A PT Portugal confirmou que está a estudar com o Governo a instalação de uma rede subterrânea para viabilizar a comunicação em situações de emergência. “Foi-nos lançado o repto para a instalação da rede em infraestruturas subterrâneas e estamos a trabalhar com a tutela nesse sentido”, declarou Alexandre Fonseca, administrador da operadora. E, reforçou, “a PT entregou uma proposta técnica de criação de redundância dessa rede”.

A informação foi confirmada por Alexandre Fonseca numa conferência de imprensa da operadora controlada pela Altice na tarde desta quinta-feira, agendada para fazer o balanço do trabalho das equipas da PT na reposição dos serviços de comunicações de emergências durante e após os incêndios em Pedrógão Grande e nos municípios vizinhos. A PT Portugal é acionista da sociedade gestora do SIRESP e também é a fornecedora da infraestrutura usada nas comunicações de emergência.

De acordo com o balanço apresentado pela empresa, esses fogos queimaram 12 mil postes, tendo ainda ardido mais de mil quilómetros de cabos, entretanto repostos em cerca de 100 concelhos. “Detetámos vulnerabilidades de integridade perante cenários de fogo e altas temperaturas”, concluiu a empresa, pelo que a criação de condutas para proteção das redes seja agora a opção em estudo. “Somos parte da solução na melhoria e eficácia dessa solução, temos alertado para essa necessidade”, reforçou. O relatório e contas de 2016 da sociedade gestora, noticiado pelo Observador, revelava que tinham sido feitos alertas ao Governo para o estado de conservação de várias infraestruturas que são responsabilidades do Estado.

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Apesar das acusações de falha nas comunicações recentes da rede do SIRESP – criada para situações de emergência -, a empresa recusa qualquer erro ou responsabilidade no funcionamento dessa rede. “Não houve falhas na rede SIRESP”, garantiu o administrador da PT, reforçando que as declarações de hoje não são sequer uma resposta ao Governo. A declaração pública feita hoje, dois meses depois dos fogos iniciados em Pedrógão Grande, justifica, é um balanço: “Falamos hoje e só hoje porque era um dever que tínhamos para com o país. E porque quem define o nosso tempo somos nós”, rematou.

A PT tem sempre debaixo de fogo por causa das falhas no funcionamento da rede de comunicações de emergência. Em entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro, António Costa, responsabilizou a empresa pelo que classificou como o “colapso do SIRESP.

António Costa responsabiliza PT pelo “colapso” do SIRESP

Sobre as falhas de comunicação durante as operações de socorro e combate aos fogos, o administrador da PT assegura: “Fizemos tudo o que era suposto fazer. Temos a firme convicção de que a PT tem cumprido e superado com todos os níveis de serviços contratados pela SIRESP SA”, declarou Alexandre Fonseca, responsável pela gestão da área tecnológica da operadora de telecomunicações.

De acordo com Alexandre Fonseca, as intervenções decorreram “em mais de uma dezena de distritos e perto de uma centena de concelhos”. Só na “Operação Pedrógão Grande”, que abarcou seis concelhos da região Centro e uma área ardida de 53 mil hectares, a PT registou mais de 500 quilómetros de cabo de cobre e de fibra ótica ardida (de um total de 1.350 quilómetros de cabos em traçado aéreo que a empresa tem na região), pelo que “mobilizou, de forma imediata, mais de duas centenas de pessoas e 100 viaturas para o terreno”, tendo em conta “a dimensão dos fogos e os cerca de 13 mil clientes existentes nesta área”.

“Resultaram destes esforços a recuperação de 98% dos nossos serviços num período de quatro dias e meio, com ações de recuperação a decorrer ainda com fogos ativos”, afirmou, salientando que “a esmagadora maioria da rede e dos serviços foram recuperados em menos de uma semana”.

Além de Pedrógão Grande, foram feitas intervenções “em menor quantidade” nos concelhos de Mação, Ferreira do Zêzere, Sertã, Gavião, Castelo Branco, Tomar, Mangualde, Oliveira do Hospital e nos demais concelhos afetados pelos incêndios nestes últimos meses.

A PT/Altice realçou ainda a cedência de mais de uma dezena de telefones satélite e a colocação em pontos estratégicos de 17 unidades transportáveis de rede móvel para uso e apoio dos autarcas de freguesia para servir as comunidades locais, os centros de saúde e extensões de saúde, polos da Segurança Social, municípios e outros organismos de serviço público, “mesmo que não clientes da PT”.

O responsável destacou ainda que “o denominador comum da operação no terreno foi sempre, quando possível, a rápida reposição do serviço, o aumento da resiliência em pontos-chave e a criação de redundâncias adicionais a esta quando [a empresa se deparou] com inequívocas impossibilidades”.