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Neste jornal das nove está agora Pedro Castro, director da Sky Expert Consulting, consultor em estratégia comercial para aviação, turismo e aeroportos. Pedro Castro, muito bom dia. Independentemente das conclusões políticas que se tirem, até que ponto é que este caso pode abalar a confiança da TAP, sobretudo nesta fase de privatização da empresa?
Muito bom dia. Em primeiro lugar, felicitar a comunicação social, em particular o Observador, pela excelente cobertura que têm feito e que fizeram ontem das 12 horas de audições. Muito obrigado mesmo. Em relação à privatização, houve um dado importante que Francisco Pinheiro avançou ontem, que é: não há uma obrigação. Até houve um finca-pé por parte de Pedro Nuno Santos para que justamente não houvesse uma obrigação de privatizar a TAP e um calendário para essa privatização. Ou seja, estamos aqui em face de uma privatização política. Fizemos uma nacionalização política, que já não era feita numa companhia aérea desde 1975, e estamos agora perante uma pressa política de uma privatização que vem num péssimo momento e que eu, aliás, sugeria parar imediatamente. Isto por uma razão muito concreta: para privatizar é preciso haver um caderno de encargos. Para fazer um caderno de encargos é preciso uma estratégia e para uma estratégia é preciso haver um ministro credível e livre para pensar e para fazer o seu trabalho. Isto não se está a verificar e, portanto, o que pode acontecer é avançarmos para uma hipotética privatização que não interessa a ninguém. O facto de nós querermos privatizar-
Não interessa a ninguém porque desvaloriza a empresa, é sobretudo por isso, Pedro Castro?
O que nós deveríamos ter é estar aqui focados em termos de privatizar é: vamos valorizar a TAP para a vendermos ao máximo possível. E sabemos que do outro lado temos interessados, compradores, a quererem pagar o menor preço possível. E neste momento, não sabendo qual é o caderno de encargos, mas ouvindo que o Estado quer ter participação na TAP. Ora, isso desvaloriza a TAP, porque este Estado não funciona. Se houver um novo aeroporto, isso também desvaloriza a TAP. Se houver mais escândalos, porque a comissão ainda não acabou, vai haver também nova desvalorização da TAP. Ou seja, nós daqui a pouco temos que dar a TAP a alguém para alguém ficar com ela. Nós é que temos que pagar, no fundo, para alguém ficar com a TAP. Isto não é do interesse nacional.