Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza de que somos todos malucos. Olá a todos, sejam bem-vindos a mais um episódio do podcast " Somos Todos Malucos", um podcast observador em todas as plataformas de áudio, mas também de vídeo no meu YouTube. Todas as quartas-feiras têm, logo às 06:00, um episódio em áudio com um convidado. À 12:30 sai o vídeo e às segundas-feiras os intermédios, que são os pequenos episódios de mais ou menos 20 minutos, onde eu faço uma reflexão sozinho sobre temas que por aqui passaram, pessoas que aqui estiveram. Ativem as notificações se vierem ao YouTube, partilhem os vídeos, venham aos comentários, porque eu venho também sempre dar aqui uma palavrinha convosco. Ora bem, o tema de hoje. Eu já trouxe cá pessoas ligadas ao cristianismo, ao catolicismo, ao budismo, ateus, todas as correntes religiosas ou não religiosas, mas há um que eu queria trazer. Por quê? Porque quando eu oiço ateus falar de Deus e do universo, para além da questão óbvia da ciência, dizem não compreender como é que Deus é tão violento na Bíblia e se Deus existe, por que há crianças a sofrer no mundo, por que há certas desgraças que acontecem no mundo. Outras religiões falam muito de amor, mas depois colocam pessoas de parte e valorizam uns credos e não valorizam outros. Mas há uma filosofia que é capaz de explicar o porquê do mundo e entregar toda essa responsabilidade da evolução e da bondade ao próprio ser humano. O José Lucas foi tenente-coronel da Força Aérea, mas desde os seus 20 anos, mais ou menos 1982, estava eu a nascer. Mas mais ou menos desde 1982 que se interessa ao estudo do espiritismo. Tem vários livros, entre este que eu já li e que ele me trouxe de novo, "Factos Espíritas em Portugal". José, muito obrigado por teres vindo ao Somos Todos Malucos. Já nos conhecemos.
Obrigado eu.
Acho que nos conhecemos foi nas Caldas, não foi?
Sim.
Já tínhamos trocado umas mensagens, mas conhecemos nas jornadas da ...
Da Cultura Espírita do Oeste.
Da Cultura Espírita do Oeste no ...
No CCC, Centro de Congressos
Nas Caldas da Rainha, no Centro Espírita das Caldas.
No Centro de Congressos.
Sim, mas o Centro Espírita das Caldas foste um dos fundadores, não é?
Sim, Centro de Cultura Espírita.
Sim. Diz-me uma coisa, como é que definirias o espiritismo em poucas palavras para quem nunca ouviu falar desta filosofia ou não tem ideia, ou se calhar associa a bruxas?
Eu costumo dizer que o espiritismo é o grande desconhecido. E o espiritismo não é aquilo que as pessoas pensam. Não está associado a crendices, bruxarias, magias, superstições. Não é mais uma religião, não é mais uma seita. O espiritismo é uma ideia, uma doutrina, um conjunto de ideias, tal como as ideias sociais-democratas, as ideias comunistas, as ideias do Benfica. Portanto, há um conjunto.
É uma filosofia.
Uma filosofia de vida. Espiritualista. Que ao fim e ao cabo podemos defini-la como sendo uma ciência que estuda a natureza, a origem e o destino dos espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo terreno e o mundo espiritual, entre o mundo material e o mundo espiritual.
Sim, mas tu estavas a referir uma ciência. Como é que se pode definir como uma ciência?
É uma ciência porque utiliza o método científico. Portanto, é uma ciência de observação. A melhor analogia que eu poderia encontrar é com a astronomia. Astronomia é uma ciência. Óbvio.
Sim.
E tem os seus mecanismos para observar o seu objeto, o cosmos, que são os telescópios.
Sim.
E, por exemplo, eu lembro-me, acho que há aí um cometa, o Swift-Tuttle, que passa de 72 em 72 anos. Então a ciência tem de se cingir às leis naturais e tem de observar quando o fenômeno acontece. Não pode pegar no cometa. "Não, agora quero voltar a observá-lo". Tem de esperar 72 anos outra vez. Então o espiritismo é uma ciência da observação, que tem como método a pesquisa do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corporal, e utiliza também o seu telescópio para observar, que é a mediunidade, aquela característica que todos nós temos, sem exceção, ou aquilo que os cientistas chamam percepção extrassensorial.
Pode é estar mais aflorada numas pessoas do que em outras. A mediunidade.
Sim. A mediunidade não tem nada a ver com o espiritismo. A mediunidade é uma característica orgânica, é como ver, ouvir, falar, os seus cinco sentidos tradicionais. Nós temos seis sentidos. Há pessoas que têm esse sexto sentido desabrochado, são aqueles que chamam os médiuns. Há outros que têm o sexto sentido adormecido, por exemplo, um cego de nascença, nunca viu.
Sim.
E essas que têm o sexto sentido adormecido são aquelas que dizem assim: "Eu não acredito em nada disso, eu nunca vi nada, nunca senti nada". Ainda.
Sim.
E depois há aquelas pessoas, principalmente aquelas que nasceram depois de 1980, de acordo com a minha experiência, que estão a desabrochar essa mediunidade, essa sensibilidade, e nota-se cada vez mais. É muita gente.
Quais é que são os pilares fundamentais da doutrina espírita?
O espiritismo assenta em cinco pontos básicos: a existência de Deus, ou o que queiramos chamar, energia.
Primordial.
Força cósmica, arquiteto.
Sim.
O que quisermos. Existência de Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. A imortalidade do espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados. São esses cinco pontos básicos da doutrina espírita, que são leis da natureza. Não são crenças.
Sim.
O espiritismo, às vezes há pessoas que me dizem assim: "Epá, eu não acredito em nada disso". Olha, já somos dois. Porque o espiritismo não é pra acreditar, é uma ciência da observação, tem que ser estudada. Pesquisada.
Sim, mas quem é que faz essas pesquisas?
Qualquer um de nós.
Mas é preciso ter, por exemplo.
Ter vontade e querer.
Sim, mas tem que fazer as coisas bem feitas, no sentido, tem que ter conhecimento.
Sim, claro.
Do método empírico. Do método de observação e o método científico.
Sim, e o que nós aconselhamos é que as pessoas comecem pela leitura das obras básicas de Allan Kardec, que foi o codificador, quem se debruçou sobre estes fenômenos, pesquisou-os e não os admitindo sequer, acabou por se render à evidência dos mesmos. E então temos esses cinco livros básicos para tentar entender o pensamento espírita, que é "O Livro dos Espíritos", onde está a parte filosófica, "O Evangelho segundo o Espiritismo", onde está a parte ético-moral, "O Céu e o Inferno", "A Gênese" e "O Livro dos Médiuns", onde está a parte experimental ou científica. Qualquer pessoa que utilize a metodologia de "O Livro dos Médiuns" em qualquer parte do mundo.
Por acaso, "O Livro dos Médiuns" não li. Li "O Evangelho" e li "O Livro dos Espíritos".
"O Livro dos Espíritos" é fundamental. Tem 1019 perguntas e respostas. Nós até aconselhamos que leiam do princípio ao fim, porque tem sequência.
Sim.
E é, de facto, fantástico.
Como é que esses livros foram, eu sei, mas gostava que explicasse, como é que foi feita essa codificação, como é que nasceram esses livros?
