Dois casais estão a lutar em tribunal pela custódia de dois gémeos, depois de os embriões gerados por fertilização in vitro terem sido trocados num hospital em Roma. Os casais estavam a fazer tratamentos de fertilidade no mesmo hospital, que explicou a troca pela “semelhança” dos nomes das famílias: partilham “cinco das sete letras” do apelido, disse fonte do hospital ao jornal La Repubblica.

O hospital só se apercebeu da troca quando, aos três meses de gravidez, a mãe que deu à luz teve de fazer testes genéticos para despistar doenças. Resultado: os bebés estavam saudáveis, mas nem a mãe nem o pai eram os pais biológicos. Os embriões fertilizados tinham sido introduzidos no útero de outra mulher, que não a biológica.

“Quando soube que não eram meus, tive um momento de rejeição. Mas depois decidi continuar a gravidez”, conta a mãe que deu à luz. Os gémeos nasceram este domingo e a mãe recusa-se a abdicar das crianças, mas quer processar o hospital pelo acontecimento, adianta o advogado do casal, Michele Ambrosini.

Os pais biológicos dizem-se “devastados” pelo erro médico, já que a dificuldade em ter filhos “já é suficientemente dolorosa”. Apesar disso, quando souberam do nascimento, revelaram estar “felizes” por ter corrido tudo bem durante o parto, apesar de não terem tido o “prazer” de ter o “nosso filho nos braços”.

O outro casal lamentou a situação: “Nós sentimos a dor deles e também estamos a sofrer. Gostávamos de nos encontrar com eles, mas eles nunca nos procuraram”, justificam. O tribunal italiano terá agora de decidir quem são os pais legais dos bebés. Depois de uma sessão de mais de uma hora em que se ouviram as duas partes, na sexta-feira, o juiz que está encarregue do caso disse precisar de “mais tempo” para refletir se os pais biológicos têm ou não o direito de ficar com as crianças. “Uma questão complexa”, descreveu.

A ministra da Saúde italiana já reagiu à situação: “As diretivas nacionais em relação à reprodução medicamente assistida são muito rigorosas. Se forem aplicadas corretamente, garantem a rastreabilidade e segurança do material biológico usado no processo”. Beatrice Lorenzin pediu a abertura de uma investigação ao caso.

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A Fertilização in vitro é uma técnica de reprodução medicamente assistida para tratamento da infertilidade. Consiste na colocação de um número significativo de espermatozóides em cada óvulo no ambiente laboratorial. Os pré-embriões são depois introduzidos no útero.