Os líderes europeus deverão aprovar o nome de Jean-Claude Juncker para presidente da Comissão Europeia já esta sexta-feira, depois de ontem a chanceler alemã ter desdramatizado a oposição do Reino Unido. A situação da Ucrânia também fará parte da agenda deste segundo dia de Conselho Europeu.

Os trabalhos desta sexta-feira arrancam com a assinatura dos acordos de associação da União Europeia com a Geórgia e a República da Moldávia e da parte remanescente do acordo de associação com a Ucrânia, seguindo-se até ao final da manhã uma discussão sobre o ciclo anual de coordenação de políticas económicas, o semestre europeu de 2014, políticas de justiça e energia.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, irá dirigir-se ao Conselho Europeu antes do início do almoço dos líderes europeus, que se prevê longo, devido às discussões sobre a situação na Ucrânia e do nome do candidato que irão submeter ao voto do Parlamento Europeu para liderar a Comissão Europeia nos próximos cinco anos.

Na quinta-feira, primeiro dia de trabalhos, os 28 chefes de Estado e de Governo da União Europeia assinalaram em Ypres, no sul da Bélgica, o início do centenário da I Guerra Mundial, cerimónia à qual se seguiu um jantar para discutir a estratégia da Europa para os próximos anos.

Numa curta declaração após o jantar de líderes, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, revelou que houve apenas uma “troca de pontos de vista sobre a agenda estratégica da União Europeia para os próximos anos”, e que a discussão prosseguirá esta sexta em Bruxelas.

CAMERON SEM APOIO, JUNCKER SERÁ NOMEADO

Num ano em que se assinala o início de um novo ciclo na UE, com a eleição de um novo Parlamento Europeu e mudanças nos mais altos cargos, as atenções estarão viradas para a designação, pelos 28, do sucessor de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia. Tudo o indica que será o luxemburguês Jean-Claude Juncker, o candidato apresentado pelo Partido Popular Europeu, vencedor das eleições europeias de maio, mas depois de um mês de discussão acesa contra e a favor de Juncker, nada é certo.

Embora o Reino Unido deva tentar até ao fim evitar a escolha de Juncker – que David Cameron considera “demasiado federalista” e um “político dos anos 80” e, como tal, pouco indicado para levar a cabo as reformas na UE que Londres considera indispensáveis -, o antigo primeiro-ministro luxemburguês deverá ser designado pelo Conselho Europeu para suceder a José Manuel Durão Barroso, mesmo que com recurso a uma votação, em vez do habitual consenso.

Na quarta-feira o Reino Unido tinha também deixado de contar com dois dos seus mais fortes apoiantes, a Suécia e os Países Baixos, na forte oposição à designação de Juncker, estando agora apenas alinhado com David Cameron o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

Ontem, falando à margem de uma cerimónia de homenagem aos soldados portugueses mortos na I Guerra Mundial, Pedro Passos Coelho realçou a importância de que da reunião de sexta-feira saia “a indigitação do candidato a presidente da Comissão, de modo a que o Parlamento Europeu, já em julho, pudesse proceder à sua eleição”.

“Os desafios exigem uma substituição atempada das instituições que renovam os seus mandatos. Renovarão no entanto com uma diferente composição, e quanto mais depressa pudermos tê-la a funcionar com os seus novos membros, tanto melhor para todos”, sustentou, acrescentando que espera que a escolha recaia sobre Juncker.

Segundo o calendário formal, o Parlamento Europeu deverá votar o nome apontado pelo Conselho Europeu a 16 de julho, na segunda sessão plenária prevista em Estrasburgo para aquele mês.