Isso remonta ao tempo de meados do século XIX, nos idos de 1850 e pouco. Havia um fenômeno que estava muito em voga na altura, o fenômeno das mesas girantes, as mesas de pé de galha, as pessoas reuniam-se às voltas, não havia televisão.
Mesas igual a esta.
Não havia internet.
Mas esta tem um cálice. Por isso é que não abana.
E então, essas mesas funcionavam como um passatempo. Nos salões da aristocracia.
Falar com os espíritos estava na moda, não era?
Na altura nem se percebia muito que era falar com os espíritos. As pessoas reuniam-se, achavam que aquilo era um fenômeno magnético, as mesas levantavam, mexiam-se, etc. Até que Kardec era um sábio à época, em 1857, era uma pessoa muito culta, ligada às grandes sociedades parisienses e nem estava pra aí virado.
Sim.
Mas houve dois amigos, pessoas por quem ele tinha muita consideração, que lhe disseram: "Epá, tu tens de ir assistir àquilo, aquilo é mesmo sério". E ele foi, como dizia o Raul Solnado, contrariado, mas vou. E ele lá foi assistir àquilo e começou a fazer perguntas, a aperceber-se. Espera aí, a mesa dava informações que mais ninguém tinha acerca dele. Que não era possível, a não ser que a mesa tivesse um cérebro, tivesse inteligência.
Sim.
E então ele, remontando os efeitos às causas, "Espera aí, se isto é um efeito inteligente, tem que ter uma causa inteligente. A mesa não tem inteligência, então deve haver uma inteligência que age sobre a mesa para se comunicar". E depois foi por aí fora.
Porque o Allan Kardec não era o nome dele.
Era o professor Hippolyte Rivail.
Ele era professor, exatamente. Segundo eu me lembro, houve muitos dos casos que eram fraude. Mas ele observou que havia uma grande parte dos casos que não tinha realmente explicação pra aquilo acontecer.
Sim, a grande maioria. Aliás, a fraude existe em todo lado.
Sim.
Em qualquer área. Na área da medicina, na área das ciências, da filosofia, em todo lado. Onde houver seres humanos com pouca ética.
Exato. Há fraude.
E pouca moral, há uma tendência pra.
Sim.
No entanto, o importante é a pesquisa dos fatos, a identificação dos casos e a conclusão de que, de fato, eles são reais. Por exemplo, Allan Kardec quando começou as suas pesquisas, ele apercebeu-se de que havia pessoas que, isto resumindo muito rapidamente, que havia pessoas que de certo modo funcionavam como agentes desses fenômenos, que são os médiuns. Que entravam em transe e escreviam. E então ele começou a pesquisar, por exemplo, fazia uma pergunta aos espíritos, metia essas perguntas em envelopes lacrados. E os médiuns respondiam, os espíritos respondiam às perguntas através dos médiuns, só depois é que se ia ver qual era a pergunta. E muitas vezes acontecia também De ele pedir a pessoas que fizessem perguntas, pusessem em envelopes lacrados. No tempo, toda gente tinha o seu lacrezinho com o seu nome, e que ninguém sabia dali dos presentes. Outras vezes havia as chamadas comunicações cruzadas, em que os espíritos davam metade da comunicação e diziam: "A segunda parte da comunicação está na rua tal, vão ter com fulano tal, que é médium".
Faziam um rally paper.
Não, era comunicações cruzadas. E as pessoas iam àquele endereço: "Olha, mora aqui fulano tal". "Você tem aqui uma comunicação?" "Por acaso, tenho." Juntavam as duas. Há imensas provas da imortalidade da alma. Daí que nós tenhamos como brincadeira dizer que Allan Kardec matou a morte, porque há uma diferença grande entre o dia 18 de abril de 1857, que foi o dia do lançamento do "Livro dos Espíritos" pela primeira vez. Há uma diferença grande entre o antes e o depois. Antes de 1857, acreditava-se na vida para além da morte, era uma crença cega das religiões tradicionais. Depois de 1857, não é preciso acreditar na vida para além da morte, porque ela está comprovada. E curiosamente, essas assertivas que Kardec encontrou e apresentou ao mundo, têm vindo a ser repetidamente confirmadas, cada vez com tecnologia mais avançada, até os dias de hoje, 2025.
Antes de irmos a essa questão, estavas a falar do "Livro dos Espíritos" e é muito curioso, porque o "Livro dos Espíritos", segundo Allan Kardec, é uma comunicação com o Espírito da Verdade.
São vários.
Sim, são vários.
Há um dos espíritos que assina algumas mensagens como o Espírito de Verdade.
De verdade.
Que não é um espírito, seria um conjunto de espíritos superiores.
Exato.
Que despersonalizavam as suas, em vez de dizer: "É o Raminhos, é o Lucas". Fazendo parte de um grupo.
É um coletivo.
Um coletivo, exatamente.
O que eu acho curioso no livro é que nós vamos ver, como eu estava a dizer no início, tu vês muitas religiões, tirando talvez o budismo, eu não conheço muito bem, mas o budismo, o hinduísmo, também acredita na reencarnação. O budismo, hinduísmo. Mas depois tu tens a religião católica, tens as igrejas evangélicas. Mas o principal argumento de quem não acredita, dos ateus, é: como é que pode existir Deus se permite que certas coisas aconteçam, ou que haja crianças deficientes, ou que haja guerra, ou o que quer que seja. E a verdade é que eu, ao ler o "Livro dos Espíritos", que já recomendei a várias pessoas até que são ateus, mas com quem eu falo e gostamos de debater estes temas. Ao ler o "Livro dos Espíritos", se entrega toda a responsabilidade à pessoa, à alma, ao espírito, ao nosso espírito encarnado. E uma pessoa lê o "Livro dos Espíritos" e independentemente se acredita que aquele seja um espírito ou não, comunicar aquilo faz sentido. Isso pra mim é o mais surpreendente, é que as respostas são lógicas.
É porque o "Livro dos Espíritos" é onde está toda a filosofia espírita, toda a ideia espírita. E essa ideia assenta nas leis naturais. O que o espiritismo nos diz é: quem somos, de onde viemos, para onde vamos, o porquê das dissemelhanças. Aquilo que referia, por que o meu vizinho do lado direito tem um cancro e o do lado esquerdo não tem? Por que o vizinho do lado direito, o filho morreu aos cinco anos e o do lado esquerdo, não? Toda essa dissemelhança de oportunidades só se encontra uma explicação na reencarnação. Reencarnação que sempre foi crença da humanidade, há relatos desde o tempo de Sócrates.
No antigo Egito, já se falava da reencarnação.
Exatamente. Só que de outra maneira. No tempo dos primeiros cristãos, chamava-se ressurreição. A palavra reencarnação aparece mais tarde, não se sabe bem quando. Mas a ideia estava lá bem inserida. Então aquilo que o Raminhos refere, e muito bem, é que o "Livro dos Espíritos" é um livro pra ler com sentido crítico. Porque é um livro que esclarece e consola. Quer dizer, na medida em que esclarece, a pessoa entende o porquê das coisas. Quando as pessoas dizem assim: "Deus é mau porque Deus permite isso". Não, nós não temos uma visão antropomórfica de Deus, aquele velhinho de barbas. Não. Nós não sabemos o que é Deus.
Sim.
A definição que os espíritos deram de Deus é fantástica. Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. É até onde a nossa capacidade de filosofar consegue ir neste momento.
Que é pouca.
Que é muito pouca, é diminuta. Quer dizer, nós dos efeitos remontamos às causas. Nós pela marca de um relógio ou de um fio de ouro, um Rolex, por hipótese. Não é o seu caso.
