O embaixador britânico junto da ONU, Mark Lyall Grant, considerou esta quarta-feira que as posições dos dois campos que se confrontam, desde dezembro, no Sudão Sul, deixam pouca esperança quanto à assinatura rápida de um acordo de paz.

“Mantivemos reuniões com o presidente (sul-sudanês Salva) Kiir e (o antigo vice-presidente) Riek Machar, mas nada ouvimos que nos deixe esperar (pela assinatura de) um acordo rápido, nas conversações em Addis Abeba”, declarou Grant, presidente em exercício do Conselho de Segurança das Nações Unidas, durante uma visita ao Sudão do Sul, com uma delegação do Conselho.

A delegação – que, além de Grant, inclui os homólogos norte-americanos Samantha Powers e ruandês Eugene-Richard Gasana – reuniu-se com Kiir, na passada terça-feira, em Juba, antes de uma vídeoconferência com Machar.

Em dezembro, Machar desertou com parte do exército sul-sudanês.

Estas negociações “foram de alguma maneira dececionantes”, acrescentou o embaixador britânico.

“Ambos disseram reconhecer que não há solução militar para a crise, mas as suas duas posições continuam muito afastadas uma da outra”, afirmou.

A delegação da ONU deixou claro a Kiir e Machar “que haverá consequências para quem minar o processo de paz e não quer pôr de lado interesses pessoais no interesse da população”, sublinhou Grant.

Na passada terça-feira, estes embaixadores reiteram as ameaças de sanções feitas pelo Conselho de Segurança a aplicar aos beligerantes, caso prossigam a guerra civil no país, à beira da fome, de acordo com a ONU.

Dezenas de milhares de pessoas morreram e mais de 1,5 milhões foram expulsos de suas casas pelo conflito, iniciado a 15 de dezembro do ano passado, devido à oposição entre Salva Kiir e Riek Machar, que agravou antagonismos político-étnicos no exército.

Até ao momento, as negociações iniciadas em janeiro, na capital etíope, foram infrutíferas e o prazo de 60 dias, durante o qual os dois campos se comprometeram a formar um governo de união, terminou no domingo sem resultado.

Nenhum dos dois cessar-fogos assinados, em janeiro e maio, não foi respeitado e os combates, acompanhados de massacres étnicos, continuam no mais novo Estado do mundo, fundado em 2011 após longos anos de conflito com Cartum.