No dia 3 de dezembro assinala-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, um momento para refletir sobre a forma como estamos a promover a participação plena destas pessoas na sociedade. A integração no mercado de trabalho continua a ser uma das áreas onde persistem desigualdades significativas, apesar dos progressos registados.
A perceção que persistem dificuldades e falta de oportunidades para pessoas com deficiência ou incapacidade estarem ativas no mercado de trabalho é confirmada pelos dados disponíveis, recolhidas por entidades da esfera pública. Segundo o relatório Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2024, a taxa de desemprego entre pessoas com deficiência (14,7%) mantém-se muito acima da verificada na população sem deficiência (9,1%). Em 2024, dados do IEFP mostram que apenas pouco mais de mil pessoas com deficiência inscritas como desempregadas conseguiram colocação, representando 5% do universo de cerca de 15 600 pessoas registadas. Também a sua presença no mercado de trabalho continua reduzida: 0,72% nas empresas privadas com mais de 10 trabalhadores e 3,2% no setor público.
Neste contexto, a formação assume um papel determinante. É um instrumento essencial para reforçar competências e aumentar a probabilidade de integração. Preparar equipas, adaptar métodos de trabalho e promover abordagens centradas na pessoa são condições fundamentais para garantir oportunidades reais e sustentáveis.
Na GIRA, instituição fundada em 1995 com a missão de promover a reabilitação e inclusão de pessoas com doença mental, acreditamos que a doença mental não limita o potencial de cada indivíduo. A experiência mostra que, perante oportunidades adequadas, estas pessoas revelam capacidade, motivação e vontade de contribuir para a sociedade.
Através de parcerias sólidas, temos promovido o acesso à formação e à inserção profissional, passos essenciais para o aumento da autonomia, autoestima e participação social. Uma dessas parcerias é com o Programa Incluir, do Grupo Jerónimo Martins, que desde 2015 tem desempenhado um papel fundamental na criação de oportunidades. Este programa distingue-se não apenas pelo seu lema — “não há pessoas sem capacidades; existem pessoas sem oportunidades” — mas também pela forma como atua no terreno: com foco na intervenção centrada na pessoa,️ com acompanhamento individualizado, e com grande disponibilidade das equipas técnicas para apoiar diretamente no posto de trabalho.
A equipa do Programa Incluir trabalha de forma próxima, flexível e colaborativa, garantindo que as adaptações necessárias são feitas para que cada pessoa seja integrada com sucesso. Esta postura tem sido determinante para os bons resultados alcançados — incluindo a integração de duas pessoas acompanhadas pela GIRA no mercado de trabalho nos últimos dez anos.
Os benefícios destas experiências são claros: melhoria dos sintomas psiquiátricos, aumento da autonomia, maior qualidade de vida e redução de internamentos. A nível comunitário, traduzem-se numa sociedade mais inclusiva, menos dependente de prestações sociais e mais aberta à diversidade.
É essencial continuar a combater estereótipos e a desmistificar a ideia de que as pessoas com deficiência ou incapacidade só podem desempenhar funções limitadas. Com formação adequada, apoio técnico de proximidade, diálogo e empatia, é possível transformar mentalidades e garantir que cada pessoa encontra o seu lugar no mundo profissional.