Não.
"Isto é um relógio espetacular", tem esta fama, etc. E pela assinatura do autor, nós vemos a obra. Eu deleito-me, por exemplo, agora nesta altura da primavera, verão, deleito-me com as papoilas Não é só por serem vermelhas, a cor do Benfica, que agora está um bocadinho pelas ruas da amargura, mas não vamos falar disso.
Sim. Isso é para outra reencarnação.
É para outra reencarnação. Mas as papoilas, eu encanto com aquilo. Aquele ser frágil, ser vivo frágil. É tão frágil que se torna forte. Tem um caule fininho. Além de encantar as pessoas com aquela coloração vermelha e dar vida aos campos. Com um vento forte ela não parte, porque ela permite-se dobrar, vergar. E as árvores de tronco grande, forte, não vergam. "Eu não vergo!" E elas quebram e são arrancadas pela raiz. Então nós vemos sublimes ensinamentos na natureza. E diz assim: "De onde é que isto veio?" Até a melhor explicação do ponto de vista filosófico, só pode ter tido uma causa inteligente. Chamemos-lhe Deus, Alá, força cósmica, energia criadora, o que quisermos, isso é irrelevante. O importante é ter essa consciência que o espiritismo nos traz, que o universo é um amplo oceano que Deus criou, onde nós estamos mergulhados e cujas ondas se chamam amor. E nós estamos a aprender a navegar no meio dessas ondas.
A navegar nesse amor.
É. E nesse grande oceano chamado amor, existem várias escolas, com vários níveis de ensino. Uma delas é a Terra.
Eu costumo dizer, quando perguntam porque eu acredito nestas coisas ou como eu acredito, ou como eu consigo pensar sobre isto. Eu digo muitas vezes que o mundo espiritual é mais simples e mais complicado do que se pensa.
Sem dúvida.
Por que é mais simples? Porque é um ato contínuo, no sentido em que nós quando morremos, quando teoricamente desencarnamos, não deixamos de ser nós e o processo evolutivo continua e continuamos com as nossas vidas num outro plano, a continuar nossa própria evolução. E é mais complicado, porque ao mesmo tempo, isto é uma ideia que devido à nossa cultura, à sociedade, às vezes é muito difícil de encaixar. Não é?
É, porque nós temos aqui no planeta Terra, é um planeta que os espíritos catalogam de provas e expiações. Onde há mais pessoas más do que boas. Portanto, daí ser um planeta onde há muito sofrimento. Ainda há muitas guerras. Vemos o caso em pleno século XXI, os senhores da guerra. É uma coisa completamente estúpida e disparatada, andarmos a matar uns aos outros por causa de um bocado de terreno. Nós vivemos todos 8 mil milhões encarnados no corpo de carne. Há cerca de mais 17 mil milhões, segundo os espíritos dizem, que fazem parte da Terra e que vivem no mundo espiritual. Mas imaginemos que a Terra é uma nave. E nós estamos a fazer uma viagem. Seria tão estúpido nós numa viagem de avião daqui para o Brasil, começarmos a luta dentro do avião, porque eu tenho o meu lugar em primeira, mas quero o outro em segunda.
Mas a verdade é que a malta que anda.
E andam. Eu quero dois lugares em que em vez de um eu quero me deitar e o outro tem de ir a pé. Seria estupidez pôr em risco a viagem. Por causa do egoísmo. E é isso que acontece na Terra. Nós na Terra temos nichos de povos evoluídos, menos evoluídos e medianamente evoluídos.
Por exemplo, tu estavas a falar de nós navegarmos nessa questão do amor. Como é que o espiritismo lida com a questão do mal? Porque se a justiça é divina e perfeita e todos reencarnam para evoluir, por que há sofrimentos tão desiguais? Tem a ver com a reencarnação.
Sim, o mal é a ausência do bem. Só é mau quem ainda não descobriu o bem. O prazer de fazer bem, o prazer de ser útil ao próximo, o prazer de servir sem esperar nada em troca. Este planeta, o planeta Terra. Os espíritos dividiram os planetas no universo inteiro em cinco tipos. Os primitivos, onde se dão as primeiras reencarnações, mais primitivos que os nossos povos primitivos, esses já são mais evoluídos. Depois, planetas de provas e expiações, onde está a Terra, onde o mal sobrepõe ao bem. Depois, planeta de regeneração, que será a Terra neste milênio, no terceiro milênio, onde o bem se sobrepõe ao mal. Depois, os planetas felizes e os celestiais ou divinos. E cada planeta vai albergar seres espirituais, pode ser com este corpo na Terra, noutros planetas pode ter três orelhas e dois narizes e só uma perna.
Outros nem sequer têm este corpo.
É. A morfologia e a densidade da mesma vai ser adaptada à evolução do planeta. Mas o essencial é o espírito humanoide que nós conhecemos, é o mesmo, só altera a parte de fora. É tal e qual como o Raminhos. Está aqui neste contexto, está de t-shirt, uma t-shirt assim um bocado provocador. Mas se for para uma cerimônia, põe um fato e gravata. Se for pra praia, põe um fato de banho. E não deixa de ser o Raminhos, só muda a parte de fora, o contexto ambiental. Também nós, espíritos imortais, mudamos a nossa parte de fora conforme o contexto em que estamos. Neste momento, temos este corpo palpável Energia condensada. Quando o nosso corpo de carne morre, nós continuamos a viver com o nosso corpo espiritual, que é igual a este, só que noutro estado da matéria.
Outra ideia que me leva a definir o mundo espiritual como mais simples e mais complicado, é o fato de eu ler em muitos casos, e o Chico Xavier falava disso, e outros médiuns muito conhecidos falavam disso, que há muitas pessoas, quando desencarnam, nós quando desencarnamos e que vamos para o mundo espiritual, há um período próprio de adaptação ao mundo espiritual. Que pode passar pela ideia que nós temos de hospitais, de sítios onde estamos a recuperar. E às vezes eu falo disso e as pessoas riem: "Como é que isso é possível?" Mas se nós formos ver, faz sentido. Porque se nós somos energia e o meu corpo e a minha mente está habituada a um registro, se eu de repente passo para outro registro, tem que haver um período de adaptação.
Sem dúvida.
E isto é físico, é quase científico.
Sem dúvida.
Não é?
Allan Kardec refere isso no livro "A Gênese". Ele diz que depois da morte há um período de perturbação.
E depois é isso.
Perturbação que é aquele tempo entre largar o corpo de carne e a pessoa não se--
E os vícios.
E a pessoa não se aperceber que já está do lado de lá. A grande maioria das pessoas que se comunicam nas nossas reuniões espíritas mediúnicas, eu diria 60%, 70%, não sabem que faleceram, porque foram mal educadas do ponto de vista espiritual. Somos maioritariamente católicos em Portugal, eu também já fui, foi a educação que tive. E as pessoas aprendem que vão para o céu, inferno ou purgatório. Quando se apercebem que estão do lado de lá, veem-se com o seu corpo espiritual. Como nunca ninguém lhes falou nisso, ou o perispírito. Como nunca ninguém lhes falou nisso, elas pensam que é o corpo de carne. Então voltam pra casa. Vão pra casa, sentam-se à mesa, ninguém fala com eles, ninguém lhes põe de comer. E eles aparecem irritadíssimos nas reuniões. "Epá, o que é que se passa comigo? Estão todos zangados comigo." Então, tem de haver uma pedagogia nessa conversa, explicarmos. Eles começam a ver os benfeitores espirituais, aquilo que os católicos chamam anjo da guarda.
