Não há dúvida que vivemos tempos interessantes, dinâmicos, extraordinários1, de mudança2 constante3, sem fronteiras. Ou, dito de outro modo, tempos em que até as fronteiras deixaram de funcionar como até há pouco se pensava que funcionavam e deviam funcionar, e parecem ter ganho novos significados e funções.
Minneapolis, MN: militantes4, homens com cabeça e cara tapada com panos pretos, que fazem lembrar burkas, só deixando uma fresta para os olhos,A guardam uma barricada numa rua de um pacífico bairro. Os carros e os pedestres são parados e revistados e, exceto para membros de certas etnias, é preciso mostrar a identificação pessoal para passar. Com que autoridade o fazem? A dos próprios. Com que objetivo? Protestar contra a existência de fronteiras, contra a sua fiscalização, e impedir a passagem de funcionários públicos da Immigration & Customs Enforcement, vulgo ICE5, um organismo do Ministério de Segurança Interna local (Department of Homeland Security). Um perfeito exemplo de como erguer fronteiras para combater fronteiras. Mas serão as fronteiras uma coisa má?
Até recentemente uma fronteira era uma linha imaginária entre duas nações, explicita ou implicitamente aceite por dois soberanos inconstantes e sempre temporários, que separava um conjunto de direitos e deveres fictícios de um lado dos direitos e deveres ilusórios do outro. Raramente havia nelas muros de tijolo, barreiras de ferro ou madeira, ou até linhas vermelhas6 pintadas no chão, embora se pudessem ocasionalmente ver portões e guichets instalados onde os governos gostariam que o tráfico de mercadorias e pessoas se realizasse: os postos fronteiriços7. É verdade que em sítios exóticos, para defender o ecossistema warxista da extinção natural a que está sujeito, havia cortinas de ferro e de bambu, que se pretendiam intransponíveis, em redor de certas reservas socialistas. Mas estas cortinas não existiam no nosso mundo, graças a Deus, até o sr. Presidente Trump aparecer.
Note-se ainda que até ao início da Primeira Guerra Mundial não era preciso passaporte ou cartão do cidadão para atravessar legalmente uma linha imaginária8. Os passaportes eram então usados basicamente pelos membros do corpo diplomático; as pessoas normais, incluindo Ramalho Ortigão e Antero Quental, essas passeavam pela Europa sem qualquer documento oficial e outras mais afoitas até se aventuravam legalmente pelas Africas, Américas e Ásias sem passaporte. Tudo mudou com o desastre que foram a Grande Guerra e a Liga das Nações. A burocracia internacional na altura nomeada, de pendor estatista e socialista, começou então a insistir que os países membros adotassem passaportes e postos fronteiriços, com as previsíveis consequências de longo prazo: filas intermináveis nos aeroportos de Lisboa e Luanda. É uma história curiosa, mas como é longa, fica para outro dia.
Mas o que é interessante é que, durante as últimas duas décadas, muito mudou como as fronteiras são percecionadas. O novo modelo terá sido adotado quando o sr. Presidente Obama trumped-up9, muito audível e publicamente, o estabelecimento de uma fronteira clara e visível, apelidada então de “linha vermelha”.B Este episódio tornou claro, não só para todos os ditadores socialistas mas também para massas por eles exploradas, a vacuidade dos conceitos ‘fronteira’ e ‘intransponível’. O modelo depois também foi replicado na Europa, nos vários países que ainda a compõem, sob a direção da sra. Merkel, Costa & AssociadosC, e nos Estados Unidos pelos sr. Presidentes Biden & Trump, se bem que em campos diferentes.D
Chegamos assim a uma situação em que as fronteiras são vistas por uns como uma estrutura de violência y repressão, exploração, exclusão y colonialismo, algo de sistémica y intrinsecamente mau que necessita de ser abolido e que são consideradas, por outros, como um instrumento10 essencial à preservação da soberania & ordem, identidade, defesa & coesão das comunidades e nações, algo de natural & inerentemente bom. Ambas as visões parecem ignorar o facto que sendo as fronteiras, todas as fronteiras, um instrumento, não são nem intrinsecamente nem boas nem más. A sua bondade, como a de qualquer instrumento, a de um bisturi por exemplo, depende da bondade do seu uso. As fronteiras, tal como os bisturis, podem ser para o mal ou para o bem.
