A uma semana do referendo sobre a independência da Escócia, e com as últimas sondagens a darem ora vitória ao ‘sim’ ora ao ‘não’, aumentam os receios sobre o que fazer caso a independência vença nas urnas. Várias são as empresas que estão a delinear os seus planos de contingência pós-referendo e o Royal Bank of Scotland (RBS), ali sediado desde 1727, já tomou uma decisão: muda-se para Inglaterra.

“Será necessário realojar a sede do banco”, confirma o RBS em comunicado divulgado esta quinta-feira “em resposta à especulação dos media” sobre essa possibilidade. O banco fala numa “série de incertezas materiais” sobre a votação do referendo escocês, que pode ter uma forte influência sobre as notações de crédito e a paisagem fiscal e legal a que está sujeita a instituição. Daí a confirmação de que o banco está a empreender “um plano de contingência” para as possíveis implicações da vitória do sim.

Explicando que a decisão surgiu na sequência de riscos identificados no Relatório Anual do banco depois de analisado o cenário de uma Escócia independente, o RBS está confiante de que se trata de “algo que os seus clientes, funcionários e acionistas quereriam que fizesse”. É uma atitude “prudente”, diz, que não terá impacto nos serviços diários prestados pela instituição aos clientes.

O banco reitera ainda que pretende manter um “nível significativo” de operações e postos de trabalho na Escócia “para apoiar os seus clientes” que residam em território escocês.

Também o Lloyds Banking Group, no qual o governo britânico detém uma participação de 25%, admitiu vir a transferir alguns dos seus negócios da Escócia, na sequência de vários pedidos de informação sobre os planos pós-referendo. Mas esta instituição foi mais cautelosa, dizendo que “não haverá mudanças para já”, uma vez que haverá ainda um período de transição caso o ‘sim’ saia vencedor.

Entretanto, uma nova sondagem foi divulgada ao fim do dia de ontem – um dia que foi talvez o mais dramático de todo o período pré-eleitoral (com o apelo emotivo de David Cameron contra a separação). E dá pela primeira vez em vários dias a vitória ao ‘não’. O volte-face parece ser fruto dos esforços dos últimos dias por parte da campanha pela união, com os líderes da coligação do Governo britânico, David Cameron (Partido Conservador), Nick Clegg (Partido Liberal) e Ed Milliband (Partido Trabalhista) a adiarem todos os seus compromissos e a deslocarem-se à Escócia para marcar posição.

De acordo com a mais recente sondagem, feita com uma amostra de mil escoceses, 53% dos eleitores votará contra a independência, enquanto 47% votará a favor. A margem de seis pontos percentuais é na verdade a mesma que as sondagens mostravam há dois meses, apesar de ser uma mudança face aos inquéritos feitos desde o fim de semana.