Se o parlamento português fosse um filme, já teria sido cancelado na Netflix por falta de audiências. Mas como é uma tragicomédia em real time, cá continuamos, entretidos entre moções de censura, comissões de inquérito, e deputados que trocaram a legislatura por um concurso de quem fica mais tempo no telejornal.
Parece que os nossos ilustres representantes na Assembleia da República descobriram que governar é chato. Preferem o thriller político: moção aqui, CPI acolá, tudo temperado com escândalos que nem post do Instagram. Enquanto o país se pergunta se ainda há pão para o próximo mês, a oposição dedica-se a derrubar governos como se fossem castelos de cartas. E nós, contribuintes, pagamos a festa.
O PS, depois de uma maioria absoluta que durou menos que uma story do Instagram, viu-se à rua. Agora, a AD agarra-se ao poder como um estudante à última cadeira antes do exame. Mas a oposição não perdoa: se antes era “CPI para todos”, agora é “moção para tudo”. Até parece que o lema é: “Se não podes vencer pelo voto, derruba pelo cansaço”.
E os escândalos? Ah, esses são como as roupas sujas: lavam-se em público, mas só quando convém. O Chega e os crimes esquecidos? Enterrados mais fundo que o tesouro do Pirata. As mães despedidas pelo BE? Sumiram como o Wi-Fi quando precisamos. Até o líder do PS e a sua casa de férias de meio milhão evaporaram-se, talvez num golfe qualquer. Agora, o Parlamento exige saber o que o Primeiro-Ministro janta. Será sushi ou bacalhau? A nação aguarda, em jejum.
O Presidente da República, ofendido porque ninguém lhe contou os segredos de Estado no grupo de WhatsApp, resolveu dar uma de influencer institucional: mandou recados públicos, reclamou do Falcon que voou do Algarve para Lisboa (gasosa paga por nós, claro), e agora ameaça eleições como quem ameaça desligar a PlayStation ao filho rebelde.
Enquanto isso, a Europa debate como salvar-se dos EUA e da China, mas Portugal está ocupado demais a discutir se as obras na casa do ministro violaram o código da cor. Se Bruxelas fosse um barco, nós seríamos os passageiros a discutir se o capitão usa boxers ou cuecas, enquanto o navio afunda.
E o futuro? Se este governo cair, preparem-se para eleições em maio. Depois, em setembro, outra vez. Até 2026, teremos mais legislativas que episódios de Casados à Primeira Vista. E quem sobra para governar? Ora, só os imunes à vergonha: os que não se importam de ser chicoteados no pelourinho das redes sociais em troca de uma selfie no Instagram oficial.
Conclusão: Se o parlamento fosse um circo, já teríamos vendido bilhetes. Mas como é de graça, resta-nos rir para não chorar. Ou, como diria o poeta: “Ó Pátria, quantos filhos teus pagam a NET para ver esta novela?”.