Autárquicas 2017

PCP: a culpa é sempre dos outros

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A derrota autárquica do PCP tem outras explicações, nomeadamente o facto de os autarcas eleitos por este partido não serem todos “santinhos” e não estarem livres da acusação de corrupção ou compadrio.

O Partido Comunista Português pode ser sempre “coerente” até ao fim, mas não tem o direito de passar um certificado de ignorância ao número crescente de portugueses que não os querem ver no poder, nem mesmo nas autarquias.

Trata-se de uma autêntica paranoia: os culpados da desgraça dos comunistas são sempre os outros, eles nunca o poderão ser porque têm “a história do seu lado”. Foi assim, continua a ser e assim será.

Conhecidas as perdas do PCP nas autárquicas, entre as quais estavam “pérolas” como Almada, Barreiro e Beja, o seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, no lugar de reconhecer a derrota e tirar as devidas conclusões políticas, decide acusar os portugueses de terem optado erradamente.

“Sobretudo uma perda para as populações que não demorarão a perceber o quão errada foi essa opção”, declarou o dirigente comunista, acrescentando que “é uma perda para os direitos e condições das autarquias, para o ambiente, para a cultura, para a participação democrática”.

Vamos ficar à espera que apareçam os numerosos arrependidos.

Depois dos resultados desastrosos, Jerónimo de Sousa, tal como fez Pedro Passos Coelho, dirigente do PSD, colocaria o seu lugar à disposição e convocaria os seus camaradas para um congresso com vista a analisar as causas dos fracassos e as vias de os superar. Uma decisão dessas poderia efectivamente aumentar a participação democrática, pelo menos dentro do PCP.

Mas não o fará, a julgar pelas suas posteriores declarações, estas já mais habituais: “não se pode omitir o quadro de hostilização que acompanhou a intervenção do PCP e da CDU ao longo dos últimos meses e a sua negativa influência na afirmação do nosso trabalho”.

Além disso, ele justifica a derrota com a “campanha sistemática de ataque anticomunista que, com pretextos diversos, procurou avivar preconceitos, atribuir ao PCP posicionamentos e valores que não são seus”.

Que terá aqui em vista Jerónimo de Sousa? Que posicionamentos e valores serão esses? São, por exemplo, o apoio a “ditaduras populares” como são a Coreia do Norte, Cuba ou a Venezuela, ou o aplauso de regimes corruptos como Angola? Estes posicionamentos não são os do Partido Comunista? A sua direcção e o seu principal jornal “Avante” não se cansam de defender todos esses e outros “anti-imperialistas”. Não importa que um desses regimes, o de Pyongyang seja um perigo para a paz mundial, o principal é que desafie os norte-americanos.

Não compreendo também o que significa as seguintes palavras do dirigente comunista: “acção persistente de desvalorização do papel do PCP na vida política nacional, silenciando a sua atividade e iniciativas, incluindo dando a terceiros e projetando noutros o que era o resultado da sua iniciativa e trabalho”.

Tratando-se de eleições autárquicas, aquelas em que os candidatos estão mais próximos dos eleitores, não sei como será possível esconder dos habitantes das cidades perdidas pelo PCP o trabalho dos seus autarcas. Existem tantos meios de fazer chegar a informação aos munícipes!

Jerónimo de Sousa e outros dirigentes comunistas continuam a vender a ideia de que não há melhores e mais competentes autarcas que os eleitos pela CDU e que os eleitores é que são uns ingratos ou se deixam levar pelas campanhas anti-comunistas.

Mas a derrota autárquica do PCP tem outras explicações, nomeadamente o facto de os autarcas eleitos por este partido não serem todos “santinhos” e não estarem livres da acusação de corrupção ou compadrio. Além disso, eles não encontram propostas novas para apresentar e os munícipes podem exigir mudanças.

Sendo assim, deixo aqui um conselho: os dirigentes e militantes comunistas devem continuar a ser “coerentes”. Não mudem de políticas e de ideias, continuem fiéis ao “marxismo-leninismo” e a outros dogmas do passado! Essa será a via mais rápida para o suicídio político. Em democracia, cada um tem direito a escolher “a corda com que se enforcar”.

P.S. No comentário anterior publicado no Observador, cometi um lapso ao escrever o apelido de Francisco Louçã, ao qual apresento as minhas desculpas.

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