Assim, as fronteiras são boas quando são bem usadas, por exemplo para impedir a entrada de malfeitores, e são más quando mal usadas, por exemplo para impedir que alguém que tem direito a entrar, ou porque é cidadão, ou porque merece o nosso acolho & defesa, possa entrar. E o que é que o mau uso de um instrumento implica? Que haja uma ou várias pessoas que queiram fazer algo de mau, por exemplo negar um direito a outrem. Mas quem é mau, o instrumento ou quem o usa mal? A resposta correta é: quem o usa mal.
Voltando a Minneapolis: são as barricadas boas ou más? Para responder precisamos de saber para que estão a ser usadas. É para impedir a entrada de funcionários públicos que têm direito a passar? Então estão a ser mal usadas. Mas não são elas que são más: são os militantes que, pelo mau uso que delas fazem, são de facto os maus da fita (e não as barricadas em si). E, dando agora um pulo a S. Bento: a linhas vermelhas lá postas estão a ser usadas para um fim bom ou mau? Se for para proteger alguma coisa boa (o quê?) serão boas, mas se forem aplicadas para negar um direito a alguém, então, serão más, ou mais precisamente, quem as usa está a ser Mao.
Us authores, qe se identificam comu pluralidade masculina, nãu seguen as regras da graphya du nouvo AcoRdo Ørtvgráphyco. Nein as du antygu. Escreven coumu queren & lhes apetesse.
A. As burkas, quando usadas nun contexto revolucionária e encaradas numa perspetiva internacionalista da luta de classes, são uma legitima apropriação não só cultural, mas também transsexual e que não corre o risco de faltar ao respeito a nenhuma religião e também não constituem violência colonialista pelo patriarcado branco-warxista; mais: a apropriação de uma peça de vestuário usada por mulheres de cor muçulmanas por homens brancos warxo-ateus é uma legitima nacionalização internacionalista de ativo cultural na defesa dos direitos das espoliadas.
B. Esta “linha vermelha” era uma fronteira que o guverno da Síria não poderia ultrapassar no que respeita ao uso de armas químicas. Era uma barreira alicerçada na sinceridade e determinação do sr. Obama e defendida pelo poder militar americano. Mas quando o governo do sr. Presidente Baxar al-Assad atravessou essa linha, com desplante e sem passaporte, o sr. Obama fez vista grossa, permitiu-lhe a passagem, deixou-o matar milhares de civis indefesos e, de certo modo, até deu asilo político às suas políticas genocidas, um episódio que o sr. Presidente Obama considera hoje que foi “não um falhanço”, mas “um momento de orgulho”.
C. A Convenção de Schengen, de 1990, estabeleceu regras claras para o controlo da entrada pelas fronteiras externas (ver Title II), e foi refinando-as até ao mais recente Código das Fronteiras Schengen(Regulamento (UE) 2016/399; ver especialmente º 5 e seguintes). No entanto, será que alguém desconhece que, sob a direção de Merkel, Costa & Associados, os direitos e deveres relativo à passagem fronteiriça e residência do lado de cá, estabelecidos pelas ditas convenções e regulamentos se tornaram em pouco mais que uma quimera?
D. Os srs. Presidentes Biden & Trump, que haviam sido, em tempos, membros moderados de Partido Democrático, ficaram definidos para a História pelas suas políticas fronteiriças. Biden, assim que chegou à presidência em 2021, adotou a perspetiva internacionalista da luta de classes dos radicais do seu partido, e sob esta orientação ideológica permitiu & subsidiou a entrada pelas ‘fronteiras’ de milhões de “indocumentados” 11, para estes se poderem deliciar com o racismo sistémico e a exploração capitalista a que lá seriam sujeitos — isto para além dos outros milhões que imigraram para os EUA cumprido a lei. Trump, por seu lado, tornou-se um populista12 & radical de direita assim que se desfiliou do Partido Democrata e entrou no Republicano—tal como aconteceria com nosso sr. dr. Ventura quando se desassociou do ps/d e se transferiu para o CHEGA. Um abolicionista e destruidor nato de fronteiras, Trump quando voltou à presidência em 2025 apertou, por um lado, os controlos fronteiriços e ordenou a agilização dos processos de deportação dos fora da lei, o que levou, quando há uma semanas lançou uma tempestade de ICE sobre Minneapolis, à criação das fronteiras em Minneapolis acima descritas. Por outro lado, o mesmo sr. Presidente também lutou incansavelmente por abolir inúmeras fronteiras: quer as entre o poder legislativo e o executivo, entre o setor empresarial privado e a setor público, e entre os EUA, o Canadá e a Groenlândia, entre outras.
