“Dificuldades e obstáculos são fontes valiosas de saúde e força para qualquer sociedade.”
Albert Einstein

Esta semana, em plena intensificação do surto de Coronavírus em Portugal por todas as redes sociais têm surgido diversas informações e relatos que tornam tudo ainda mais assustador. Em plena geração da partilha instantânea de informação, este é um dos aspectos que temos de tomar fulcral atenção.

É fundamental termos espírito critico. Estas “informações”, sem autor identificado podem ser fabricadas para motivos variáveis e facilmente podem semear o caos e o pânico. Um dos grandes desafios que a era da informação enfrenta, é a desinformação. E essa, pode facilmente matar.

Enfrentamos provavelmente um dos grandes desafios da nossa geração. Isto exige de nós cidadãos o uso de boa informação, bom senso, calma e disciplina para acatar as recomendações das entidades competentes. É imperativo não cair nos meandros da informação paralela e da especulação. Assim, como exemplares cidadãos, temos de ter muito cuidado com os conteúdos que partilhamos nas nossas redes. Devemos sim confiar em quem dá a cara na gestão desta crise, e a quem não se pode remeter no conforto do seu lar.

Desde ao governo, à DGS e principalmente a quem está na linha da frente do combate, os profissionais de saúde. Se não tivermos confiança nestes, em quem vamos ter? É imprescindível cumprir com as recomendações de saúde pública.

Isolamento social, sair de casa o mínimo possível, manter a distância social e ter medidas de higiene responsáveis. Só assim, conseguiremos atenuar o pico de propagação do surto e evitar ao máximo o colapso do Sistema Nacional de Saúde. Tomamos com grande louvor o exemplo do povo da Coreia do Sul. Um povo democrático e pluralista, que com o exemplar comportamento dos seus cidadãos conseguiu alisar a curva de propagação deste vírus, e com este efeito atenuar uma calamidade.

Não é hora de sermos individuais. É hora sim, de sermos uma sociedade unida com valores de entreajuda e de solidariedade. Os nossos comportamentos influem diretamente a saúde dos outros. Façamos isto também por respeito a todos os profissionais de saúde, que não podem virar cara á luta e que se vêm face a uma situação delicada. Protegermo-nos a nós, é também facilitar a resposta de todo o sistema a esta tempestade.

Posto isto, qual é a dúvida do que devemos fazer? Nenhuma. Essa é a minha certeza! Obviamente enfrentamos tempos incertos, o mundo foi apanhado de surpresa e nada nos faria prever ou precaver para esta situação.

A Europa é um continente envelhecido. E nesta situação, sendo os mais idosos um dos grupos de risco, teremos de ter cuidados redobrados. Não sendo esta a completa explicação, isto ajuda a explicar a elevada taxa de mortalidade que este vírus provocou no segundo país mais envelhecido do mundo, a Itália.

Ainda não está claro quando iremos atingir o pico deste surto, nem quando ou quanto tempo irá durar. Ao lado disto, temos ainda os efeitos económicos e sociais que são ainda incertos e que podem colocar o mundo, como nós conhecemos a testar os seus limites. Com certeza no fim desta tempestade, teremos um mundo diferente.

Apesar desta incerteza, por mais que sejam as nossas diferenças ou conflitos, é altura de despertar o que melhor existe no ser-humano. A preocupação com os nossos, a solidariedade, o apoio. São estes momentos que fazem o meu pessimismo antropológico tirar férias.

É hora de sermos portugueses, de sermos italianos, de sermos chineses. É o tempo de sermos cidadãos do mundo.