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Este é o Som do Bom e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast, sempre com o Miguel Pinheiro. Miguel, bom dia.

Bom dia.

Olá, Miguel. Quem é o bom nesta quinta-feira?

O bom desta quinta são os Velhos do Restelo. Fazem muita falta. A 2 de julho de 2020, o governo de António Costa decidiu fazer aquilo que disse ser uma nacionalização transitória da Efacec. Na altura, os Velhos do Restelo avisaram que não era boa ideia ter o Estado a escolher empresas em dificuldades que decidia salvar. Porquê esta e não aquela? Porquê uma e não outra? Mesmo assim, o negócio avançou e agora, dois anos depois, a reprivatização da empresa continua à espera de uma resposta da Comissão Europeia, porque apesar de tudo, estando nós na União Europeia, o governo já não pode fazer tudo o que entende, da maneira que entende. Há algumas regras para cumprir. Segundo o governo, essa resposta da Comissão Europeia deverá chegar em breve, mas entretanto ficámos a saber, por uma notícia do Eco, que nos primeiros seis meses do ano, a Efacec teve um prejuízo líquido consolidado de € 55 milhões, sendo que no ano passado esse prejuízo neste período tinha sido de 15 milhões. Decida a Comissão Europeia o que decidir, vamos ver o que é que vem de lá. Este é mais um exemplo de que o Estado não deve escolher empresas no mercado como quem escolhe bolos numa pastelaria. O melhor é não se meter nessas coisas.

Pois, e demoramos a aprender a lição.

Acho que não aprendemos.

Não, são precisos mais Velhos do Restelo.

Virá a próxima a seguir, depois desta, seguramente.

O bom são os Velhos do Restelo. E quem é o mau?

O mau é o PS, que está a usar o seu poder no Parlamento para proteger ministros. O Bloco de Esquerda pediu que a Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior fosse ao Parlamento falar sobre as medidas para combater o impacto da inflação e para falar também sobre os problemas de alojamento para estudantes. O Bloco pediu e teve o apoio de todos os outros partidos, menos de um: do PS. E como o PS tem maioria absoluta, isso foi suficiente para bloquear a ida da ministra à Assembleia da República. Se esta audição existisse, os deputados, imagine-se o horror, iam fazer perguntas e a ministra, imagine-se a tortura, ia responder. Era isto que ia acontecer na Assembleia da República, mas até isso os socialistas querem bloquear. Quando tomou posse, António Costa, no seu discurso, jurou que a maioria absoluta não era um sinónimo de poder absoluto. Isto foi há uns meses, mas há uns dias, num jantar com o grupo parlamentar do PS, o mesmo António Costa pediu aos deputados do seu partido que não tenham vergonha de ter uma maioria absoluta. E aqui estão eles. De facto, os deputados do PS não têm vergonha nenhuma de mandar no Parlamento.

Rapidamente se perde a vergonha.

É, foi muito rápido, mas se o chefe pede, temos que fazer, como é óbvio.

E só fica a faltar o vilão de hoje.

O vilão é o chefe, é António Costa. António Costa já não tem mão no governo. Depois de o Ministro da Economia ter defendido uma descida transversal do IRC, o Ministro das Finanças veio ontem, andamos a falar nisto há uns dias, mas ontem houve esta novidade fresquinha. Fernando Medina veio dizer que o governo só tem uma voz, ficando claro que essa voz não é a do Ministro da Economia. Medina veio dizer também que este assunto deve ser tratado pelos ministros que participam na negociação com os parceiros sociais, sendo que o Ministro da Economia não é um deles, e veio dizer que o governo não negoceia em praça pública, ao contrário do Ministro da Economia, que tornou pública a sua opinião sobre este assunto. Neste curto governo de maioria absoluta, já vimos o Primeiro-Ministro a desautorizar publicamente um ministro, que foi Pedro Nuno Santos, mas aí pelo menos havia uma relação de superioridade hierárquica que podia de alguma forma justificar aquele espetáculo triste. Mas agora temos um ministro a desautorizar outro ministro e percebemos que com maioria absoluta, este governo tem muita autoridade para fora, como se vê no Parlamento, mas tem pouca autoridade para dentro. Para dentro mandam todos.

Vamos então ao resumo: o bom desta quinta-feira são os Velhos do Restelo, o mau é o PS e o vilão, António Costa. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast.