A liderança europeia que dia 18 se reuniu em Paris, recusando reconhecer o facto dessa perda de “existência”, pretende manter a obediência às ordens anteriores, que entretanto mudaram a partir de Washington, mas que se mantêm a partir de Londres. Os poderes anglo-saxões, que controlam os democratas americanos derrotados na eleição de Trump, terão de guardar para outra oportunidade futura o antigo desejo de dividir e partilhar a Rússia.
O que acontecerá depois na Ucrânia é com os ucranianos, que Zelenski não está farto de matar, e a liderança da UE não está cansada de mandar morrer pelos interesses da velha oligarquia ocidental.
Os “líderes” europeus podem protestar o que quiserem (estão a preparar o 16º pacote de sanções), mas vão ficar a financiar sozinhos o eventual esforço de guerra se persistirem na teimosia. Se enviarem homens europeus, tal como se tem pré-anunciado, estes vão morrer em batalha contra o exército mais eficaz do mundo (e bem treinado em fogo real), e teremos a oposição popular à guerra a crescer ainda mais na Europa. Mais homens europeus morrerão. Desta vez não-mercenários. Os nossos Filhos, Irmãos, e Pais.
Os “líderes” europeus ficarão ainda mais isolados. Macron está por um fio, Starmer está por meio-fio. Sanchez nem se fala. A Alemanha irá cancelar o resultado das suas próximas eleições, pois a AfD previsivelmente vencerá.
O “golpe” europeu na Roménia (próximo previsível proxy) está a falhar. O Presidente romeno resignou, os americanos já avisaram os romenos de que as “eleições com Georgescu são para realizar”. O plano da maior base da NATO cairá.
A Rússia agradecerá todo este desenrolar pois o fim da UE ficará mais próximo. Os americanos também, pois toda a desvalorização dos activos europeus é futuro mercado de compras para as empresas americanas, e os americanos farão negócio, como sempre.
Quem perde com a situação? Os europeus e os ucranianos.
Que fazem em Munique e em Paris?
O Presidente da Conferência de Segurança de Munique, Christoph Heusgen, chorou no final do seu discurso, após ouvir as palavras de J D Vance, vice-presidente americano.
Em Paris também se chora? Acredito que sim. E chorar-se-á mais ainda quando a UE terminar em sequência de todos estes erros profundos.
Tal como Draghi afirmou:
Mas saberão os líderes da UE o que fazer para inverter a situação? Ou já é tarde demais e os erros foram demasiado graves?
Receio que sim, e que sim, a União Europeia seja já um morto que caminha.