Rádio Observador

Portugal 2020

Os feiticeiros de nós

Autor
344

Escondido na manga do frentismo comunista que nos coordena colectivamente existe um contrato social torcido à façon só de uns tantos.

Como por feitiço, temos geringonça governativa desde a curiosa data de 26 de Novembro de 2015.

Um frentismo de esquerda colado à pressa conseguiu falar mais alto e mais forte do que o resultado das eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015 e do que a maioria relativa alcançada pela coligação formada pelo PSD e pelo CDS (que nos salvou da última bancarrota).

Mas os livros da especialidade dizem que as manifestações mágicas são sempre perigosas quando conduzidas por um mago que não seja firme nas suas convicções e se operadas por indivíduos que iniciam as suas práticas furtivas só para cobrar vantagens para a sua tribo de apaniguados.

É disso mesmo que fala o “vudu” ocultista da actual maioria parlamentar – sem carisma e ligada pelo fio miúdo dos interesses –, que não pretende servir, nem serve o bem comum.

Escondido na manga do frentismo comunista que nos coordena colectivamente existe um contrato social torcido à façon só de uns tantos.

Que tem de durar esta legislatura e o mais que puder ser.

O resto são papas e bolos, que hoje chamam-se reposição de rendimentos, redução histórica do déficit das contas públicas ou economia “a crescer um dígito”.

Maioria e governo fazem candomblé mole todos os dias da semana no espaço mediático e ilusionam permanentemente o povo.

Trabalham por detrás de uma cortina comunicacional cerrada que funciona sem falhas, sem escrutínio e sem contraditório – à voz do dono.

Daí que não se fale do crescimento imparável da dívida pública.

O tal monstro que aumentou 1,8 mil milhões de euros até Junho, somando agora perto de 250 mil milhões de euros (dados divulgados em Agosto pelo Banco de Portugal).

Que se esconda que a taxa de poupança das famílias portuguesas voltou a cair para os níveis mais baixos pelo menos desde há 18 anos.

Que se iluda que o saldo da nossa balança comercial está outra vez negativo.

Ou que se negue que o verdadeiro motor da economia é o dinamismo do investimento e das exportações e que o binário desse motor se chama criatividade e produtividade (não, não era a procura interna, nem a baixa do IVA).

Na capital do país – ao lado de algumas (poucas) obras úteis que demoraram demasiado tempo a fazer – engana-se o pagode com muitas outras só de encher o olho.

Façanhas que um dia alguém irá pagar com língua de palmo e muitos juros.

Às vezes, contudo, mesmo nos mais eficientes teatros de ilusões os fumos mágicos desvanecem-se e os braços dos “artistas” falham.

As peças que giravam muito rápidas no ar caem todas com estrondo no chão do palco.

É assim com a inquietação que vai crescente suscitada pela miserável rixa de controlo sindical-partidário travada na Autoeuropa pelas duas alas comunistas da geringonça (a do PCP e a do BE), contra a sã e eficiente convivência laboral e o interesse geral dos trabalhadores e da economia nacional.

É assim com o clima de guerra surda entre as comadres da união governativa que medra a propósito de alguns dos temas cruciais da discussão orçamental.

Porque essas duas alas comunistas não estão dispostas a recuar nalguns persistentes despropósitos “revolucionários”

Querem carregar ainda mais, se possível, no IRS dos trabalhadores mais preparados, mais capazes e mais produtivos (e portanto de maior rendimento), e avançam com propostas de aumento das taxas do imposto que podem ir até dos 50% aos 75%.

Pretendem alargar o número dos beneficiários da RSI e afrouxar os mecanismos de controlo e verificação na sua atribuição.

Porque sim.

A utopia baça e horizontal de um país que pretendem irremediavelmente atrasado, de pouca exigência, de pouca escolaridade e de má preparação, levado pela trela do emprego no Estado e em todas as administrações públicas, sem rasgo, feito de reduzida responsabilidade pessoal, de baixa autoestima e de poucas expectativas, e portanto, de menor produtividade, de parcos rendimentos e escassa mobilidade social.

Um país que se engana a si próprio e pensa que é moderno e vai mais à frente só porque galopa e legisla de forma imparável (e irresponsável) sobre todas as fracturas.

Um Portugal que se vai afeiçoando deploravelmente ao arquétipo marxista de exaltação moralista e conflitual, de falso altruísmo de directório e pura dominação oligárquica, de brida bolchevique e sindical.

Um paraíso só para alguns e uma baderna a prazo.

Miguel Saldanha Alvim é advogado e membro da Comissão Política Nacional do CDS

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
CDS-PP

O rei vai nu ou tempo para outras escolhas

Miguel Alvim

O bom trabalho de toda uma legislatura do CDS não pode ser confundido com dois falsos temas, a saber, o da reposição do tempo de serviço dos professores e o da malfadada passadeira lgbt de Arroios.  

Eleições Europeias

Notas breves sobre a grafonola

Miguel Alvim

As pessoas acabam por assistir com mais ou menos gozo a esta parada das campanhas, porque é como a Volta a Portugal em bicicleta ao passar na terra. Não se cobra bilhete, há barulho e luzes que bastem

Sustentabilidade

O Manifesto da 2ª Ruralidade

António Covas

Como venho a defender, sem uma boa “curadoria territorial” as medidas do programa de valorização do interior revelarão, muito provavelmente, a breve trecho, o seu lado inorgânico e difuso.

Cooperação económica

De braço dado com Angola

José Manuel Silva

O momento político angolano é propício à criação de laços baseados na reciprocidade e na igualdade de tratamento, sem complexos de nenhuma espécie. A história foi o que foi, o presente está em curso.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)