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O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje que Bruxelas está preocupada com a tendência demonstrada pelas eleições europeias deste domingo e atribui as “culpas” à falta de emprego que permitiu o crescimento do populismo na Europa.

“Claro que estamos muito preocupados com esta tendência. Já sabíamos desta tendência antes, claro. Mas é difícil encontrar um fator para explicar, porque a situação é muito diferente de país para país”, afirmou Durão Barroso, que falava durante uma conferência organizada pelo Banco Central Europeu, em Sintra.

Para o presidente da Comissão Europeia, não se pode fazer uma generalização fácil, porque os resultados são diferentes de país para país. No entender do ex-primeiro-ministro português, os resultados demonstram uma tendência que é mais profunda do que a atual crise, relembrando os resultados das eleições presidenciais francesas de 2002, quando Jean-Marie Le Pen foi à segunda volta contra Jacques Chirac.

Durão Barroso considera que a questão está mais centrada na falta de emprego em muitos países e de um sentimento crescente contra emigrantes. Além disso, refere, não foram só os movimentos extremistas de direita que ganharam eleições ou que cresceram, também subiram movimentos mais extremistas de esquerda.

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“Este é um solo mais fértil para o populismo, para o nacionalismo e para o extremismo. (…) É da responsabilidade dos líderes produzirem resultados”, afirmou.

“Precisamos, na Europa, de uma forte cooperação entre Paris e Berlim. Sem isso, simplesmente não funciona”, afirmou Durão Barroso.

Durante os anos mais agudos da crise, os líderes da Alemanha e França, em especial enquanto Nicolas Sarkozy foi presidente de França, foram muito criticados por tentarem tomar decisões pelo resto da Europa, mas, para o presidente da CE, este eixo é essencial à política europeia.

“Precisamos, na Europa, de uma forte cooperação entre Paris e Berlim. Sem isso, simplesmente não funciona”, afirmou, apesar de pensar que só essa ligação não chega. “Espero que o que já foi entendido por muitos entre o que é uma divergência económica entre França e Alemanha, não se torne numa divergência política”, disse ainda.