Sim.
São guias espirituais. Começam a ver os familiares, os amigos, que vêm e dizem: "Espera aí, mas ele já está morto. Eu também estou morto?" Diz assim: "Não, você está a falar comigo, não está morto." "Epá, isso é uma boa notícia. Mas se eu estou a ver..." "Olhe, vamos conversar." É melhor não dizer que ele está morto, senão morre mesmo de susto. E vão conversar. E, por exemplo, este livro que referiu.
Os "Fatos Espíritas em Portugal".
Tem 15 casos de manifestações espontâneas espíritas que aconteceram no nosso centro e em todo o país, que nós pesquisamos. Nós não ganhamos um cêntimo com o livro.
É mentira, o José cobrou 20 euros por este-- não, estou brincando.
De maneira nenhuma. O livro é da Federação Espírita Portuguesa, portanto, é um livro low cost, não objetiva o lucro.
Sim, mas é muito interessante. Eu já li, é muito fácil de ler, porque são casos.
É uma coisa que é importante dizer. Quem é espírita não pode ganhar dinheiro com o espiritismo. Tem as suas profissões. Eu fui militar, outros são humoristas, outros são médicos, outros são agricultores. Nas horas vagas, dedicam-se ao estudo, à prática e à divulgação do espiritismo gratuitamente, sem qualquer interesse. Isso é um crime de simonia, cobrar com as coisas divinas, porque os bons espíritos não nos cobram. Com que direito é que nós vamos cobrar?
Sim.
E os bons espíritos dizem-nos sempre: "Nós devemos ter uma atividade na sociedade que se enquadre no contexto social. E esta tarefa da espiritualidade é dar de graça o que de graça se recebeu. Fora da caridade, não há salvação". Isto é, ajudar as pessoas com o prazer de ser útil.
Independentemente do credo, do sexo.
Tudo.
Do que quer que seja.
Aliás, há bocado o Raminhos falava numa coisa muito interessante, as religiões. Eu gostava de comparar, para as pessoas perceberem bem. O espiritismo não é melhor nem pior do que as religiões tradicionais. É diferente. Digamos que as religiões são um aquário onde o peixinho está dentro do aquário. E o espiritismo é o oceano onde o peixe está dentro do oceano e diz assim ao do aquário: "Epá, salta pra aqui que os horizontes são enormes." E eles assim: "Não, eu estou bem aqui". Porque as religiões tradicionais, sem qualquer desprezo, por amor a Deus, são seitas. Isto é, seitas etimologicamente significa "separado de". A católica está separada dos protestantes, os protestantes dos budistas, etc. É como os clubes de futebol, como os partidos. É a minha seita. O espiritismo não aponta nesse sentido. O espiritismo é universal e universalista. Aponta no sentido da espiritualidade, não da religião. Isto é, da nossa ligação com o divino. Quando eu me preocupo em ter prazer em fazer algo de útil ao Raminhos, mesmo sabendo que o Raminhos é contra mim, eu estou a exercer a caridade no seu mais alto expoente.
Eu já li, eu não sei se isto é verdade ou não, mas eu lembro-me que nos primeiros anos da igreja, falava-se de reencarnação e acreditava-se na reencarnação, mas na altura num convênio, acho que era um concílio Foi mandado retirar as referências à reencarnação exatamente porque acreditar em reencarnação e na lei da causa e efeito era obrigar que as pessoas fossem boas. E há pessoas que não querem ser boas. E então é muito mais fácil tirar da vista. Longe da vista, longe do coração. Portanto, se nós não acreditarmos que não existe, eu posso continuar com a minha vida de opulência ou de ser rico, ou de só fazer bem quando me apetece, ou o que quer que seja, e não acreditar nisso.
Foi um retrocesso evolutivo. Aliás, todas as grandes ideias sofrem desse retrocesso evolutivo. Jesus de Nazaré esteve na Terra, transformaram-no num mero líder religioso. Ele não foi nada disso. Foi o grande psicoterapeuta da humanidade, no dizer do espírito Joanna de Ângelis, que era o guia do médium Divaldo Pereira Franco. Jesus veio à Terra e disse assim: "Há 2025 anos, Raminhos. Vocês querem ser felizes? É fácil. Façam isto."
Sejam bons.
Não, basta só isto: não fazer ao próximo o que não querem que façam a vocês. E nós andamos há 2025 anos batendo com a cabeça na parede, o que denota que, de fato, somos pouco inteligentes. A reencarnação era uma ideia aceita pelos primeiros cristãos com o nome de ressurreição. Se nós virmos os textos de Jesus, a vida de Jesus, há muitos casos que sugerem reencarnação. Quando os apóstolos perguntam a Jesus sobre João Batista, sobre Elias, que havia de vir. Não, ele já veio.
Mas também há católicos que refutam isso e dizem que não.
Sim.
Que obviamente isso não...
Mas vamos ver. Essa ideia da reencarnação é abolida à força no Concílio de Constantinopla.
Pela mulher, não foi?
Em 533, se não me falha a memória. O imperador Justiniano, segundo consta a tradição, ter-se-ia apaixonado por uma dona de um bordel, uma senhora muito bonita. Com a teoria da reencarnação, essa prostituta mor teria as suas responsabilidades. Ainda hoje é assim. São elas que mandam lá em casa. Nós só dizemos a última palavra, que é: "Já vou!"
Exato.
E então o imperador Justiniano impôs que não se ensinasse mais a reencarnação, contrariamente aos pais da Igreja, como Santo Agostinho, Ovídio e outros.
Pedro, não.
Que tinham essa ideia. E os tempos dos primeiros cristãos, porque a Igreja só aparece no ano 300 e tal.
Sim.
Portanto, hoje em dia, a reencarnação nem é uma questão de crença ou de lógica, é uma questão científica. Comprovada cientificamente.
Essa questão científica, às vezes eu também abordo e as pessoas riem. Aliás, eu já trouxe este podcast aqui o Alexander Moreira-
Moreira-Almeida
...Moreira-Almeida, psiquiatra brasileiro, que tem um livro.
"Ciência da Vida após a Morte".
"Ciência da Vida após a Morte", que está publicado na "Lancet", que é uma das revistas mais conceituadas de ciência. E é um livro escrito por ele e mais três pessoas.
Mais um psiquiatra e um filósofo.
Exatamente. E o livro reúne todas, podem procurar aqui no podcast, o livro reúne todos os trabalhos científicos. São trabalhos científicos, não é, como se diz em inglês, "mambo jumbo". Não é tangas e não é suposições.
Sim.
Foram trabalhos que foram feitos em EQMs, em experiências de quase morte, trabalhos que foram feitos com médiuns, da faculdade onde o Ian Stevenson tinha o departamento.
Da Universidade de Virgínia.
Da Universidade de Virgínia, onde estudava a reencarnação. São fatos científicos, com números. Aliás, ele até fala de casos que foram colocados de parte exatamente por não poderem.
Não reunirem todos os passos do protocolo.
Todos os passos do protocolo. E eu acabo de ler aquele livro, e a única coisa que eu consigo dizer é: é impossível isto não continuar.
