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Crescimento Económico

Será incompetência? Ou será de propósito?

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Mas será tanta incompetência humanamente possível? Será tanta insistência em políticas e regulamentos que destroem a economia apenas um erro com os qual os nossos governos nunca aprendem?

Há quem estranhe a incapacidade do governo português em fomentar o crescimento económico. E se espante por o Estado dificultar o empreendedorismo e estrangular a iniciativa privada. E que se admire com uma carga fiscal que desincentiva, se assombre com as barreiras existentes à criação de novas empresas e ao lançamento de novos produtos e serviços e se surpreenda com a teia de clientelismo e corrupção que enviesam e diminuem a concorrência. Estas pessoas facilmente atribuem, erroneamente, tudo isto à incompetência governamental.

Mas será tanta incompetência humanamente possível? Será tanta insistência em políticas e regulamentos que destroem a economia apenas um erro com os qual os nossos governos nunca aprendem? Será que a grande fome da Ucrânia (1932—1933), o Grande Salto em Frente (1958—1960), ou a Revolução Bolivariana demonstram incompetência ou propósito? A leitura dos clássicos, de Esopo em particular, oferece-nos uma visão alternativa sobre a nossa política económica, das causas da nossa miséria e do nosso atraso nacional. Conta Esopo:

“Uns Ladrões[nota 1] assaltaram uma casa, mas não encontraram nada que valesse a pena gualdripar senão um galo, que levaram consigo. Quando preparavam a ceia, um deles pegou no animal e estava para lhe torcer o pescoço quando este lhe pediu compaixão e lhe disse[nota 2]: ‘Peço-vos que não me mateis; vereis que sou uma ave útil, pois ao nascer do sol acordo com o meu canto todas as pessoas honestas para o seu trabalho.’ Mas o Ladrão respondeu-lhe irritado: ‘Sim, eu bem sei que o fazes, tornando-nos difícil a vida. Já para a panela!”

Tal como não apenas a carne, mas também a aversão àquilo que o galo representa justificou a sua morte, assim também nem a receita arrecadada pelo fisco, nem as luvas recebidas pela engrenagem burocrática de desincentivo à atividade económica são a sua única razão de ser. Não menos importante é a animosidade à liberdade e à independência dos cidadãos. O ataque ao trabalho honesto e à iniciativa privada que sustentam e fomentam essa liberdade e independência face ao Estado, é algo que por si só vale a pena para quem abomina a liberdade das pessoas e quer que todos vivam em função dos ditames do Estado e dele dependentes.

(U avtor não segve a graphya dv nouo Acordv Ørtvgráphycv. Nem a dv antygv. Escreue comv qver & lhe apetese.)

[nota 1] Ladrões: historicamente, a vanguarda da luta anti-capitalista; ativistas contra a injustiça da propriedade privada. Designação dada aos socialistas que precederam Karl Marx (1818—1883), entretanto substituída por vocábulos politicamente mais corretos como “marxistas”, “comunistas” e “socialistas”, termos que representam diversos matizes modernos da luta contra a propriedade privada. Existem duas categorias: Ladrões de retalho, também conhecidos por “larápios”, e Ladrões por atacado, denominados de “Estadistas”. “Ladrão” é propriamente escrito com maiúscula, exatamente pela mesma razão que se o faz com “Estado”.

[nota 2] Que os animais antigamente falavam é um fenómeno bem documentado. Que, entretanto, voltaram a encontrar voz pode ser comprovado assistindo a uma reunião do PAN.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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