Os terroristas do Estado Islâmico terão executado o seu terceiro refém este sábado, avança a Agência France Press e a Search for International Terrorist Entities (SITE) Intelligence Group, organização que noticiou em primeira mão a decapitação do jornalista norte-americano Steven Sotloff, a 2 de setembro. David Haines era funcionário de uma organização humanitária e é o primeiro refém britânico assassinado.

Pela terceira vez, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) divulgou o vídeo da execução, onde se pode ver o jihadista a ameaçar um quarto refém, Alan Henning, também britânico. A SITE Intelligence diz que o carrasco de Haines parece ser o mesmo que decapitou os reféns jornalistas norte-americanos.

O vídeo, a que o SITE teve acesso, tem 2:27 minutos e intitula-se “A Message to the Allies of America” (uma mensagem para os aliados da América) e chega após o anúncio da criação de uma coligação internacional para combater o Estado Islâmico. Tal como nos anteriores, a vítima faz declarações contra o líder político do seu país:

“O meu nome é David Cawthorne Haines. Gostaria de declarar que te considero a ti, David Cameron, responsável pela minha execução. Entraste de modo voluntário numa coligação com os Estados Unidos contra o Estado Islâmico.

Tal como o teu antecessor, Tony Blair, fez, seguindo uma tendência entre os nossos primeiros-ministros britânicos, que não têm coragem para dizer não aos americanos. Infelizmente somos nós, o público britânico, que vamos acabar por pagar o preço pelas decisões egoístas do nosso parlamento”.

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Depois foi a vez de o carrasco se dirigir à câmara, culpando o Governo britânico pelo que estava prestes a fazer:

“Este britânico tem de pagar o preço da tua promessa, Cameron, de armar os curdos contra o Estado Islâmico. Ironicamente, ele passou uma década da sua vida a servir a Força Aérea Britânica que é responsável por essas armas.

A tua aliança com a América, que continua a atacar os muçulmanos do Iraque e mais recentemente bombardeou a barragem de Haditha, só vai acelerar a tua destruição. Fazer o papel de cão obediente, Cameron, vai arrastar-te a ti e ao teu povo para outra guerra sangrenta e que não pode ser vencida”.

O Foreign Office, equivalente britânico ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse que está a “trabalhar urgentemente na verificação do vídeo”, relata a BBC. Mas o primeiro-ministro britânico David Cameron já reagiu no Twitter, dizendo que “o assassinato de David Haines é um ato de pura maldade”, seguido de um aviso. “Faremos tudo ao nosso alcance para capturar esses assassinos e garantir que enfrentam a justiça, independentemente do tempo que for preciso”.

Este domingo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, preside a uma reunião que reúne representantes do exército e dos serviços de segurança britânicos, tal como membros do Foreign Office e do Home Office (departamento responsável pelo contraterrorismo) para discutir a situação.

De acordo com o britânico Guardian, David Haines tinha 44 anos e trabalhava numa agência não-governamental francesa chamada ACTED (Agency for Technical Cooperation and Development). Foi raptado em 2013 na Síria, onde tinha estado apenas durante três dias. A execução acontece horas depois de a família do refém ter divulgado uma mensagem em que pedia aos raptores que a contactassem.

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse no sábado que os EUA condenam “o assassinato bárbaro” de Haines. “Vamos cooperar com o Reino Unido e uma coligação alargada de nações da região e do resto do mundo para levar os responsáveis por este ato violento perante a justiça”, disse.

David Haines nasceu em Yorkshire, mas cresceu em Perthshire, Escócia. Antes de ser capturado viveu na Croácia com a segunda mulher, com quem tem uma filha de quatro anos. Ainda do primeiro casamento resultou uma menina, hoje com 17 anos, acrescenta o britânico Mirror.

O irmão de David, Mike Haines, disse num comunicado que o irmão foi assassinado a sangue frio. “David era como todos nós: um tipo comum. No seu trabalho humanitário era energético e entusiasmado. A sua alegria pelo trabalho que ia fazer na Síria representa, para mim e para a família, o elemento mais importante desta história triste”.

O Governo britânico conseguiu manter em segredo o sequestro por questões de segurança, até que David Haines apareceu no vídeo da execução de Steven Sotloff, escreve a Time.

O quarto refém ameaçado pelos jihadistas é Alan Henning, que o The Epoch Times descreve como igualmente britânico e envolvido em ajuda humanitária.

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Alan Hanning aparece no final do vídeo a ser ameaçado de morte. ©D.R.