Extrema Esquerda

O que pretendem os provocadores “anti-racistas” em Portugal? /premium

Autor
5.415

Como é que Mamadou Ba concluiu que “Lisboa está infecta de nazis ucranianos”? Andou a cheirar os adeptos ucranianos e detectou algo que os outros lisboetas, polícia incluída, não conseguiram farejar?

A luta contra o racismo e a discriminação racial é um assunto demasiadamente sério para ser entregue a activistas “anti-racistas” irresponsáveis e provocadores, que mais não fazem do que “atirar lenha para a fogueira” da desestabilização social em Portugal.

Não há dúvida que em Portugal, como em qualquer país do mundo, há problemas de xenofobia, racismo e intolerância étnica, mas não é com gasolina que se apagam os incêndios.

Na véspera do jogo de futebol entre as selecções de Portugal e da Ucrânia, Mamadou Ba, conhecido dirigente da organização SOS Racismo, escreveu numa rede social: “Alerta à navegação: por causa do jogo Portugal-Ucrâniana (sic), a cidade de Lisboa está infecta de nazis ucranianos e tugas, preparados para a violência. Não andem sozinhos, nem em sítios desprotegidos”.

Eu não fui ao Estádio da Luz ver o jogo, mas assisti através da televisão e apenas observei ucranianos e portugueses (detesto, no caso de Mamadou Ba e noutros, a palavra “tugas”, pois sinto nela um cheiro a xenofobia e racismo) pacíficos e, também a julgar pelo que relatou a imprensa, não houve incidentes provocados por adeptos da Ucrânia. Aliás, num país onde a comunidade ucraniana é das mais numerosas, é um excelente sinal ver a convivência pacífica de adeptos dos dois países nas bancadas.

Como é que esse cidadão concluiu que “Lisboa está infecta de nazis ucranianos”? Andou a cheirar os adeptos ucranianos e detectou algo que os restantes lisboetas, incluindo a polícia, não conseguiram farejar? E onde estavam os “tugas preparados para a violência”?

Como é sabido, o mito dos “ucranianos nazis” foi criado pela propaganda russa em 2013, quando Victor Ianukovitch foi afastado do poder, e tem sido alimentado e desenvolvido pelos partidos da extrema-esquerda portuguesa e europeia. Nas eleições presidenciais que se seguiram, os candidatos da extrema-direita andaram abaixo dos 5% dos votos. Não irei adivinhar quais serão os resultados das presidenciais do próximo dia 31 de Março, mas penso que desmentirão uma vez mais a tese dos “ucranianos nazis”.

Como é que um dirigente de uma organização anti-racista ousa rotular tão facilmente pessoas ou até povos?

Isto acontece porque, em Portugal, está na moda aceitar com a “nossa brandura tradicional” as verborreias da extrema-esquerda e continuar a seguir a política de “dois pesos e duas medidas”. Mamadou Ba tornou-se “famoso” por chamar às nossas forças de segurança “bófia” e compará-las a bosta. E passou, assim como irá passar a dos “ucranianos nazis” e “tugas preparados para a violência”. Só posso imaginar o chinfrim que seria levantado se tais declarações saíssem da boca de um militante de centro ou de direita.

O mesmo diz respeito às declarações de Jerónimo de Sousa em relação à Coreia do Norte. Respondendo à pergunta se existe ou não uma democracia na Coreia do Norte, Jerónimo de Sousa respondeu que “é uma opinião”. E perguntou ainda: “O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia”. Imaginem agora se um político de direita fizesse afirmação semelhante em relação à sangrenta ditadura de Pinochet no Chile. Acho que as ondas de indignação se fariam ouvir no outro lado do mundo.

Voltando às declarações de Mamadou Ba e dos seus camaradas do Bloco de Esquerda, elas têm um motivo claro: provocar a destabilização social a todo o custo, pois, como nos diz a História, os extremismos políticos gostam de pescar em águas turvas.

Além do mais, trata-se também de um dos meios para desviar a atenção do facto de como a actual extrema-esquerda apoia o Governo de António Costa. Só quem não quer ver, não vê.

P.S. Recomendo sinceramente às organizações de ucranianos em Portugal que apresentem queixa contra as declarações de Mamadou Ba, pois trata-se claramente de declarações insultuosas e xenófobas. Essa iniciativa deveria partir de instituições portuguesas, mas não vejo de quais.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Rússia

Deixem os jornalistas trabalhar /premium

José Milhazes
322

A polícia russa deteve e espancou Ivan Golunov, jornalista do Meduza, conhecido pelas investigações sobre corrupção. É mais um sinal de que o Kremlin receia cada vez mais perder as rédeas do poder.

10 de junho

A função social da esquerda /premium

Rui Ramos
616

Talvez a direita, noutros tempos, tenha tido o papel de nos lembrar que não somos todos iguais. As reacções ao discurso de João Miguel Tavares sugerem que essa função social é hoje da esquerda.

Eleições Europeias

Populismo e eleições europeias

Ricardo Pinheiro Alves

O crescimento do populismo xenófobo é alimentado pelo aumento do populismo igualitário, conduzindo a uma progressiva radicalização da vida pública como se observa actualmente nos países desenvolvidos.

Extrema Esquerda

Os incorrigíveis /premium

Paulo Tunhas
138

Mesmo símbolólica, o desejo da morte do outro (Bolsonaro), tem ilustre e documentada tradição: representa o desprezo revolucionário pelo outro, a redução do outro ao não-humano e está nos genes do BE.

Extrema Esquerda

O desprezo pela plebe /premium

Paulo Tunhas
426

Perante o ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, gente simpática como Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face... ao imperialismo americano.

Desigualdade

Estudar é para todos?

José Ferreira Gomes

Todos os jovens merecem igual consideração e há que evitar oferecer diplomas sem valor futuro no mercado de trabalho. O facilitismo só vem prejudicar os jovens, em especial os socialmente mais frágeis

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)