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E eis que a realização do Arraial Liberal juntou “meio mundo” em críticas à Iniciativa Liberal. De praticamente todo o espectro partidário e pelo “comentariado” político. As críticas são naturais e até saudáveis, mas não deixou de ser curioso assistir à mudança de opinião de tantos que tinham criticado a anterior decisão do Reino Unido de tirar Portugal da “lista verde” ou a imposição de testes nas fronteiras decidida pelo governo espanhol, bem como aqueles que elogiam (e bem) o Vice-Almirante Gouveia e Melo, mas convenientemente se esquecem da sua mensagem da necessidade de libertar a sociedade e a economia para que se possa “respirar um bocado de normalidade”.

No entanto, o que me leva a escrever não é a divergência, mas a mentira e a deturpação nos ataques dirigidos à Iniciativa Liberal, acusada de incoerência entre falsidades de todo o tipo. Quando tudo o que foi feito nunca deixou de estar assente na coerência de actuação. Vejamos.

Fosse em peças jornalísticas, em declarações de políticos ou nos espaços de opinião, registou-se um chorrilho de frases acusando a Iniciativa Liberal – e em especial o seu líder, João Cotrim de Figueiredo – de ter criticado o PCP pela realização da Festa do Avante. Errado. A crítica então feita, com todo o fundamento, visava apenas a proibição de outros eventos e actividades a que não eram dadas as mesmas condições, sendo-lhes negados os mesmos critérios por parte da DGS. Isto sim, foi o que a Iniciativa Liberal defendeu.

Em Abril de 2020, já se falava de reabertura de actividades económicas e sociais e a Iniciativa Liberal, após uma reunião com o Primeiro-Ministro, defendia essa reabertura devidamente acompanhada de um plano de testes.

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Daí a referência a “um país e dois sistemas”. Se a DGS entendia, perante a informação que então detinha, existirem condições para a realização da Festa do Avante, então muitas outras actividades deveriam ter a mesma possibilidade. Foi isto que João Cotrim Figueiredo defendeu, mantendo-se coerente.

Sim, no vídeo de Maio de 2020, que muitos (incluindo a SIC) recordaram, houve uma crítica directa de João Cotrim de Figueiredo ao PCP e à Festa do Avante: a de que esse evento não pagava impostos. E qual a surpresa? O fim de muitos dos benefícios fiscais dos partidos políticos é algo que a Iniciativa Liberal defende desde sempre, tendo apresentado essa proposta logo no primeiro Orçamento do Estado da actual legislatura, a qual foi chumbada. Uma vez mais, João Cotrim de Figueiredo foi coerente.

Ainda sobre esse vídeo que muitos correram a partilhar, convém recordar que a intervenção do deputado liberal ocorreu quando no Parlamento se debatia uma proposta de lei sobre “medidas excepcionais e temporárias quanto aos espectáculos de natureza artística, no âmbito da pandemia da doença Covid-19”. Enquanto uns pediam para trabalhar e o governo não criava condições para tal, preparava-se o terreno para o PCP realizar a sua festa. E os outros? Lá está, um país e dois sistemas.

Voltando às críticas, erradas e injustas, de suposta incoerência, fico arrebatado com a hipotética surpresa de alguns. A ideia do arraial liberal surgiu antes do anúncio da proibição pelo presidente da Câmara Municipal, como exemplo de uma solução para que vários eventos decorressem pela cidade. Vários, dispersos, com critérios e condições de segurança e em benefício dos lisboetas e dos comerciantes. Tudo em linha com o discurso que a Iniciativa Liberal tem apresentado. Perante os dados conhecidos e públicos, ao longo do tempo, o partido liberal defendeu reaberturas. Desde escolas e actividades culturais até actividades desportivas e parques infantis, só para dar alguns exemplos. Uma vez mais, com e em coerência.

A referência a “perante dados conhecidos e públicos” não é irrelevante. Se há partido, desde o início da pandemia, que se tem batido pela transparência dos dados, é a Iniciativa Liberal. Não só como suporte à decisão política, mas também com o objectivo de que os portugueses possam entender a situação, para melhor tomarem as suas opções individuais. Uma vez mais, a coerência liberal.

Quiseram muito colar o rótulo de incoerência à Iniciativa Liberal e a João Cotrim de Figueiredo, mas não cola. Se optam por repetir a mesma mentira mil vezes, apenas conseguem ficar mais próximos daquele a quem é atribuída essa teoria de guerrilha política.