Os Moçambicanos evocam hoje, 25 de Junho, o Dia da Independência. Embora o regime dinamize uma celebração e a independência seja causa comum de que todos se orgulham, o povo não encontra razões de júbilo. Se externamente existe independência, internamente inexiste liberdade. Há 50 anos o povo de Moçambique emancipou-se institucional e formalmente. Mas, na realidade quotidiana, há demasiadas dependências. Não daquelas que perduram dos tempos coloniais, mas criadas pelo próprio regime. Algumas passam por incompetência, mas tudo deriva de conveniências. Internamente as eleições não passam de momentos teatrais, que o regime lá vai cumprindo cronologicamente. O regime clama democracia, mas o povo vive o autoritarismo. Se o povo reclama, a repressão cilindra. Com violência, demasiadas vezes fatal. Enquanto o regime clama a independência nacional, o povo de Moçambique sente o peso das dependências externas no orçamento do Estado. Sente porque vive na pobreza. Ressente-se porque vê os frutos das suas riquezas naturais ser sugado por uma elite alcandorada no poder que vai sentindo respaldo em actores internacionais.

Independência, dizem eles.

Não surpreende, quem conhece ou se dedica a conhecer o percurso destes 50 anos de Independência, que muitos moçambicanos que se têm oposto ao regime, afirmem que a Frelimo é um novo colonizador, com mais autoritarismo.

50 anos depois o povo de Moçambique deseja e merece a sua independência.

Um bravo povo formado por diversos povos, constituído por tantas nuances, que sempre viveram e conviveram. Os Macuas, os Senas e os Tsongas. Os Macondes e os Chopes. Neles e entre eles, os católicos e os muçulmanos. E os animistas. Que interagem em português ou numa profusão de dialectos. Ou em criações numa espécie de anglicismo, como quando se tratam carinhosamente por “Brada”. Um bravo povo que ao fim de 50 anos a perder tanto, agora perdeu também o medo.

E aqui de Portugal deve ter o nosso apoio. Um apoio que não ignora os laços fraternos que nos unem. Mas um apoio sem traumas pós coloniais. Um apoio assente no respeito. O que o povo de Moçambique deseja e merece é que de Portugal a bússola aponte sempre para a verdadeira independência. Aquela que tem democracia e liberdade em todas as dimensões da sua vida.