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Degradam as cidades. Roubam-lhes a identidade. Chocam os hábitos dos habitantes. Causam ruído. Não respeitam os costumes. Sujam as ruas. Afastam os residentes tradicionais. Estão por toda a parte. Falam  outras línguas. Há sítios em que já são mais que os nacionais. Há que controlá-los. Fazer recolhas especiais de lixo nos locais que frequentam. Impor limites à sua vinda…

A partir de agora tem o leitor duas possibilidades: ou escolhe que estamos a falar de turistas por exemplo em Lisboa ou Barcelona ou de refugiados/migrantes em Calais (França) ou Castel Volturno, Itália. Se optar o leitor pela primeira hipótese – falar dos turistas, do seu impacto nos centros urbanos e das medidas a adoptar para os controlar – teremos ambos uma vida descansada: não só ninguém nos chamará nomes como entramos ad hoc no rol das pessoas progressistas e cultas. Ou seja aquelas que fazendo gala das suas viagens pelas grandes e pequenas cidades do mundo se insurgem com o facto de outros lhes seguirem o exemplo. Obviamente neste caso ninguém pronunciará a palavra xenofobia mesmo que façamos cartazes com slogans como “Não queremos turistas nos nossos prédios” ou o “Turismo mata os bairros”. E quando alguns dos mais arregimentados com a “destruição da identidade nacional, dos nossos valores e dos nossos costumes” provocada pelo turismo atacarem hotéis e autocarros de turismo como aconteceu em Barcelona os jornalistas darão conta de singelos actos de vandalismo. Ninguém falará de racismo, terrorismo ou sequer vislumbrará qualquer problema nas ligações políticas dos autores destes ataques,

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