São 300 milhões de dívida no total, 201 da própria câmara, mais 100 das empresas municipais. “Fizemos em nove meses uma série de reestruturações nestes nove meses. Escapamos ao Fundo de Apoio Municipal por 30 milhões de euros”, disse hoje na RTP-Informação o autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues.

O socialista diz querer evitar a todo o custo o resgate financeiro da câmara. Vai accionar “um plano de saneamento financeiro”, obrigatório por a autarquia estar “numa situação limite”. Um plano que passará por uma negociação com a banca da maturidade de alguns empréstimos”. Sem certeza de ter sucesso, Vítor Rodrigues diz querer tentar: “Ninguém quer recorrer ao fundo: implica despedimentos, menor investimento, aumento de taxas. Não queremos imputar aos cidadãos algum desnorte da gestão.”

O socialista, eleito há nove meses para o lugar do social-democrata Luís Filipe Menezes, apoiante de Seguro nas primárias do PS, diz mesmo assim não querer “dizer mal do passado”. “É verdade que houve muitas extravagâncias. Mas os bancos fizeram empréstimos que não faziam sentido. E o Tribunal de Contas, que tinha que avaliar as contas, devia ter agora uma palavra a dizer”.

Mais improvável foi o elogio do socialista ao atual vice-presidente do PSD, Marco António Costa, que foi braço direito de Menezes e responsável pelas contas de Gaia de 2005 a 2011 – altura em que foi para o Governo. “O momento em que tivemos redução mais séria da dívida foi no tempo do dr. Marco António Costa, tenho de o dizer em abono da verdade”. E acrescentou: “Houve muita coisa positiva em Gaia, a política não pode ser um tiroteio permanente.”