- Extraordinário: algo de incomum ou raro tal como um homem honesto, uma mulher modesta, ou um governo português competente; extraordinários são os tempos em que vivemos, segundo uma opinião autorizada: “Vivemos um período extraordinário” (deputada do PS citada no Sol, 13 Fevereiro 2026, p.18)
- Mudança: na filosofia peripatética, alteração classificada em temos binários ou como progresso ou como corrupção; em Portugal, que já evoluiu do binarismo para o unitarismo, as mudanças que ocorrem quando o governo reúne e legisla são sempre classificadas como progresso—aquele progresso que resulta em nada mudar durante séculos: “Nada de novo neste panorama, a mesma trama: / People na rua continua todo à mama / Permanentemente em estado de alerta / À espera da altura certa numa porta entreaberta / …” Da Weasel, ou, como dizia o outro (Petr Stolypin), “everything changes every five to ten years but nothing changes in 200 years”.
- Constância: virtude de quem está enamorado dos defeitos e males atuais, a que se contrapõe a inconstância, que é o vício de quem quer os substituir por outros.
- Militante: funcionário de uma seita warxista, ambientalista ou islamista, que frequentemente se auto investe em e assume funções executivas, judiciais e policiais.
- ICE: matéria de deleite para xenófobos, ursos polares e pinguins, que todos os progressistas querem que seja derretida e cuja preservação nos polos e nos Alpes é consideram essencial por vários ambientalistas; a energia necessária para fazer ICE e o conservar no congelador, que todos os negacionistas do aquecimento global têm lá em casa, contribui de modo determinante para o aquecimento global.
- Linha vermelha: fronteira em que todos os postos de alfandega foram fechados de modo a não permitir qualquer movimento de pessoas e mercadorias entre os dois lados, apenas insultos e ameaças.
- Posto fronteiriço: repartição pública que permite a passagem após a apresentação dos papeis requeridos, que em culturas não eurocêntricas podem ser simplesmente certificados ao portador emitidos por um banco central respeitável, em que a passagem é feita por uma porta ou portão que abre passagem numa parede imaterial, deslocalizável, definida no papel, e que é denominada ‘fronteira’; buraco oficial numa barreira fictícia, tal como o equilíbrio orçamental (que deixa passar os déficits), a inclusividade (que não deixa passar alguns radicais e xenófobos) e a democracia (que não deixa passar radicais de direita — aqueles que são a favor da ereção de postos fronteiriços).
- Linha imaginária: instrumento teórico, de muita utilidade para o progresso da ciência geométrica e, na Tugolândia, da prática13 política; os srs. engs. Obama & Costa gostam de pintá-las vermelhas.
- Trumpedup: tipo de afirmação do Presidente Trump quando é elevada a uma potência superior a 2 pelos media; o elogio diário que a imprensa internacional faz ao sr. Presidente Trump; mentira descarada própria de autoridades de regimes comunistas e habitual a jornalistas warxistas.
- Instrumento: Implemento usado para levar a cabo um ato de opressão, como a foice, o martelo ou ainda os impostos que, segundo uma reputada economista “substituíram os lucros como instrumento mais poderoso no esbulho dos frutos do trabalho e na opressão dos trabalhadores” (Carlota Warx, Die Steuern, p. 879).
- Indocumentado: eufemismo para ilegal, eufemismo que surge da perspetiva de que para algo ser legal necessita de um documento emitido por uma repartição pública.
- Populismo: modo de ser de gestores, e de outros políticos, baseado mais no instinto que no raciocínio, ética ou bom senso.
- Prática: algo que agora é virtual; “Na prática, teoria e prática é o mesmo; na teoria, são coisas diferentes.” Padre Mário Centavo, Opera Omnia, vol. 6.