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Foi no sábado, quando regressava do Algarve, que ouvi no rádio a proposta do presidente da Câmara de Lisboa sobre a redução do preço dos passes dos transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Estava eu a achar tudo muito lindo, quando ouvi que Fernando Medina já tinha proposto ao governo que incluísse verbas para tal no Orçamento de Estado. Irritei-me imediatamente. Assim é fácil! Aposto que, nesses termos, qualquer presidente de câmara consegue fazer propostas fabulosas para a sua cidade. É preciso uma certa lata para vir com isto agora, quando, há dois anos, na altura em que foi anunciado que a Carris passava para a Câmara Municipal de Lisboa, mas que a sua dívida de centenas de milhões de euros ficava para todos os portugueses, foi-nos basicamente prometido que o Estado central não ia enterrar mais dinheiro nos transportes públicos de Lisboa. Diga-se, em abono da verdade, que eu estava predisposto para me irritar, dado que estava praticamente parado na auto-estrada, sob o calor de Grândola, por causa de um acidente. Nos dias seguintes, a irritação passou, mas a perplexidade com a lata do que Medina propôs, não.

Vamos por partes. Comecemos pela bondade da proposta de Medina. Eu vivo em Braga há 20 anos. Trabalhei em Lisboa menos de 6 meses (e morava em Corroios, na margem Sul). Portanto, objectivamente, a minha opinião sobre qual o melhor modo de melhorar a qualidade de vida dessa população é irrelevante, pelo que dou de barato que, para as pessoas dessa região, a melhor forma de se gastar umas boas dezenas de milhões de euros é essa.

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