É aquilo que o Raminhos disse há bocado, foi uma delícia aquele seu pensamento, que é: o espiritismo é tão simples que as pessoas complicam, têm necessidade de complicar, têm necessidade de inventar. O espiritismo é simples porque tem a ver com as leis da natureza. É como ver, ouvir, falar, cheirar, tatear. É fácil, por quê? É simples. Nós estamos habituados a isso. De momento, ainda não estamos habituados a falar de espiritismo. Eu até sou da opinião que, por exemplo, Allan Kardec devia ser estudado como filosofia a partir do décimo ano, porque isso iria dar um background muito grande.
Porque é uma filosofia humanista.
E não é só isso, Raminhos. Por exemplo, nos centros espíritas onde há grupos de crianças e grupos de jovens, nós temos verificado que esses grupos de crianças, grupos de jovens que conhecem o espiritismo, depois quando vão para as suas vidas, para as universidades, casam, etc, têm uma maior resiliência perante os problemas da vida. Têm uma maior aceitação perante as dificuldades da vida, porque eles sabem que existe uma lei de causa e efeito, e que do átomo ao arcanjo, como dizia Allan Kardec, tudo se encadeia. Nada está desligado umas coisas das outras. Esse desconhecimento das leis da natureza e que o espiritismo apresenta como seus princípios básicos, é que faz com que a pessoa se indague. Deus não é justo. Mas por que Deus permite isso? Não. Nós temos o livre-arbítrio, caso contrário, nós não poderíamos evoluir. Só que nós temos duas maneiras de evoluir: ou evoluímos pelo amor.
A bem ou ao mal.
Ou pela dor. Exatamente.
Ou seja, um espírito está sempre em evolução.
Sempre. Nós podemos, quando muito, temporariamente estagnar, mas nunca retrogradar. Não podemos andar para trás. Daí aquela teoria da metempsicose, que é reencarnar como cão, como cobra, etc. Isso é tecnicamente impossível.
Então o que diferencia um espírito animal do humano? Nós não podemos ser animais e humanos e vice-versa?
Não.
E nunca fomos animais?
O nosso psiquismo, sim. Nós temos na escala evolutiva, conforme Charles Darwin falou, e o espiritismo complementa a teoria da evolução das espécies. Aliás, Alfred Russel Wallace foi muito mais longe do que o Darwin, porque ele conhecia a mediunidade. Ele contactava, falava com os espíritos, além de ter o know-how que o Darwin tinha, muito interessante. Mas ele era uma pessoa humilde e acabou por dar todos os louros ao Darwin e ficar na retaguarda, que é típico das grandes almas, das almas muito evoluídas. Perdi.
Estava a falar da nossa evolução.
A nossa evolução nos milhões de anos, o psiquismo divino. Nós somos criaturas divinas. Esse psiquismo divino vai se burilando ao longo dos milhões de anos, primeiro no reino vegetal, depois no reino animal e depois no reino hominal, e depois no reino angelical ou dos espíritos puros. E dizem os espíritos que entre nós humanos e o reino angelical dos espíritos puros, vai uma distância tão grande como entre nós e a do reino animal, que é de milhões de anos. Então, o animal não é um espírito. O espírito só existe quando entra no reino hominal, isto é, na primeira reencarnação como homem. No reino animal, ele não é um espírito, é um princípio inteligente com um corpo espiritual. Não tem as características do ser humano, do raciocínio contínuo, da dedução lógica, etc., embora tenha inteligência.
Mas há espíritos que, se calhar, podem comunicar através dos animais?
Não. Os animais não são médiuns. Isso é uma característica apenas do ser humano. Agora, o que acontece é o seguinte: os animais, nomeadamente os cães, os gatos, os cavalos, que se saiba, têm um espectro da visão física, do seu corpo, muito maior que o nosso, veem mais do que nós. Enquanto o nosso é pequeno, os cães e os gatos, às vezes conseguem ver o mundo espiritual.
Às vezes, o meu cão está a ladrar para sítios que não está lá nada.
E às vezes mordem o dono, não querem morder o dono, querem morder é o espírito que está por trás do dono.
Será?
Sim. Há muitas experiências disso.
Uma boa desculpa do cão.
Não, é muito raro isso acontecer, um cão morder o dono. Mas é uma possível explicação.
Mas muitas vezes acontece isso. O meu cão fica a olhar para uma parte da casa.
E os gatos.
E o gato também. Fica a olhar fixamente e nós ficamos assim: "O que ele estará a ver?"
Está a ver alguém.
Ou está a ver um rato, ou está a ver mesmo alguma coisa que não está lá.
É.
Que provas, que tipo de evidência ou experiências tu já viveste que consideras que realmente há essa existência dos espíritos? Algumas estão aqui neste livro.
Algumas estão nesse livro, "Factos Espíritas em Portugal", é um livro que tem interesse porque é universal e universalista, é para todas as pessoas. Ateu, agnóstico, católico, budista, porque relata casos que acontecem nas casas das pessoas. A maior parte das pessoas que vão ao centro espírita não são espíritas, são obviamente católicas. E vão pedir ajuda.
É isso. Vão por quê?
Porque têm fenômenos espíritas em casa. Muitas vezes os bons espíritos, os seus guias, permitem que esses fenômenos aconteçam para que eles vão ao centro espírita, se esclareçam. A partir do momento em que eles vão ao centro espírita, os fenômenos deixam de existir, porque o objetivo foi atingido, a pessoa ter contato com aquilo. Depois os bons espíritos dão o livre arbítrio à pessoa de investigar, de ir adiante ou não. Mas o nosso objetivo não é tornar as pessoas espíritas, isso seria ridículo.
Sim, porque senão era ser uma religião.
Não é fazer proselitismo, não. É divulgar a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos espíritos e a reencarnação, lei de causa e efeito. Quando nós tivermos consciência disso. Dizia o doutor Ian Stevenson, que foi o cientista que melhor estudou a reencarnação em todo o mundo, na Universidade de Virgínia.
Sim.
Doutor Ian Stevenson apresentou os seus trabalhos, se não me falha a memória, em 2002, no simpósio "Há Quem Além do Cérebro", organizado pela Fundação Bial Se não me falha a memória, estava lá o presidente Jorge Sampaio na abertura e o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago. Para vermos a respeitabilidade daquele evento, que existe de dois em dois anos, o simpósio Há Quem Há Além do Cérebro, no Porto, na Casa do Médico. Ele não era espírita. Eu acho que ele até era da orientação metodista, não tenho bem a certeza, mas espírita não era garantidamente. E ele pesquisou durante 40 anos crianças que se lembravam de vidas passadas. Cerca de 2500 casos pesquisados em todo o mundo. E ele dizia que desses 2500 casos, havia 800 que não havia outra explicação plausível a não ser a reencarnação.
E sempre de um ponto de vista científico.
Ele disse, nessa entrevista que deu à Notícias Magazine, que acompanha o JN e o DN. Acompanhava, não sei se ainda acompanha. Nessa altura, deu uma entrevista onde ele dizia que quando as pessoas interiorizassem o conceito da reencarnação, que haveria uma revolução cultural com impacto muito superior à revolução industrial. Isto por quê?
Porque vai passar a total responsabilidade para as pessoas.
E não só. Exatamente. Por causa das consequências ético-morais. Se eu sei que a vida continua, eu tenho essa consciência, tenho essas provas. Se eu sei que eu vou reencarnar na mesma condição, numa condição mais pobre ou mais rica. Se eu sei que vou colher aquilo que eu semeei.
Se matar, é muito possível que...
