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Perante o bloqueio negocial a nível político com Bruxelas, o ministro-Adjunto Miguel Poiares Maduro pôs-se a caminho da capital belga para tentar, de uma vez por todas, fechar o chamado Acordo de Parceria. Esteve lá de quarta a sexta-feira, voltou a Lisboa no fim de semana para cozinhar um prato que tinha mesa marcada, e voltou a voar para lá ontem, segunda-feira. E de lá não conta sair sem o acordo fechado.

Segundo disse ao Observador fonte autorizada do Governo, ainda não está fechado, mas é possível que fique “até amanhã”. Os principais problemas políticos foram ultrapassados, mas faltam ainda os detalhes: texto escrito, palavra a palavra, para ver as implicações que terá.

Em cima da mesa têm estado dossiês sensíveis, em que a Comissão pareceu sempre pouco disposta a ceder. As estradas, que o Governo incluiu no novo plano de transportes para o resto da década com pedido de acesso a financiamento comunitário. O comissário responsável argumentou durante meses que isso não seria possível, mas terá agora cedido parcialmente ao pedido do Executivo. Foi negociado, segundo apurou o Observador, um argumento aceitável para Bruxelas: o dinheiro da UE pode ser aplicado nos troços de estrada que venham apoiar empresas, sobretudo as que precisam de escoar produtos.

O caso das escolas, segundo noticia hoje o Diário Económico, também terá já as linhas gerais fechadas, abrindo a possibilidade de apoio à requalificação dos edifícios, numa ótica mais ligada à eficiência energética. Tal como na questão das estradas, só nas entrelinhas do acordo se perceberá até onde o Governo (e os próximos, dado que os fundos serão distribuídos até 2020) pode ir na sua aplicação no terreno.

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Outra questão discutida durante meses entre os técnicos, mas também num nível mais político, foi a dos apoios à investigação científica — que a Comissão pretende ver dirigidos às empresas e menos às universidades. Neste ponto, segundo o mesmo jornal, Bruxelas terá cedido pouco: só haverá fundos do novo pacote comunitário para investigação nas universidades se essa investigação estiver ligada a um projeto empresarial — o que faz prever uma pequena revolução no setor.

Se o acordo for fechado a nível técnico, ficará por fazer apenas a formalização da assinatura. Nesse ato, Passos Coelho quererá estar presente.