Marcelo Rebelo de Sousa acredita existir uma “ligeira tendência de vitória do PS” nas próximas legislativas. No espaço habitual de comentário na TVI, Marcelo rebelo de Sousa considerou que António Costa, “que tem vindo a lutar pela maioria absoluta, está agora a lutar pela vitória”.

Referindo-se à última sondagem da Universidade Católica, divulgada esta semana e na qual a coligação surge pela primeira vez à frente do PS, Marcelo Rebelo de Sousa disse existir uma “tendência geral de grande aproximação ou de empate técnico” entre o PS e o PSD, o que não acontecia “há quatro ou cinco meses”.

Para o comentador, um dos motivos que explica essa aproximação é a situação na Grécia, que está “a pesar em cima do Partido Socialista”. “António Costa tomou posições muito ziguezagueantes” em relação ao governo grego — “umas vezes simpático, outras vezes menos”. Em termos de posição, face aos outros partidos, o PS “está a meio da ponte”, considerou o comentador. “As pessoas têm medo que aconteça o mesmo que na Grécia”.

Para além disso, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que António Costa tem “dois problemas com os quais tem tido dificuldade em lidar”. Em primeiro lugar, trata-se de “um homem muito isolado do partido, muitas estruturas não se reconhecem nele”. “Tem andado sem equipa, anda sozinho a fazer campanha pelas ruas do país. É um one man show“, explicou o comentador. Em segundo lugar, o comentador acredita que o líder do Partido Socialista tem tido um discurso muito instável e que “ou vai para o centro ou vai para a direita”.

“Ele sabe que, sendo eleito primeiro-ministro, tem de governar ao centro, tem de aceitar muita coisa da Europa, muitas limitações. Mas também precisa de votos à esquerda. Precisa de dois discursos contraditórios — um discurso ao centro, para governar, e um discurso à esquerda para ganhar votos”.

Em relação às listas de deputados, o comentador acredita que Passos Coelho “tem uma coisa contra ele, que é as carinhas dos ministros e deputados à frente das listas de todo o país”. Mas António Costa também não está livre de problemas. Precisa de “gerir as sensibilidades das listas do PS” entre seguristas e socráticos. “Qualquer um deles tem uma tarefa difícil”, concluiu o comentador.

No comentário desta semana, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a falar do caso José Sócrates. Em relação à rejeição do Supremo Tribunal de Justiça do pedido de habeas corpus, o comentador defendeu que este nunca poderia ser acolhido, porque “não tem senso nenhum”. Em relação à rejeição do recurso apresentado pela defesa do antigo primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, apesar de representar “mais uma derrota em termos políticos” para Sócrates, “significa um pequenino passo”, porque politicamente “dá para mais um ruído que dá para contaminar a campanha socialista”.

“Se for libertado daqui a três meses, José Sócrates vai dizer o que pensa da Justiça em geral. E irá certamente influenciar a campanha socialista”.