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Hack for Good: programar para ajudar

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Durante o último ano, membros da comunidade empreendedora e tecnológica juntaram-se a empresas, instituições e cidadãos num conjunto de meetups. Foi o ponto de partida para a maratona Hack for Good.

O mundo está cada vez mais global e a mudança é cada vez mais rápida. Em 2014, no ano em que o iPhone 6 foi lançado, foram fabricados mais transístores do que todos os existentes no mundo antes de 2011. O acesso à informação foi nos últimos anos democratizado. Um jovem em Lisboa ou em Ancara, desde que tenha um telemóvel e WiFi, tem possibilidade de ver a mesma informação que um milionário em Manhattan.

E cada vez há mais pessoas com acesso a tudo isto. Em 2010 éramos 1,8 mil milhões com acesso à internet, hoje somos quase 3,7 mil milhões. O número não vai parar de crescer com esforços de diferentes iniciativas como Facebook e Internet.org, Google’s Project Loon ou OneWeb. E estes novos utilizadores não têm ligações de internet lentas, como foi o caso para muitos de nós. Têm ligações rápidas, acesso ao Google, Cloud Storage, impressoras 3D, serviços Web, Inteligência Artificial, processos como o crowdfunding, crowdsourcing, entre outros.

Os Global Shapers têm vindo a trabalhar as áreas da inclusão através do Dia da Dignidade, ou do lançamento do capítulo local dos Techfugees que promoveu encontros e discussões sobre como a tecnologia pode ajudar a resolver problemas relacionados com a crise dos refugiados que se intensificou nos últimos anos. Durante o último ano, membros da comunidade empreendedora e tecnológica juntaram-se a empresas, instituições e cidadãos num conjunto de meetups que passaram por cidades como o Porto, Coimbra, Braga, entre outros. Foi este o ponto de partida para o Hack for Good, uma maratona de programação em que vários shapers participaram com o objectivo de desenvolver soluções tecnológicas para ajudar os refugiados.

Esta iniciativa, desenvolvida pela Fundação Calouste Gulbenkian e que contou com a colaboração do Techfugees Portugal, juntou no último fim de semana de Junho mais de 150 pessoas distribuídas por 35 equipas numa atitude de colaboração para conceber soluções tecnológicas para problemas que possam ter impacto positivo para os refugiados.

Nas 36 horas do evento esboçaram-se plataformas tecnológicas e escreveram-se muitas linhas de código, mas esta foi sobretudo uma oportunidade de aproximar as entidades responsáveis pelas migrações em Portugal. Sentindo na primeira pessoa as dificuldades de alguns dos refugiados através de conversas informais ou trocando impressões com membros dos alto comissariado para as migrações (ACM), a comunidade tecnológica procurou criar soluções com impacto.

Desde a ideia vencedora que liga médicos voluntários a pacientes refugiados usando uma plataforma de messaging que assegura a tradução a uma plataforma que permite promover a inclusão através da partilha e diálogo cultural num ambiente familiar e “à mesa”, ou tantas outras que tocam a preocupação da língua ou da inclusão no mercado de trabalho, as soluções desenvolvidas nesta maratona são um exemplo do potencial da tecnologia.

De forma geral, a tecnologia vem automatizar processos e torná-los escaláveis. Um bom exemplo é a partilha de refeições já implementada através da iniciativa “Família do Lado”, promovida em Portugal pelo Alto Comissariado para as Migrações e que permite que uma família receba em sua casa uma outra família que não conheça, constituindo-se pares de famílias – uma migrante ou refugiada e outra autóctone (ou vice-versa) – para a realização de um almoço convívio num dia específico do ano. A operação desta iniciativa ainda é manual e desta forma pode ser automatizada e alargada a outros eventos ou geografias, potenciando esta metodologia de inclusão social em qualquer momento ou em eventos especiais como almoço de Páscoa, jantar de Natal, Ano Novo Chinês, Aid el fitr, entre outros, num formato original de puro diálogo intercultural.

Nunca tivemos uma oportunidade e tantos recursos para mudar positivamente o mundo. Anteriormente, só os privilegiados tinham a oportunidade de mudar para melhor a vida dos outros, hoje, graças à tecnologia, somos muito mais.

Hugo Menino Aguiar é co-fundador do www.speak.social, co-fundador e presidente Associação Fazer Avançar e mentor de projetos sociais. Foi reconhecido pelo Insead como um dos jovens empreendedores sociais com mais potencial em Portugal e pela UNAOC como um dos mais promissores na região EURO-MED. Formou-se em engenharia informática na Universidade Nova de Lisboa onde foi professor assistente e trabalhou na OutSystems e na Google.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre a inovação social. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.

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