Vai deixar de haver Ricardo Salgados a roubar o povo, vai deixar de haver Putins, vai deixar de haver Trumps, vai deixar de haver pessoas belicosas, os senhores da guerra vão acabar. O planeta vai se transformar gradualmente num planeta de provas e expiações, onde o mal se sobrepõe, para um planeta de regeneração, onde o bem se sobrepõe. Como? Por aquilo que Jesus falava, o fim dos tempos, que é o que estamos a viver agora. O planeta não vai acabar, porque o planeta é um jovem, ainda está nos seus 20 anos de idade. Agora, o fim dos tempos é os fins dos tempos de iniquidade moral e material, onde os espíritos inferiores irão ser mudados de escolas, vão sair da Terra e vão reencarnar em planetas afins com o seu íntimo. Estão já a reencarnar na Terra espíritos muito mais evoluídos, pacificados, comprometidos com a paz.
Mas ainda assim, desculpe interromper.
Força. Posso roubar aqui um bocadinho de água.
Sim, claro. Ainda assim, o que estavas a dizer, o facto de existir espíritos inferiores e/ou obsessores, volta de novo para aquela ideia de o mundo espiritual é mais simples e mais complicado do que se pensa, no sentido em que nós quando encarnamos, continuamos a nossa vida no outro plano. E o facto de haver um obsessor, um espírito que impõe a sua ideia ou que suga energia ou que vive presa a ideias de quando estava encarnado, também revela muito, porque há espíritos que seguramente, se calhar, não querem evoluir, não têm esse interesse. Por isso é que são obsessores ou inferiores.
Alguns espíritos inferiores que estão no mundo espiritual não querem evoluir, porque a evolução vai obrigá-los a sentir, e isso provoca sofrimento. Então põem como se fosse uma barra, uma placa de ferro para não sentir. No entanto, a evolução é um imperativo da vida. E eles podem protelar a sua evolução durante centenas de anos, mas chega uma altura que reencarnam compulsivamente. E aí eles reencarnam pela dor. Pela dor, vão ter de se submeter às leis naturais para se libertarem gradualmente. É como aquela pessoa que tem um frúnculo. Mais cedo ou mais tarde, vai ter de ser lancetado.
Sim.
E ao ser lancetado, aquilo dói, mas é uma dor que provoca uma cura.
Sim.
No "Livro dos Espíritos", encontramos um capítulo muito interessante que é a lei de sociedade. Nós estamos tudo ao molho em fé em Deus, passe a expressão, para que aprendamos uns com os outros. Se o Raminhos for mais evoluído que eu, eu vou rever-me nos seus atos, nas suas atitudes, na sua postura, e vou tentar imitar para almejar um estado ético-moral melhor. E aqueles que me seguem na retaguarda vão me tentar imitar a mim. Então, além de nós nos ajudarmos mutuamente, o padeiro dá-nos o pão, nós compramos o pão ao padeiro, damos o dinheiro ao padeiro. Portanto, há a sociedade a conviver. A reencarnação tem por objetivo precisamente a evolução. Nessa ambivalência, desenvolvimento intelectual e desenvolvimento moral. E são essas as duas asas que fazem com que nós, espíritos, subamos e evoluamos espiritualmente em caminhos da felicidade, que é o estado espíritudo.
E depois há essa questão que é: grande parte de nós está cá porque decidiu estar cá.
Sim.
Em mútuo acordo com quem está do outro lado.
Aceitou reencarnar.
Aceitou e está nesse processo de evolução. E depois há os outros que muitas vezes estão cá porque são contrariados.
É, o meu caso foi e é sério, eu reencarnei contrariado.
Eu acho que não estás contrariado.
Reencarnei contrariado. Eu tive a oportunidade de fazer, por questões Médicas, regressão de memória, não por curiosidade, mas por necessidade. E de facto, as minhas dívidas do passado eram tão grandes que eu não queria voltar.
E agora vou ter que ir pra baixo.
Agora vais, e vais mesmo lá pra baixo. Mas agora já estou bem comigo próprio. A fase mais turbulenta já passou e eu hoje dou graças a Deus por ter voltado à Terra e poder ter aprendido alguma coisa mais. E tentar, dentro da minha inferioridade, ser útil ao próximo, servir o próximo. É fantástico.
Porque é essa a base.
É esse o objetivo da vida, é servir o próximo, mesmo que recebamos pedras depois. Nós pensamos assim: "Fulano está a ser muito bom". Não, que ideia, eu não sou bom. Nós somos todos aprendizes, crianças espirituais. Agora, o estado d'alma que flui dessa postura mental é fantástico.
Sim.
Porque traz-me calma, serenidade. Entendes, Raminhos?
E ao mesmo tempo, eu acho que, por exemplo, eu muitas vezes tenho obviamente invejas.
Todos temos.
Sim. Mas faz-me pensar nas invejas de outra maneira. Ou atitudes que eu tenho que possam ser menos boas, eu consigo pensar sobre elas e pensar mais.
E retificar.
Sim, de onde é que isto vem? Ou eu tenho que corrigir isto. Não é um sentimento muito bom que eu estou a ter neste momento, mas pronto, já o tive. Vou estar um bocadinho mais consciente em relação a isto. Ou seja, é uma questão de consciência, de estar presente.
Isso que o Raminhos referiu é muito importante. Há bocado.
Eu só refiro coisas importantes.
Quando disse que o espiritismo encosta-nos à parede.
Sim.
Porque o espiritismo não tem chefes.
É passar responsabilidade.
Não tem chefes, não tem hierarquias, não tem líderes. Então e agora, o que eu faço? Estava habituado a ter um padre, a ter um pastor que me orientasse. Agora tens que te orientar tu. E então nós sabemos, de per si, se estamos a fazer o bem ou o mal naquele momento.
É como a história do confessar. Aquela ideia do confessar ou de dar o dízimo sem real interesse de evoluir, porque muitas vezes havia aquele confessar e nós quando andávamos na catequese havia muito essa ideia.
Como ritual.
Ok, fizeste isso? Então vá, dois pais-nossos e um ave-maria. E pronto, está saldado. Pumba, carimbo. Já posso fazer mais outra vez. Ou o dízimo. "Fiz mal, vou dar o dízimo." Por isso é que eu digo que a filosofia espírita, mesmo que a pessoa não acredite e mesmo imagina que nada disso é assim, faz sentido, acaba por fazer sentido, nem que seja de um ponto de vista muito prático.
Eu achei piada, porque no último funeral que fui, de um familiar, e a minha família é um bocadinho grande e geralmente só nos reunimos e estamos dispersos.
É o clássico.
É o clássico. E no fim, as pessoas estavam tristes. Eu não percebo por que as pessoas ficam tristes quando alguém morre. Devemos ficar é contentes e bater palmas. "É, pá, porreiro, aos 90 anos, 91. Sim, senhor, olha, cumpriu a sua missão." Quem é que não fica contente de um familiar ter cumprido a sua missão, ter levado até o fim? "É pá, fogo, larga isto, agora vai pro mundo espiritual, que sejas feliz, tudo bem." Quando se morre mal, através do suicídio, aí é pior. Aí é diferente, não vamos bater palmas. Mas a morte natural faz parte da vida, é um ciclo, é a curva da estrada. A gente para além da curva não se vê até lá chegar, mas a estrada continua. E estávamos assim a falar à porta do cemitério sobre isso e um primo meu, que não sabe nada de espiritismo, dizia-me assim: "Ó Zé, essa tua ideia é fantástica, porque mesmo que não seja verdade, isso traz uma calma. Olha, estou interessado nisso". "Ó, lê 'O Livro dos Espíritos'." Aliás, eu costumo e deixo aqui um repto às pessoas: leiam "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Está disponível gratuitamente na internet, em PDF, todas as obras dele. Se quiserem comprar em papel, as livrarias tradicionais têm.
