficando  os restantes sem ultrapassar 1,4 por mil ( Setúbal- apenas com 0,5 por mil-, Alcochete, Moita, Seixal e Barreiro). Em suma, mesmo áreas urbanas ligadas por fortes movimentos pendulares como Lisboa e Almada apresentam grande variação, neste caso de 1,4 para 2,9 e cidades populosas como Setúbal identificam-se com o Sul e não com AML.

Outras análises não menos úteis poderão ser desenvolvidas quando o Minitério da Saúde disponibilizar outra informação essencial tal como a distribuição das fatalidades por concelho, mas estes resultados permitem concluir desde já existirem evidências estatísticas que justifiquem medidas de desconfinamento diferenciadas regionalmente.

[1] O índice calculado para a AMP refere-se apenas ao total de notificações clínicas no sistema SINAVE em cada concelho, estando assim subestimado em relação aos valores totais relativos às regiões NUTS II apresentados diariamente no Relatório de Situação.