Ontem, vários jornalistas pediram-me a leitura política do resultado. Queriam a minha reação à “derrota” de Rui Rio e Fernando Negrão para o Conselho de Jurisdição Nacional do PSD. Apesar do receio de parecer presunçoso, fui rápido e claro a responder: “eles não perderam, eu é que ganhei!”

Com a maior franqueza, não há qualquer leitura política dos resultados para a Jurisdição do PSD: a leitura é emocional.

Depois de dezoito anos a fazer candidaturas e apresentando agora a minha décima lista, ganhar não seria surpresa: era apenas uma forte possibilidade.

A dimensão da vitória (393 votos) é que surpreende. Teríamos de recuar a 2010, primeiro mandato de Passos Coelho, para vermos uma lista ao CJN com tanto voto (452).

A que se deveu a expressividade dos números? A cinco fatores: a postura, a demissão, a campanha, o endosso e a equipa.

A postura de firmeza, rigor e isenção que sempre foi a minha, firmada em quase vinte anos, foi o caldo de cultura deste resultado. E, por ser tão sentido, já poucos duvidavam de que um dia a vitória chegaria.

A demissão, que em janeiro de 2019 apresentei, acabou por catapultar essa postura de firmeza, rigor e isenção para lá da esfera das amizades. Foi o universo social-democrata que ficou também a saber.

A campanha, baseada no meu telefone e no digital, permitiu criar a onda e motivar toda a gente.

O endosso de Luís Montenegro e de Miguel Pinto Luz à minha lista foi determinante. Primeiro o Miguel e depois o Luís, ambos abdicaram de promover candidatura ao CJN, reconhecendo-se nos valores que a minha representava. A isso se juntaram inúmeros apoiantes de Rui Rio que – entre o coração e a devoção – escolheram o coração, votando em mim. Como os números, claramente, o mostram.

Finalmente, a equipa escolhida deu o peso restante para se chegar à maioria absoluta. Gente séria, empenhada, com qualidade e boa “tração eleitoral” (há que dizê-lo). Os membros efetivos da lista somam vinte e um mandatos da Jurisdição do PSD, trazendo a experiência que os tempos exigem. Somam também dezenas de anos de militância, trazendo maturidade e estatuto.

Senti que precisava de escrever estas palavras para ser justo e grato a quem me apoiou (por convicção ou preferência), e para que não haja deselegâncias com Negrão ou Rio.

Por muito presunçoso que possa parecer dizê-lo, não aqui perdedores: há apenas um vencedor. Não se procure leituras políticas onde há sobretudo leitura emocional.

É, de resto, isso o que explica a ovação (única) que o Congresso deu à chamada do meu nome. Foi o sentimento de mérito a falar mais alto. Tão só.

Hoje, acabaram as listas. Do 38º Congresso fica apenas a gratidão. Obrigado.