Sim, eu comprei na FNAC, por exemplo.
A Federação Espírita Portuguesa também vende mais barato online na sua loja.
E se são católicos, não tenham vergonha nem tenham medo.
Católicos, ateus, gnósticos.
É uma busca de conhecimento. E não tenham medo que esse conhecimento coloque em causa aquilo em que acreditam até então, porque pode mudar a vossa ideia ou não, mas é isso, é uma busca de conhecimento.
Eu costumo dizer assim: é uma boa oportunidade para oferecer no aniversário ou no Natal, "O Livro dos Espíritos". "Mas fulano não é espírita", e o problema já é dele.
O problema é pessoas que veem "O Livro dos Espíritos", lá está, pensam que é o livro de São Cipriano.
Não.
Que se dava nos anos 80, 90, nas bruxarias.
Não tem nada a ver.
Eu gostava que me desse um ou dois exemplos de casos, pode ser este que tens aqui no livro, mas de casos que não há dúvida de que aquela entidade estava correta e que existe mesmo. Tenhas vivenciado.
Temos tantos.
Porque há aqui uma questão que as pessoas que também podem colocar em causa, que é exatamente o, por exemplo, há o relatório de...
Scole.
Exatamente, o relatório de Scole, que teoricamente, ou alegadamente, foi feito com uma observação científica.
Sim.
Mas foi feito por dois casais, se não me engano, que dois eram médiuns e dois eram observadores.
Exato.
Mas há quem defenda, e eu acho que faz sentido colocar isso em causa, porque faz parte das coisas também colocar em causa, que Muitas vezes há uma própria vontade de que aquilo seja verdade. Então, condiciona-se, quase sem perceber, para se chegar a esse objetivo. E é essa a resposta. Estás a perceber o que eu estou a dizer?
Estou, perfeitamente. Allan Kardec apresentou ao mundo, em 18 de abril de 1857, o "Livro dos Espíritos" e apresentou os cinco pontos básicos, aqueles que falamos: Deus, imortalidade, comunicabilidade, reencarnação e pluralidade dos mundos habitados. Pluralidade dos mundos habitados é o único que falta comprovar cientificamente, embora qualquer miúdo de seis anos sente que os planetas são habitados, de um modo geral. Desde 1857, Raminhos, já contabilizei cerca de 200 cientistas de topo, desde 1857 até hoje, cientistas e pesquisadores, que foram pesquisar os fenômenos espíritas para demonstrar que eram falsos, que eram fraude, e que se tornaram seus adeptos. O casal Curry, Marie Curry, Pierre Curry, pesquisaram com uma médium italiana.
Sim.
Que não me recordo agora o nome, daqui a pouco já me vou lembrar. Foi muito pesquisada. William Crookes, o maior inventor do século XIX. Sir William Fletcher Barrett, físico. Tantos. São incontáveis. Se forem ao meu YouTube, publicidade à parte, que eu não ganho dinheiro com o YouTube, se pesquisarem José Lucas Espiritismo, tem lá essas palestras. São 17 palestras onde apresenta esses ícones da ciência desde 1857 até 2025, que recomprovaram todas as pesquisas de Kardec. Charles Richet, Prêmio Nobel da Fisiologia e da Medicina, que depois criou a metapsíquica. Joseph Banks Rhine, que depois criou a moderna parapsicologia, até os dias de hoje. E referiu, e muito bem, o fenômeno de Scole, que aconteceu no nordeste de Inglaterra entre 1993 e 1998. Mas atenção, há uma coisa muito importante que as pessoas não sabem: é que nos dois últimos anos, os espíritos disseram ao grupo de Scole, aqueles quatro que estavam fechados numa cave hermeticamente isolada: "Ok, podem chamar os cientistas". E eles foram, e houve três cientistas da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, famosa Society for Psychical Research, SPR, que é a mais conceituada a nível mundial. Foram três cientistas que acompanharam meticulosamente, durante dois anos. Um deles eu tive o privilégio de conhecer, o doutor David Fontana, professor de Psicologia da Universidade de Liverpool, professor convidado da Universidade do Minho e da Universidade do Algarve, curiosamente, e que pesquisava os contatos com o mundo espiritual através de aparelhos eletrônicos, a transcomunicação instrumental. Então eles elaboraram um relatório minucioso, que está disponível no YouTube, online, que é o Scole Report.
Sim, Scole.
Onde eles comprovaram tudo aquilo que Kardec tinha comprovado, mas já com aparelhos eletrônicos, inclusive com máquinas por infravermelhos, etc. Com materializações de objetos, com materializações de espíritos, com fenômenos luminosos, com telecinesia, movimento de objetos, toda uma panóplia de eventos. Entretanto, desde aí até agora, e referiu muito bem aquele livro do doutor Alexander Moreira-Almeida, que é psiquiatra, professor universitário e cientista, um dos maiores crânios a nível mundial neste momento, no que concerne à ciência e espiritualidade. Não há ninguém melhor no mundo neste momento. O mais completo. Talvez Harold Koenig, mas o Harold Koenig não tem o conhecimento de espírita que ele tem. Ele talvez seja a pessoa mais completa neste momento no mundo a fazer essa interface entre a espiritualidade e a ciência. E ainda agora ganhou um prêmio, o Oscar da Associação Americana de Psiquiatria, recebeu há cerca de uma semana nos Estados Unidos, precisamente pelo seu trabalho inovador e revolucionário nesse link entre a ciência e a espiritualidade. Então nós chegamos neste momento a uma altura, Raminhos, que temos cinco evidências, pra não dizer provas, que os cientistas não gostam, cinco evidências de que a vida continua. As experiências de quase morte, as experiências fora do corpo, as visões no leito de morte, a reencarnação e a mediunidade. Tudo isso bem pesquisado, com muito rigor científico. Basta procurar. Tenho muitas das minhas palestras que falam sobre isso. Em toda parte do mundo, se talvez 1% desses pesquisadores conheça o espiritismo, a grande maioria não conhece, e todos chegam às mesmas conclusões fazendo as mesmas pesquisas com diferentes casos.
E se vocês estão a ouvir isto e estão a perguntar: "Então por que não se fala mais disso?" Eu dou a resposta que deu o Alexander quando esteve cá e que tu também já abordaste aqui, que é: era uma mudança de paradigma tão grande que ia colocar muita coisa em causa. E isso faz com que a própria comunidade científica se sinta de alguma forma constrangida.
Mas neste momento, no século XXI, já vemos que aquele livro do doutor Alexander Moreira-Almeida, "A Ciência da Vida após a Morte", matou e enterrou, bem enterrado, o materialismo. Hoje em dia, quem disser que é materialista, está desatualizado Porque a física quântica já demonstrou que a matéria não existe. Tudo é energia.
Sim.
