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Portugal não é uno e indivisível. Podemos ser o país com as fronteiras mais antigas da Europa — mas os portugueses não vivem todos da mesma maneira, não se divertem todos da mesma maneira e, detalhe importante, não pensam todos da mesma maneira. Temos obrigação de saber há muito tempo que a geografia, o clima, a economia e as práticas religiosas, por exemplo, levaram a uma diversidade que dura há séculos, com óbvias mutações mas com uma persistente estabilidade. Quem quisesse entender, teria o livro “Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico”, de 1945, onde Orlando Ribeiro explicou porque é que as coisas são assim. E, como notou Rui Ramos, os mais distraídos teriam nova oportunidade de perceber tudo, anos mais tarde, com o livro “Identificação de um País”, de José Mattoso.

Mas há quem não perceba, nem entenda, nem aprenda. Para aqueles que julgam que Portugal começa na Ponte 25 de Abril e acaba na saída para a auto-estrada do Norte, os portugueses são todos iguais. Não há matança do porco, só há churrascos num grelhador Weber; não há caça, só há festas no Lux; e, acima de tudo, não há touradas, só há peças de teatro no D. Maria II.

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