A segunda volta destas Presidenciais tornou-se um verdadeiro ” Case Study” da política Portuguesa. Causa perplexidade ver figuras destacadas da direita virem a público apoiar António José Seguro, um socialista sem nada no currículo que justifique tal “caridade” política. Ficamos confusos: qual a razão desta necessidade?
Ver Cavaco Silva manifestar apoio ao lado de Catarina Martins exige reflexão.Não queremos acreditar que, após o primeiro anúncio, a razão seja apenas ” Maria vai com as outras”.
António José Seguro e André Ventura, têm, certamente, qualidades e defeitos. Estarão preparados para ser Presidente? Não sei. O que é que os distingue, no essencial?
Primeiro, o percurso. Seguro é um produto do sistema; Ventura é fruto de uma vontade de mudança cada vez mais latente na sociedade portuguesa. Segundo, a postura. Ventura diz ao que vem: quer abanar o inconformismo e a resignação dos poderes presidenciais, para obrigar o governo a agir. Seguro apresenta-se como a solução para quem crê que só ele garante a estabilidade do regime, argumento que , face ao passado recente, soa a imobilidade.
Não precisamos de nos prender a perguntas conformistas de debates sobre se a Constituição permite ou não o que propõem. Respeitar a Constituição de 76 não impede o seu aperfeiçoamento democrático, conforme o Governo e a Assembleia julguem conveniente para o País. Só a esquerda vê nisto um “bicho papão”.Nestes tempos de crise, talvez seja preferível uma política directa e transparente sem ” vichyssoises”, do que uma estabilidade que paralise o sistema.
As elites temem a mudança por medo de perder o controle que as mantêm no poder.Daí o impasse nas reformas políticas: todos as prometem, mas ninguém as faz porque, sendo parte do sistema, não conseguem agir contra ele. Romper este ciclo não é fácil, mas estas Presidenciais podem ser o momento de ouvir a ” campainha” que soa dentro de nós, e que nos diz para pensarmos por cabeça própria, e não ter medo de arriscar.
Os analistas e comentadores políticos apresentam-nos um quadro claro: de um lado temos o candidato que, para eles, já venceu,o candidato da estabilidade, das elites, dos cultos e dos iluminados. Apesar dos resultados das autárquicas, ainda não compreenderam que existem cidadãos, iguais a eles, com forma de pensar e posicionamento diferente, que desprezam esta casta jornalística e não se revêem neste tipo de sistema. Do outro lado aparece, o candidato do povo, dos incultos,das minorias, pensionistas, dos jovens e de todos os que tiveram que deixar o País para ter uma vida mais digna; ele assume-se ainda como a voz de todos os que sentem que não a têm.
Qual será o melhor candidato para o actual Governo?
Ninguém dissocia Ventura do Chega, nem Seguro do Socialismo. Com Seguro , haverá sempre uma visão socialista a pairar sobre o Executivo, tentando adiar decisões quando as ideias não coincidirem. Já as políticas de direita de Luís Montenegro podem ganhar mais com Ventura. Como Presidente, Ventura será exigente, mas,com a actual composição da Assembleia da República, tem melhores condições para fazer passar as reformas da AD, permitindo que a legislatura chegue ao fim. Isso daria credibilidade ao Chega para o futuro. Sou dos que acredita que Ventura quer ganhar estas eleições,ao contrário do que todos afirmam.Se chegar à Presidência,e fizer um bom mandato, provará ser uma mais-valia para quem governa e preparará, aí sim, o caminho para um dia,vir a ser Primeiro-Ministro.
Talvez seja precisamente esta renovação da direita, que retiraria a liderança ao PSD, o que a actual direita tanto teme e quer evitar, e que tem provocado a necessidade de tantas figuras de direita darem o apoio a Seguro!