Isto é energia coagulada, nós apalpamos. Mas há outros estados energéticos que nós não conhecemos ou que não vemos com os nossos olhos. Mas, por exemplo, o estado energético no mundo espiritual é observado por alguns animais e algumas pessoas têm essa característica, os médiuns videntes. É uma característica "paranormal", entre aspas, que não é paranormal, é espiritual. E então, neste momento, nós temos cinco evidências fortes de que a vida continua e não temos uma única evidência de que a vida não continua. E então podemos dizer que a tese, a cosmovisão espiritualista está a dar cinco a zero à cosmovisão materialista. Porque hoje em dia, como diz o doutor Alexander Moreira Almeida, para ser materialista é preciso ter muita fé.
Exatamente.
Porque não há nenhuma evidência.
Exatamente.
E eu não preciso ter fé de que a vida continua, porque há milhares de evidências de que a vida continua.
Qual é que foi a melhor história que tu cruzaste nas vossas reuniões mediúnicas, que mais te surpreendeu?
Há várias. Há histórias deliciosas, há histórias muito interessantes. Por exemplo, estivemos um caso, estou-me agora a lembrar, de uma senhora que tem mediunidade e que foi pedir ajuda porque não se sentia bem, com uma forte dor aqui na nuca, já tinha ido aos médicos, dores de cabeça, já tinha ido aos médicos e não tinha nada. Disseram: "Isso é psicológico", etc. Mas não andava bem. E nós dissemos: "Ok, nós vamos fazer um pedido de ajuda nas nossas reuniões privadas". Não são secretas, são privadas.
Sim.
Qualquer pessoa minimamente preparada pode participar na reunião. E então fizemos um pedido de ajuda por aquela pessoa. E quando fazemos o pedido de ajuda, dizemos o nome, o endereço, etc. E só a pessoa que fez o atendimento individual e em privado, por acaso fui eu, nessa semana anterior, só essa pessoa é que sabe o que se passa do caso. Ninguém sabe, nem dizemos o que é que se passa para não haver uma contaminação, obviamente. E então, num dos médiuns presentes manifesta-se um senhor muito simpático. O senhor estava numa tasca, queria a todo o custo que lhe vendessem mais uma malguinha de vinho e ninguém falava com ele. Estava ali e tal. E então ele explicava. Aquele senhor já tinha morrido e continuava a fazer o seu ritual. Ia pro campo trabalhar na agricultura, depois ao fim do dia ia pra tasca, só saía de lá bem bebido e dizia ele: "Eu agora vou quietinho pra casa, entro de mansinho, deito-me assim num cantinho, que a minha mulher não dá por nada". Então ele dormia com a mulher, na cama. Contou pormenores interessantíssimos, por exemplo: "Ontem dei uma queda". À saída da tasca, tropeçou, tinha batido com a cabeça no lancil, tinha falecido, sem saber. E então, quando nós começamos a perceber que ele não sabia que estava morto, fizemos uma prece: "Olhe, você acredita em Deus e tal? Pense em Jesus, naquela figura meiga de Jesus. Jesus disse-nos que o meu reino não é deste mundo, a vida continua, já ouviu falar?" "Sim, aquela coisa dos padres e tal". Mas era um simples, uma pessoa encantadora. "Vamos pedir ajuda para que você possa entender o que está a passar". E entretanto, o médium destaca o espírito que se comunicava através dele, ficou assim: "Mas está ali fulano". E disse o nome de um indivíduo. "Mas quem é esse fulano?" "É meu amigo, é o fulano que morreu de acidente do trator ali na Serra do Rei, perto das Caldas da Rainha, em Óbidos." "Mas ele está morto? Como é que eu estou a ver?" Ele está bem disposto, está todo luminoso, está a chamar por mim, diz que eu preciso ir falar com ele. "Mas eu fui ao funeral dele." Quer dizer, ele foi em espírito ao funeral dele, não sabia que estava morto. Continuava a dormir na cama, quietinho pra mulher não o chatear por causa dos copos, passa a expressão. Deu todo um conjunto de informações que depois confirmamos com a senhora. Nós não sabíamos como é que o dono do trator se chamava, se tinha a ver com um acidente do trator ou não, o trator era branco, na Serra do Rei, tudo aquilo. Foi uma coisa impecável. E até que ele depois: "Mas o fulano está me a dizer que quer conversar comigo". "Olhe, vá conversar com ele". E ele foi. E então, sendo assim, eles depois começam a perceber que a vida continua.
É como se tivessem presos num loop, no tempo.
É.
Ficam presos numa faixa de tempo.
Numa monoideia. Ficam naquela monoideia, que foi a que nos ensinaram: céu, inferno, purgatório. Eles não veem o céu, acham que não devem ir pra lá. Não veem o inferno. Pensam assim: "Eu antes que vá pro inferno, vou andar por aí". E então andam por ali, vão pra casa.
Mas lá está, há uns que têm consciência que estão mortos e estão deliberadamente a incomodar pessoas ou viver.
Sim, sem dúvida. E há outros que estão conscientes de que estão do lado lá da vida e estão deliberadamente a ajudar-nos.
Sim, exatamente.
E a fazer muito bem.
Ou simplesmente a curtir, ou não?
É, outros são cuscos.
Lá está, é mais simples e mais complicado do que aquilo que nós achamos. Porque continua de uma forma natural
Sem dúvida.
Zé, eu gostava que deixasse aqui uma mensagem para quem nos está a ver e a ouvir, para terminarmos esta conversa. Que mensagem gostavas de deixar?
Olha, eu tenho uma frase como referência que estou a tentar implementar na minha vida. Já consegui várias vezes, mas nem sempre. Principalmente quando penso no Trump, no Putin e nos Trumps que por aí andam por esse mundo fora. Mas eu já fui pior do que o Trump. Certamente o Trump um dia será melhor do que eu. Portanto, temos de ter alguma caridade também, sem ser conivente com o erro, obviamente. Uma coisa é caridade, outra coisa é ser conivente com o erro. Mas a mensagem que eu gostaria de deixar às pessoas é: encantem-se com o espiritismo, com a ideia. Não se encantem com os espíritas, porque nós espíritas somos falíveis. Apesar de querermos ser melhores, às vezes ainda falhamos muito.
São humanos.
Somos humanos. E há uma frase que dizem que é um provérbio chinês, mas é tão bom que eu duvido que seja chinês, porque geralmente o que vem da China é fraquinho, que é: "O meu amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo". Esse é o grande desafio da humanidade. Nós aprendermos a pensar com os outros. Aprender a gostar do outro, mesmo que o outro não goste de mim. Aprender a gostar do outro, mesmo que o outro não pense como eu. O Raminhos não pensa como eu. Como não ser seu amigo? Se um dia vai mudar a sua opinião, se eu tiver certo, e eu vou mudar a minha opinião, se eu não tiver certo.
Ou podemos formar os dois uma nova opinião.
Um ponto de encontro mais tarde naquilo a que as pessoas chamam a verdade e que ninguém sabe o que é. Então é de fato essa a ideia. O meu amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo. Se nós conseguirmos pôr isso em prática e pormos em prática o que Jesus de Nazaré nos ensinou, fazer ao próximo o que queremos que nos façam, a vida vai mudar radicalmente. E já agora, aproveitem e leiam o "Livro dos Espíritos" de Allan Kardec.
Zé, muito obrigado por esta companhia e por esta hora. Quanto a vocês, espero que tenham gostado. Venham aqui aos comentários dizer o que acharam desta conversa, o que pensam em relação a este tema, se tiveram experiências estranhas em vossa casa, no vosso seio, e partilhem estas conversas para chegarmos a mais pessoas. Muito obrigado e até para a semana. Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza de que somos todos malucos.