Devia ser inconstitucional o nojo “Lista de restaurantes sionistas confirmados a evitar em Lisboa!”. É este o estrume antissemita pontuado com a típica exclamação a traduzir ausência de neurónios que circula em algumas páginas de Facebook de gente que se apresenta como grandes defensores da liberdade, da democracia e afins, mas que têm a alma partida no contraditório existencial, seguem varridos e batem palminhas, com as duas manápulas, a regimes autoritários, déspotas, tiranos, repressivos, que executam homossexuais e mulheres servem para parir, obedecer e serem traídas.

Os carolas que se apresentam como advogados da humanidade aproximam-se da escória da civilização. Deviam ter vergonha na cara, mas para isso é preciso ter cara que transpareça dignidade, responsabilidade e bom senso, mesmo que seja do tamanho microscópico.

Miseráveis a lembrar a primeira ação coordenada pelo monstro nazi contra judeus na Alemanha, iniciada no Sábado 1 de Abril de 1933, o boicote a judeus teve a antropófaga preparação em listas do calibre do gangue que passeia com bandeiras, as quais, não obstante possam ser para alguns muito lindas, representam totalmente o oposto das ideias que agarraram com os dentes.

Poluindo a vista nos posts de figuras medievais, subentende-se, por exemplo, que o Irão – sim, o Irão –, respeita a liberdade de expressão. Parece que desrespeita, mas o que parece, não é. Uma mulher pode vestir o que quiser e lhe apetecer e não se arrisca a ser assassinada. País santo que diz a verdade, sempre a verdade, sobre a construção de bomba atómica, bomba essa que jamais seria ameaça à vida de Israel. O Hamas e o Hezbollah recebem armas, quiçá, do céu, dos céus. Não, não, o Irão não lhes dá, sequer, uma balinha. Terroristas? Ah? Outro erro. Resistentes? Os antissemitas preferem adjectivar com os pés.

Outra alucinação: os palestinianos gostam muito, muito, muito mesmo do Hamas. É Israel que mexe os cordéis para dividi-los e é Israel que publicita a promoção dos direitos LGBT apenas para desviar a atenção dos direitos humanos dos palestinianos. Na visão turva dos campeões do mundo obtuso, a 7 de Outubro de 2023, para serem francos, Israel estava a pedir algo do género: massacre. Vão ao médico e levem lucidez na veia.

O antissemitismo é uma doença do cérebro incurável, um mal que fica bem na bocarra de defecções nascidas humanas por erro da natureza. Mostram-se cadelas ofendidas quando são chamadas pelo devido nome: antissemitas. Não é de estranhar que entulhos da esquerda, da extrema-esquerda, dessa esquerda bipolar e inspirada no nacional-socialismo, elabore e repasse uma lista a incentivar ódio, numa rede social cujo proprietário é judeu. Emigrem para Teerão, Gaza ou Ramalah, lugares finos onde, com guerra ou sem guerra, a igualdade de género e a descriminalização da homossexualidade vivem nos cemitérios.