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Abrimos aqui mais um capítulo da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador, programa em que trazemos todos os dias as notícias que estão em destaque na imprensa russa e ucraniana. Hoje com o José Rafael Lopes. José, bem-vindo.

Obrigado, Vasco.

Queres começar pela imprensa russa, pelo ataque desta última noite a Kiev, com recurso a mais de 10 mísseis de alto calibre?

Foram 14 mísseis no total que atingiram a capital ucraniana, sendo que dois deles eram mísseis balísticos. Além disso, o ataque russo contou ainda com 175 drones. É isso que relata o jornal russo Meduza. Falam num ataque massivo contra Kiev durante a madrugada, que terá provocado a morte de pelo menos 14 pessoas. No entanto, este número pode vir a ser revisto em alta, uma vez que este jornal, o jornal Meduza, dá conta de muitos feridos que ainda estarão presos debaixo dos escombros. Este ataque com drones e mísseis atingiu um complexo residencial e destruiu mesmo um prédio de nove andares no rescaldo. Há relatos de um incêndio que demorou nove horas a ser combatido. O Meduza faz ainda um balanço total das operações de ataque russas durante a última noite na Ucrânia. Fala em mais de 400 drones utilizados e 32 mísseis que foram lançados contra o território ucraniano vindos da Rússia, sendo Kiev a zona mais afetada.

José, a Agência TASS faz um exercício inverso, puxa para destaque as ações defensivas da Rússia perante os ataques ucranianos.

É a principal notícia em destaque na agência estatal russa, dá conta de uma operação bem-sucedida que abateu quase 200 drones ucranianos na última madrugada. É uma informação que cita o Ministério da Defesa russo e, de acordo com a TASS, estes ataques tentaram atingir vários pontos da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, com a região de Kursk a ser a mais visada por parte das forças ucranianas.

E vamos avançar para olhar para mais ataques russos a território ucraniano e para a suposta destruição de um batalhão inteiro de ucranianos.

Batalhão esse que terá sido alvo de um ataque de precisão por parte de uma bomba russa. É o que avança a Agência TASS, que cita fontes próximas das Forças Armadas russas. Aconteceu em Donetsk, quando as forças ucranianas já estariam em retirada total. As forças russas reclamam a destruição desse batalhão, que faria parte da unidade mecanizada do exército ucraniano. Dizem ainda que este ataque, com uma bomba de precisão, destruiu muito equipamento militar e um helicóptero de combate. A fechar, a Agência TASS relembra também que a ofensiva russa alcançou valiosos metros na região de Donetsk.

José, a imprensa russa destaca ainda as sanções que foram aplicadas a pessoas próximas de Vladimir Putin.

Voltamos a recorrer a uma notícia do Meduza, da imprensa independente russa, que publica a lista de 40 pessoas e entidades que vão ser sancionadas pelo Canadá depois da reunião do G7 nos últimos dias. Nesta lista estão pessoas físicas e também pessoas jurídicas. Destaque para a ex-mulher de Vladimir Putin e o atual marido, mas também um sobrinho do presidente russo. Nesta lista partilhada pelo Meduza, está também a filha de Boris Yeltsin, que foi o último líder da União Soviética. Há ainda ex-ministros de Vladimir Putin e o ex-treinador da seleção russa de ginástica rítmica, o que, Vasco, não deixa de ser peculiar, mas faz parte da lista que foi partilhada hoje.

E para fechar este segmento da imprensa russa, trazes aqui uma notícia no mínimo estranha, no mínimo diferente. Há um jornal russo que diz que a Ucrânia está a utilizar bruxas na linha da frente.

É um trabalho do portal TSN sobre o número cada vez maior de mulheres na linha da frente ao serviço da Ucrânia. Aqui o termo bruxas, como dizias, é utilizado como forma de descrever a forma como as mulheres surgem no campo de batalha. É uma referência ao desgaste para quem está na linha da frente que, de acordo com este repórter do portal TSN, se nota muito mais nas mulheres. Este trabalho diz também que o governo ucraniano está a pressionar cada vez mais mulheres a juntarem-se ao serviço militar. Deixa o destaque de que são voluntárias, sim, mas coagidas pelo regime de Kiev. É desta forma que o TSN fala desta questão. Este jornal fala também no número crescente de mulheres nas forças adversárias, que começam a ser apelidadas de bruxas por parte das forças russas.