Aqui vai uma explicação para as eleições antecipadas, acessível até aos não assinantes – porque é simples e curta.

O Governo é minoritário, muito minoritário. Estavam garantidas eleições antecipadas – é racional para os principais atores políticos envolvidos. Quando muito, ocorreriam daqui a um ano.

Ocorrem um ano antes, porque os três maiores partidos preferem tê-las agora.

Para o PSD e Luís Montenegro, é racional evitar um período longo de desgaste imposto pelo circo político e mediático de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). As eleições são um risco, mas menor do que a CPI.

Para Pedro Nuno Santos, é racional evitar que o Governo e o PSD possam aproveitar o crescimento económico e o excedente orçamental para aumentar a popularidade – à custa do PS. Se não quisesse eleições, não fazia cair o Governo e desgastava-o com a CPI.

Para André Ventura, é racional aproveitar a instabilidade e qualquer outra coisa; tudo lhe serve para acusar e insinuar. Mas estas eleições dão-lhe jeito para “correr com” gente do grupo parlamentar.

Como todos querem – e precisam – de eleições, cada um só teve de arranjar uma narrativa que culpe os outros e disfarçe a própria intenção. Criar narrativas é algo inerente à função de qualquer dirigente político, e todos o sabem fazer.

Fazem falta quilómetros de textos e horas de comentários por dezenas de comentadores para dizer e perceber isto?

Para quê insistir em debater como chegámos aqui? Enquanto os eleitores não derem maiorias claras aos maiores partidos andaremos nisto. Será bom ou mau? Veremos daqui a uns anos.